Nova Rota da Seda: o que é a iniciativa chinesa que quer incluir o Brasil em um plano de infraestrutura global
A adesão formal do Brasil ao projeto chamado Belt and Road, lançado por Xi Jinping em 2013, é uma das cobranças da diplomacia de Pequim na comemoração de dez anos do projeto

Apesar do adiamento da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China em virtude de um problema de saúde, um dos temas que divide a opinião dos analistas não pode ser deixado de lado. Além do debate envolvendo as lojas de varejo online do país, a inclusão do Brasil na chamada "nova Rota da Seda" também foi colocada na pauta da viagem.
A adesão formal do Brasil ao projeto chamado Belt and Road, lançado por Xi Jinping em 2013, é uma das cobranças da diplomacia de Pequim na comemoração de dez anos do projeto.
A participação brasileira — ainda em avaliação — divide opiniões na diplomacia.
Isso porque a entrada do país na nova Rota da Seda e seria um gesto político a favor da China em um momento de rivalidades e tensões exacerbadas com os Estados Unidos. Ambos são o primeiro e segundo principais parceiros comerciais e investidores estrangeiros do Brasil, respectivamente.
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Nada de seda: nova rota inclui desenvolvimento de infraestrutura
O plano consiste na formação de uma grande rede de infraestrutura — passando por diversos modais de transporte, principalmente, portos, rodovias e ferrovias — conectando os continentes para o escoamento de produtos. O projeto começou integrando países do Leste Europeu e da antiga União Soviética.
Vizinhos do Brasil, como Argentina e Chile, integram a lista de 147 países participantes.
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Fontes do governo brasileiro dizem que a adesão do Brasil, um objetivo perseguido pelos chineses, segue em negociação para a declaração conjunta que Lula e Xi Jinping após a visita do presidente ao país. O plano era fazer um comunicado formal e conjunto na próxima terça-feira (28), mas, devido a problemas de saúde do presidente brasileiro, a agenda foi alterada.
Olhos da China voltados para a América Latina
A pressão chinesa pelo ingresso do Brasil, maior economia da América Latina, é recorrente. Outros 20 da região já fazem parte e recebem investimentos chineses em infraestrutura, para conectar as rotas marítimas e terrestres.
Desde 2009, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, com comércio no ano passado de U$S 150 bilhões. Além de diversificar a pauta de produtos, atualmente ancorada nas commodities, o governo quer atrair mais investimentos chineses em setores estratégicos.
O acumulado de investimentos é de cerca de U$ 70 bilhões. Na balança comercial, o saldo é favorável ao Brasil, com US$ 61,8 bilhões.
Nova rota da seda: prós e contras
Integrantes do governo deram declarações conflitantes. Questionado sobre a possível adesão, o embaixador Eduardo Saboia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, indicou desinteresse do Brasil em aderir à iniciativa chinesa neste momento.
"Com relação ao Belt and Road (Cinturão e Rota), eu entendo que o Brasil já tem um arcabouço muito sólido que é a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível (Cosban). Essa parceria, essa estrutura toda, tem permitido alcançar objetivos que são infraestrutura, desenvolvimento de comércio e investimentos. Estão em sintonia com os objetivos da iniciativa Cinturão e Rota. Ela não necessariamente tem um valor agregado nesse momento", afirmou, ao detalhar os objetivos da visita presidencial a Pequim.
Já o ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial de Lula, afirmou que não haveria problemas na subscrição do governo brasileiro. Principal influenciador de Lula nas relações internacionais, Amorim disse ao jornal Valor Econômico que "não vê razão" para o Brasil deixar de ingressar na nova roda da seda, nem "dano político" com os norte-americanos.
A declaração é vista por embaixadores mais como um movimento político do ex-chanceler. Os resultados práticos a favor do Brasil e as consequências na relação com Washington, na avaliação de diplomatas especializados em China, são incertos. Para um ex-embaixador brasileiro em Pequim, trata-se de um "gesto político" a favor da China.
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