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‘HALL OF SHAME’

Os “bilionários da vergonha”: Forbes cria lista de ricaços suspeitos com menos de 30 anos — e um deles pode ser condenado a 115 anos de cadeia

A Forbes destacou os nomes que já entraram na lista de “Under 30” e que tenham se tornado uma “vergonha” — seja por fraudes financeiras bilionárias ou outros motivos

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4 de dezembro de 2023
16:10 - atualizado às 18:22
O "Hall of Shame" dos bilionários da Forbes, com Sam Bankman-Fried e Caroline Ellison
O "Hall of Shame" da Forbes, com Sam Bankman-Fried e Caroline Ellison - Imagem: Reprodução / Canva Pro / Montagem Seu Dinheiro

Se a lista de “Under 30” da Forbes chama atenção por revelar os nomes de empresários, gigantes da tecnologia e celebridades mais promissoras do mundo com até 30 anos, agora os holofotes ficam com um novo mural da revista norte-americana que ninguém desejaria integrar: o Hall of Shame  — traduzido para “Hall da Vergonha” — dos bilionários.

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A ideia da Forbes é destacar os nomes que já entraram na lista de “Under 30” e que tenham, de alguma forma, se tornado uma “vergonha” para a revista — seja por fraudes financeiras bilionárias ou qualquer outro motivo.

Inicialmente, a publicação pretende incluir 10 nomes dos quais se arrependeu de um dia já ter homenageado — mas a intenção é incluir novos personagens com o passar dos anos. 

Afinal, a cada ano, a revista norte-americana indica 600 nomes para a Under 30 a cada ano — e, considerando que o ranking existe há 13 anos, isso já soma aproximadamente 10 mil personalidades que podem mudar de status perante a publicação. 

Os “bilionários da vergonha” da Forbes: 

1. O bilionário SBF, da FTX

A lista da vergonha da Forbes é encabeçada por SBF, o apelido pelo qual é conhecido Sam Bankman-Fried, fundador da falida corretora de criptomoedas FTX. 

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Se esses nomes não te trazem recordações, permita-me refrescar sua memória. Mas, se você quiser a história completa da FTX, é só clicar aqui.

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SBF era CEO da exchange FTX. No começo do ano passado, a corretora cripto e suas operações nos Estados Unidos foram avaliadas em cerca de US$ 40 bilhões. Já Bankman-Fried possuiria uma fortuna de US$ 26 bilhões, segundo a Forbes, na época.

Acontece que logo veio a bola de neve crescente. Em novembro de 2022, a exchange entrou com um pedido de recuperação judicial — que em pouco tempo levou o nome de SBF aos holofotes. 

O homem, que outrora chegou a ser um dos maiores bilionários de ativos digitais antes dos 30 anos em 2021, agora pode ser condenado a mais de 115 anos de prisão nos Estados Unidos.

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Após ser extraditado das Bahamas, SBF enfrenta um julgamento que pode resultar em uma sentença de mais de 115 anos de prisão nos EUA por fraude cibernética, de valores mobiliários e violações das leis de financiamento de campanha. 

2. Caroline Ellison, da Alameda Research

Depois de integrar o ranking “Under 30” de 2022, outro nome ligado a SBF ganhou lugar no Hall da Vergonha da Forbes: o de Caroline Ellison, ex-CEO da Alameda Research, empresa de investimentos do mesmo grupo da corretora de criptomoedas FTX.

No fim do ano passado, Elisson admitiu fraude e o uso de recursos dos clientes da exchange como garantia das suas apostas arriscadas no mercado.

Acontece que a ex-CEO da Alameda passou a participar do julgamento de Sam Bankman-Fried como testemunha — e culpou o próprio SBF pelos problemas na corretora e na divisão de investimentos do grupo FTX.

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A executiva enfrenta uma pena máxima de 110 anos devido à participação no esquema da FTX, mas poderá receber uma punição menor com a cooperação nos testemunhos contra SBF.

3. Phadria Prendergast, do The W Group

A CEO do The W Group mal teve tempo de comemorar a nomeação à lista de Under 30 da Forbes em 2023 e já entrou para o mural da vergonha da revista.

Isso porque Phadria Prendergast, que também é editora-executiva da revista “Women Of The City” (WOTC), foi citada em investigações polêmicas envolvendo a publicação.

Mas vamos por partes. A WOTC foi criada em 2018 para empoderar mulheres fundadoras de empresas. “Desde a nossa criação, criamos um centro de apoio para dezenas de milhares de mulheres em todo o mundo. Nossas mulheres usam seu poder e influência para fazer a diferença”, afirma a publicação, em sua página no LinkedIn.

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Acontece que, segundo a Forbes, a empresa foi acusada de cobrar pelas publicações — ou seja, se uma empreendedora quisesse aparecer na capa, deveria desembolsar alguns milhares de dólares — e ainda não cumprir com os acordos.

Além disso, a Forbes afirma ter encontrado conexões financeiras da Women of the City com a Nação SPAC, uma igreja acusada de ser uma seita religiosa, com denúncias de fraude e abuso infantil.

4. Charlie Javice, do Frank

Presente na Under 30 em 2019, Charlie Javice conquistou lugar na lista da vergonha da Forbes após sua startup Frank enganar o gigante financeiro norte-americano JP Morgan.

Fundada há quatro anos, a empresa prometia ajudar estudantes universitários a conseguir ajuda financeira. 

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Em 2021, quando a startup supostamente contava com 4,25 milhões de clientes, a companhia foi vendida para o JP Morgan por US$ 175 milhões.

O problema é que a empresa de Javice na realidade possuía menos de 300 mil usuários.

O JPMorgan entrou com uma ação alegando que Javice mentiu sobre “o sucesso, o tamanho e a profundidade da penetração de mercado de Frank” ao falsificar uma lista de estudantes usuários da startup.

Depois da revelação, a executiva foi processada por fraude bancária, eletrônica e de valores mobiliários. 

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O julgamento de Javice acontecerá em julho de 2024 — e, se for condenada, ela poderá pegar décadas de prisão.

5. Nate Paul, do World Class Capital Group

O investidor imobiliário Nate Paul conquistou seu lugar no Hall da Vergonha da Forbes após os oito processos envolvendo declarações falsas a instituições financeiras.

O fundador da World Class Capital Group inicialmente entrou para o Under 30 em 2016 após ter construído um portfólio imobiliário de US$ 1 bilhão em 17 estados dos Estados Unidos.

O portfólio da companhia contava com centros de lojas, prédios corporativos e apartamentos.

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Acontece que, em junho de 2023, Paul foi acusado de ter exagerado os bens e subestimado suas responsabilidades para conseguir empréstimos de forma fraudulenta, enganando credores hipotecários e cooperativas de crédito.

O julgamento está marcado para meados de 2024 — em uma ação que busca US$ 172 milhões em restituição.

6. Steph Korey, da Away

Em 2016, a Forbes nomeou Steph Korey como uma das personalidades marcantes com menos de 30 anos após a criação da Away, uma empresa de malas de viagem de luxo.

Dois anos depois, uma reportagem do site The Verge revelou condições “tóxicas” trabalho por ex-funcionários da companhia — e preocupações com o estilo de gestão de Korey.

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Em uma dança das cadeiras, no mesmo mês da publicação, a executiva renunciou ao cargo de CEO, apenas para voltar em janeiro como co-CEO.

Em julho de 2020, Korey passou a publicar fortes críticas à indústria de mídia nas redes sociais — e não levou muito tempo para a executiva renunciar outra vez no começo de 2021.

7. Lucas Duplan, da Clinkle 

O fundador da Clinkle, Lucas Duplan, entrou para a Forbes Under 30 em 2014, dois anos após a criação de sua startup de pagamentos móveis.

A companhia captou US$ 30 milhões em uma rodada inicial de investimentos, com aportes de personalidades como a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz.

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Depois disso, a companhia cresceu, com dezenas de novas contratações — incluindo grandes nomes da tecnologia — e o aluguel de um escritório em San Francisco. 

O problema é que, ainda que tivesse a missão hercúlea de tornar o dinheiro em papel obsoleto, a empresa nunca criou um produto que realmente fosse viável — a companhia chegou a lançar um aplicativo para estudantes universitários em 2014, mas sem sucesso. 

Não demorou muito até a empresa fazer inúmeros cortes na equipe enquanto seguia queimando caixa. Em 2015, os investidores começaram a pedir o dinheiro de volta — enquanto empresas rivais lançavam produtos que concorriam com a ideia inicial da Clinkle.

Anos depois do fracasso da companhia, o Business Insider revelou que Duplan estava ingressando em 2018 em uma nova empresa de criptomoedas.

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8. Cody Wilson, da Defense Distributed

O estudante de direito Cody Wilson entrou para a lista de renome da Forbes em 2013 por um feito que já poderia ser considerado polêmico: inventar armas funcionais impressas em 3D. 

O ativista de direito armamentista é fundador da Defense Distributed, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e publica designs de armas de código aberto que podem ser impressas por qualquer um em uma impressora 3D, sem rastreamento.

Mas o motivo para Wilson mudar de lista aconteceu em 2019, quando ele se declarou culpado por lesão corporal e se registrou como agressor sexual após pagar US$ 500 para ter relações sexuais com uma garota de 16 anos.

9. Martin Shkreli, da MSMB Capital

Martin Shkreli foi considerado uma das personalidades relevantes abaixo de 30 anos pela Forbes em 2013 devido aos seus fundos de hedge focados no setor farmacêutico, com destaque para o MSMB Capital.

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Shkreli ficou conhecido como “o CEO mais odiado dos Estados Unidos” após ter elevado o preço de um dos medicamentos de seu portfólio, o Daraprim — que controla os efeitos da Aids —, em mais de 5.000%, de US$ 17,50 para US$ 750 cada pílula. Mas essa não foi a única razão pela qual a Forbes decidiu incluí-lo na “lista da vergonha”.

O grande destaque negativo para Shkreli ocorreu em 2018, ao ser condenado a sete anos de prisão por ter montado um esquema de pirâmide com seus dois fundos, o MSMB Capital e o MSMB Healthcare, de milhões de dólares, além de manipular as ações da farmacêutica Retrophin.

10. James O'Keefe, da Project Veritas

O jornalista James O'Keefe, fundador da empresa conservadora de mídia Project Veritas, entrou para a Forbes Under 30 em 2012.

O executivo foi demitido dos cargos de CEO e presidente do conselho de administração em 2017 após reclamações de funcionários pelo modo de gestão e pelo uso indevido de fundos de doadores.

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Em agosto deste ano, a agência Associated Press reportou que O’Keefe estava sendo investigado por uma promotoria de Nova York. A AP não informou os motivos.

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