O que falta para o gringo voltar a investir no Brasil? Só a elevação do rating pela Moody’s não é o suficiente, diz chairman da BlackRock no país
À frente da divisão brasileira da maior gestora de investimentos do mundo, Carlos Takahashi falou sobre investimento estrangeiro, diversificação e ETFs no episódio desta semana do podcast Touros e Ursos

A recente elevação do rating do Brasil pela agência de risco Moody’s deu um sopro de vida para o mercado de ações brasileiro. Mas não é este “voto de confiança” no país que será capaz de trazer de volta o investidor estrangeiro para a bolsa. Não sozinho, pelo menos.
Para Carlos Takahashi, chairman da BlackRock no país e vice-presidente da Anbima (Associação Brasileira Financeira de Mercado de Capitais), existem diversos fatores que influenciam o movimento do capital estrangeiro rumo ao Brasil.
O ambiente macroeconômico global; a inflação; a aversão a riscos e a volta da atratividade da renda fixa nos países desenvolvidos. Juntos, todos esses fatores formam uma equação que, no momento, não resulta na volta do gringo pro Brasil.
- Petrobras (PETR4): rumores sobre plano estratégico da sugerem mais dividendos a partir de 2025; saiba se é hora de comprar
“É sempre bom melhorar o rating do país. Mas foi só uma agência que elevou o rating. O que as demais vão fazer?”. Este é o principal questionamento de Takahashi, que avalia a decisão da Moody’s como um “primeiro alento, mas ainda pouco”.
Na opinião dele, o Brasil precisa chegar ao grau de investimento e também atender outros requisitos para se tornar um país “investível”. Um exemplo citado foram os critérios da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que definem o grau de dificuldade de se fazer negócios em um país.
No episódio da semana do podcast Touros e Ursos, Takahasi explicou o que está em jogo para que o investimento estrangeiro volte a dar as caras por aqui. Dê o play para assistir ao papo na íntegra:
Reformas intermináveis repelem o gringo
O primeiro semestre de 2024 marcou a maior saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira desde a pandemia, com a cifra atingindo R$ 42 bilhões.
Leia Também
Em semana de decisão da escala 6×1, estudo da CNI diz que Brasil vai levar até 30 anos para recuperar produtividade
O que precisa acontecer para os juros caírem no Brasil? Grandes mentes do BTG Pactual apontam o caminho
Essa “fuga” tem um contexto por trás, claro. O ambiente macro global passou por profunda transformação após a pandemia. Da mesma forma, a situação geopolítica se agravou, vide conflitos entre Rússia e Ucrânia e a questão do Oriente Médio.
Isso tudo favoreceu o aumento da inflação ao redor de todo o mundo e deixou os investidores mais avessos à bolsa no geral, na visão do chairman da BlackRock.
Consequentemente, para controlar a inflação, as taxas de juros subiram – não só no Brasil, como também nas economias desenvolvidas. “Aí entra a questão do prêmio de risco. É muito melhor eu ficar numa renda fixa nos Estados Unidos e nos países da Europa”, comenta Takahashi.
O cenário já é desafiador no mundo, mas é ainda mais desfavorável nas economias emergentes. Aqui no Brasil, as “reformas intermináveis”, citadas pelo convidado do Touros e Ursos, repelem os investidores que buscam “prêmios de risco mais adequados”.
“Claro que o investidor estrangeiro está vendo as reformas, as questões fiscais. Ele está vendo tudo isso”, diz o chairman da BlackRock.
O diretor foi ainda mais específico ao dizer que o que está afastando os recursos do Brasil é a falta de uma visão de longo prazo.
Bolsa brasileira precisa se reinventar
Além disso, a bolsa brasileira, extremamente concentrada em setores específicos da economia, acaba perdendo o brilho quando comparada a outros mercados mais pujantes. O investidor tem mais oportunidades lá fora, onde a dinâmica de inovação e nascimento de novos setores é mais intensa.
“Quando você compara a prateleira lá fora com a prateleira daqui, o que você quer é, na verdade, investir seu dinheiro lá”, reflete. “A gente precisa ter alguns avanços no nosso mercado de capitais para efetivamente atrair os investidores.”
Como a BlackRock enxerga o Brasil?
Takahashi também deu um panorama geral de como a BlackRock, a maior gestora de ativos financeiros do mundo, enxerga o país.
“A gente sempre viu o Brasil de forma muito positiva, tanto é que a empresa está há mais de décadas aqui. E os nossos negócios estão sempre crescendo [no país]”, comentou.
A BlackRock foi pioneira em introduzir importantes ETFs no mercado nacional, como o BOVA11, que replica o Ibovespa e é o maior ETF da bolsa; e o SMAL11, focado em small caps.
Outros temas também fizeram parte do Touros e Ursos nesta semana: a queda das ações da Sequoia Logística, as falhas de administração da Enel, o prêmio Nobel de Economia e o “foguete de ré” da SpaceX.
O Touros e Ursos é um podcast semanal do Seu Dinheiro, apresentado pela nossa equipe de repórteres. Toda semana, convidamos nomes importantes do mercado financeiro e do cenário político para discutir temas relevantes para o investidor pessoa física.
MACRO DAY 2026
Efeito de 30 programas sociais: André Esteves, do BTG, diz qual é o remédio que pode levar Selic a 7% ao ano
31 de agosto de 2026 - 11:15ÚLTIMO LOTE REGULAR
Receita Federal libera R$ 1,24 bilhão: veja se você está entre os 522 mil que recebem hoje a restituição do imposto de renda
31 de agosto de 2026 - 9:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Vender ou alugar o imóvel, o prejuízo do dinheiro parado, IPO da Shein, e o que mais move os mercados
31 de agosto de 2026 - 8:16PRÊMIOS MILIONÁRIOS
R$ 300 milhões da Lotofácil da Independência aparecem no horizonte das loterias e ofuscam Mega-Sena e +Milionária
31 de agosto de 2026 - 7:01ATENÇÃO, ESTUDANTES!
Pé-de-Meia setembro 2026: veja quem recebe a sexta parcela e as datas de depósito
31 de agosto de 2026 - 5:06QUESTÕES POLÍTICAS
A Selic pode terminar 2027 em 9,75% ao ano… ou subir para 15,5% — e o que vai definir a taxa não é a economia
30 de agosto de 2026 - 16:18NOBEL CONTROVERSO
O médico que ganhou um Prêmio Nobel por fazer 12 furos no cérebro dos pacientes
30 de agosto de 2026 - 10:03Conteúdo Empiricus
Profissional que triplicou salário nos últimos cinco anos com IA lança especialização; garanta sua vaga
30 de agosto de 2026 - 9:00AGENDA MENSAL DE BENEFÍCIOS
Bolsa Família, Gás do Povo, Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para setembro 2026
30 de agosto de 2026 - 7:07'INVESTIDOR-ANJO'
A filosofia de Naval Ravikant, o ‘guru’ do Vale do Silício, para enriquecer em jogos de longo prazo
29 de agosto de 2026 - 15:15NOVA FRONTEIRA
TikTok Shop mira R$ 20 bilhões e abre nova guerra no e-commerce brasileiro — agora, pela atenção do consumidor
29 de agosto de 2026 - 13:10Conteúdo Empiricus
Enquanto negociações de minicontratos crescem na bolsa, traders podem disputar até R$ 1 milhão ao operá-los em competição
29 de agosto de 2026 - 12:00ELEIÇÕES 2026
De processar Mark Zuckerberg a enterrar o Desenrola: o que os candidatos à presidência prometeram nesta sexta-feira
28 de agosto de 2026 - 19:45RICOS PRA VALER
Eduardo Saverin e Vicky Safra: quem são os brasileiros que lideram a lista dos mais ricos da Forbes de 2026
28 de agosto de 2026 - 15:03LISTA DA FORBES
Sócio de Lemann perde posições, família Moreira Salles ganha espaço e ‘Rei do Ovo’ estreia no Top 10 dos bilionários brasileiros da Forbes; veja a lista
28 de agosto de 2026 - 12:29A FORTUNA DO REI
Morre o rei da Noruega: fortuna deixada por Harald V surpreende diante da riqueza trilionária do país
28 de agosto de 2026 - 10:28BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3773 tem 49 ganhadores, mas só 2 ficam mais perto do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3050 acumula e prêmio vai a R$ 30 milhões
28 de agosto de 2026 - 6:31FOLHA NO RADAR
7 de setembro está chegando! Veja os próximos feriados e pontos facultativos de 2026
28 de agosto de 2026 - 5:30CHATGPT PARA CIRURGIÕES?
Primeira cirurgia cerebral com assistência de inteligência artificial da história resulta em remoção de tumor
27 de agosto de 2026 - 17:34O MAPA DA LEI