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Os proventos da estatal tornaram-se a principal dúvida dos investidores após as declarações recentes do presidente da companhia, Jean Paul Prates — analistas do mercado fazem as apostas sobre o que esperar; confira as previsões
Faltam poucas horas para a Petrobras (PETR4) divulgar os últimos números referentes a 2023, e as apostas dos investidores sobre o que está por vir no balanço da estatal no quarto trimestre já começam a se empilhar.
Acontece que as principais especulações sobre a petroleira não dizem respeito aos lucros no ano passado — mas sim à distribuição futura de dividendos da companhia, que deve ser anunciada no fim desta noite junto aos resultados do 4T23.
Conhecida por ser uma das grandes “vacas leiteiras” da bolsa brasileira, a Petrobras acionou um alerta entre os investidores que buscam retornos polpudos com proventos no último mês. E tudo pelas declarações recentes do presidente da estatal, Jean Paul Prates.
Em entrevista à Bloomberg no fim de fevereiro, Prates disse que seria "mais conservador do que agressivo" na distribuição de dividendos. O discurso causou uma forte pressão sobre as ações da petroleira na bolsa brasileira — que chegaram a desabar mais de 5% na B3 naquele pregão.
No mesmo dia, a estatal tentou colocar panos quentes na situação e afirmou que não havia qualquer decisão tomada em relação à distribuição de dividendos ainda não declarados. Segundo a petroleira, as deliberações futuras terão como base a nova política de remuneração aos acionistas da companhia.
A nova política prevê que, em caso de dívida bruta igual ou inferior ao nível máximo definido no plano estratégico e de resultado positivo acumulado no trimestre, a companhia deverá distribuir aos seus acionistas 45% do fluxo de caixa livre.
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Para o analista da Guide Investimentos, Mateus Haag, a distribuição de dividendos deverá ser alinhada aos montantes depositados para os acionistas que foram feitos nos últimos trimestres — do mínimo estabelecido na política de remuneração da companhia —, mas sem dividendos extraordinários.
Já o Itaú BBA projeta que a Petrobras poderá pagar entre US$ 4,7 bilhões e US$ 8,5 bilhões em dividendos extraordinários no quarto trimestre de 2023, implicando em um dividend yield (rendimento com proventos) de 4,2% a 7,7%, considerando os dois extremos das projeções.
Apesar de não ser considerado o grande destaque da noite — esse lugar, como dissemos anteriormente, pertence ao anúncio de dividendos da companhia —, o desempenho financeiro da Petrobras (PETR4) no quarto trimestre de 2023 também chama atenção dos investidores.
Segundo o Projeções Broadcast — que compila as estimativas de oito instituições (Citi, Safra, Genial, Ativa, XP, Bank of America, BTG Pactual e Itaú) —, a previsão é que o lucro da companhia tenha chegado, em média, a R$ 34,6 bilhões entre outubro e dezembro de 2023.
A cifra corresponderia a uma redução de 20% em relação aos ganhos apurados no mesmo período do ano anterior, de R$ 43,3 bilhões.
Para os especialistas, o resultado da estatal em 2023 foi afetado pela queda nos preços do petróleo do tipo Brent, considerado referência no mercado internacional.
Isso porque o preço médio do Brent passou de US$ 88,71 o barril no quarto trimestre de 2022 para USS 84,54 no mesmo período do ano passado.
Já a média das estimativas para a receita da companhia ficou em R$ 130,2 bilhões, uma queda de 17% em comparação com os R$ 158,5 bilhões registrados há um ano.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado deve ter leve avanço de 0,9% na base anual, passando de R$ 73,1 bilhões no quarto trimestre de 2022 para os atuais R$ 73,8 bilhões.
Confira os últimos números divulgados pela Petrobras (PETR4) no terceiro trimestre de 2023:
Ainda em fevereiro, a Petrobras divulgou o seu relatório de desempenho e vendas do último trimestre do ano passado.
Segundo o documento, a estatal produziu um total de 2,935 milhões de barris de óleo equivalente (boed) no período, alta de 10,9% na comparação com o quarto trimestre de 2022.
Em 2023, a produção da Petrobras atingiu na média 2,684 milhões de boed, um desempenho 3,7% acima do que foi registrado em 2022.
Na avaliação do Citi, a discussão sobre os três pilares — Política de Preços dos Combustíveis, Política de Pagamento de Dividendos e Plano Estratégico — está agora resolvida, e a maioria das preocupações 'pós-eleitorais' não se concretizou após a posse do atual governo.
Entre as incertezas do início de 2023, o mercado questionava-se se a empresa deixaria de ser a maior pagadora de dividendos para se transformar em um verdadeiro ponto de interrogação no setor de energia.
Segundo o Citi, as mudanças na governança da estatal e na alocação de capital não aconteceram tão rapidamente quanto alguns investidores pensavam no começo do ano passado.
A expectativa é que a estatal continue a gerar fluxo de caixa, pagar dividendos e aumentar a produção. Porém, a dúvida é sobre a dimensão dos proventos que serão pagos aos acionistas. "O tamanho dos dividendos definiria o nível de valuation da empresa por enquanto.”
Já a Guide Investimentos acredita que o quarto trimestre de 2023 será marcado por “um resultado forte na parte operacional, com geração de caixa robusta”.
Por sua vez, a Ativa Investimentos aguarda bons resultados da companhia e dividendos robustos, apesar de menores do que o esperado.
A Genial Investimentos afirmou se manter cética quanto a “eventuais mudanças bruscas na condução da empresa e em relação ao seu atual corpo executivo". Mesmo assim, os analistas destacam que a percepção de risco aumentou após as declarações de Prates.
A expectativa da Genial é que a Petrobras deve encerrar o ano de 2023 com uma receita líquida anual de R$ 470 bilhões.
Por sua vez, a Santander Corretora acredita que “resultados sólidos devem continuar a ser impulsionados pelo foco em Exploração & Produção (E&P), favorecidos pelas operações do pré-sal e margens de refino positivas”.
Os analistas acreditam que o nível de investimentos (capex) sob controle deverá manter a dívida bruta abaixo de US$ 65 bilhões, com alavancagem contida, permitindo um elevado pagamento de dividendos.
Parte do mercado acredita que essa valorização poderia ser ainda maior se não fosse pela Alea, subsidiária da construtora. É realmente um problema?
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