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Sim, o halving aconteceu, mas não é essa atualização que vamos falar hoje, mas sim uma atualização que mudou a história da rede

Saudações! Marcello Cestari novamente aqui e escrevendo para vocês. Para aqueles que não me conhecem, sou o trader e analista responsável por todos os fundos de bitcoin (BTC) e criptoativos na Empiricus Gestão.
Além do trabalho na gestora, regularmente produzo conteúdo e análises aprofundadas sobre o mercado de criptoativos em meu Instagram @cestari.crypto e escreverei mais vezes aqui nos insights, qualquer comentário, feedback ou dúvida podem me procurar no Instagram sem problema algum.
Sim, o halving aconteceu no dia 19/04, por volta das 21h20 no horário de Brasília, e a recompensa dos mineradores caiu pela metade, passando de 6,25 bitcoins para 3,125 bitcoins.
No entanto, não é exatamente sobre essa atualização que vamos abordar hoje, mas sim de uma atualização no passado que mudou a história da rede e impactou esse último halving.
O Bitcoin recebeu uma atualização em novembro de 2021, chamada Taproot, que aumentou a capacidade de dados dos blocos do Bitcoin e desempenhou um papel importante na ativação do protocolo Ordinals.
Posteriormente, permitiu a base para os tokens BRC-20. Ordinals é uma tecnologia que permite a inscrição de ativos digitais em 1 satoshi, que é a menor unidade de fração de um bitcoin.
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1 satoshi = 0,00000001 BTC. Em dezembro de 2022, o protocolo Ordinals foi lançado. Ele basicamente permite a inscrição de dados fungíveis, como textos, imagens, arquivos de código e áudio no código do Bitcoin.
Nesse contexto, surgiram os tokens BRC-20, que são um padrão de token experimental para a blockchain do Bitcoin e permitem aos desenvolvedores criar e transferir tokens fungíveis na blockchain do Bitcoin utilizando o protocolo Ordinals.
Diferentemente dos padrões dos tokens tradicionais, como por exemplo o ERC-20 na Ethereum, os tokens BRC-20 não têm suporte para contratos inteligentes e dependem de inscrições dos Ordinals para sua funcionalidade.
Enquanto os tokens ERC-20 são criados por meio de código de contrato inteligente, os tokens BRC-20 são criados inscrevendo arquivos JSON em satoshis individuais.
A grande questão é que a rede do Bitcoin é uma rede em que um bloco é minerado mais ou menos a cada 10 minutos e cada bloco só cabe 4 megabytes de informação.
Quando você começa a inscrever informações dentro desse bloco, ele fica mais pesado e a rede começa a ficar mais lenta, consequentemente, as taxas aumentam.
Há quem não goste dessa ideia, justamente por conta do aumento considerável nas taxas das transações do Bitcoin e também pela não utilização de contratos inteligentes, consequentemente deixando a utilidade da tecnologia limitada (até o momento).
Por outro lado, existem aqueles que acreditam ser o futuro na rede do Bitcoin, uma vez que essas inscrições futuramente podem ser aplicações com diferentes funcionalidades, principalmente com o número crescente de projetos que estão adotando o padrão.
Nessa perspectiva, o criador do protocolo Ordinals, Casey Rodarmor, trouxe o conceito do protocolo Runes com o objetivo de substituir o padrão de token BRC-20.
Runes foi lançado exatamente após o 840.000º ter sido minerado e o 4º halving da história do Bitcoin ter acontecido. Basicamente, esse protocolo tem como objetivo facilitar a criação de tokens fungíveis na rede do Bitcoin e, consequentemente, melhorar essa questão das taxas caras da rede por conta das inscrições atuais.
O BRC-20 é uma forma de utilizar o protocolo Ordinals para a inscrição de arquivos de texto na rede, e os arquivos de texto eram os tokens fungíveis e seu grande detrator é a necessidade de muitas transações para o token BRC-20 existir.
Quando você faz o deploy de um token BRC-20, você precisa realizar 2 transações. Quando faz o mynt mais 2 transações e, por fim, a transferência necessita mais 3 transações.
Com o protocolo Rune, é necessário 2 transações para realizar o deploy do token, 1 transação para myntar e 1 transação para realizar a transferência, então, basicamente, reduz pela metade o número de transações e é menos desgastante para a rede.
Além disso, Casey criou o protocolo pensando em uma integração na Lightning do Bitcoin, então você faz a inscrição dentro da rede do Bitcoin, mas depois pode ser negociado na lightning do bitcoin.
O mercado se mostrou tão empolgado e interessado com esse novo protocolo que, na semana passada, mesmo antes do lançamento do protocolo Runes, já existiam alguns projetos de NFTs na rede do Bitcoin que anunciaram o airdrop de tokens padrão Runes para quem detinha esses projetos.
Apesar dos tokens serem fungíveis, o mercado enxerga valor justamente na posição em que o “sat” que recebeu a inscrição ocupa.
Por exemplo, um “sat” que faz parte do primeiro bloco minerado da história tem muito mais valor do que um "sat” que faz parte de um bloco qualquer. Inclusive, rolou uma competição para minerar o bloco responsável pelo halving, pois é um bloco histórico e, consequentemente, os “sats” dentro dele também são históricos.
Um e o mercado chegou a estimar que o “satoshi” dentro desse bloco teria um valor de mercado de aproximadamente 1 milhão de dólares, ou seja, mais caro do que o próprio preço do bitcoin. Um sujeito pagou em uma transação:
Para estar no bloco 840.000.
Valor pago na transação do blcoo 840.000
Fonte: Mempool.Space
O aumento incomum das taxas na rede do Bitcoin ressalta a importância das Lightning Networks e das segundas camadas. Enquanto projetos como Stacks (STX) buscam melhorar a escalabilidade do Bitcoin, outros estão desenvolvendo soluções para ampliar as transações no protocolo Runes.
Apesar das preocupações com taxas elevadas, pela foto acima é possível afirmar que o mercado tem enxergado valor em toda essa narrativa e está entusiasmado com as inovações e aplicações na rede do Bitcoin, evidenciando um otimismo quanto ao surgimento de novas tecnologias e soluções para os desafios existentes.
? Bitcoin (BTC)
Preço: US$ 66.603 65.750 | Var. +1,29%
? Ethereum (ETH)
Preço: US$ 3.195 | Var. +4,20%
? Dominância Bitcoin: 55,26% (Var. -0,80%)
* dados referentes ao fechamento em 22/04/24
Taxa de inflação anual Bitcoin vs Ouro. Fonte: Twitter
O gráfico acima e mostra que após o halving que aconteceu na semana passada o Bitcoin passou a ter uma inflação anual menor (0,8%) do que a inflação anual do Ouro (1,4%) e se tornou um ativo mais escasso que o ouro (talvez um dos únicos a conseguir esse feito), e essa diferença só tende a aumentar com os próximos halvings.
Por fim, vale salientar que escrevo aqui no Crypto Insights como convidado do time da Empiricus Research, uma vez que faço parte do time da Empiricus Gestão. Mas é sempre um prazer escrever aqui para vocês e agradeço novamente pelo convite.
Forte abraço,
Marcello Cestari - Instagram: @cestari.crypto
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