Vale (VALE3) perde mais de 25% do valor de mercado no ano e deixa a lista das maiores pagadoras de dividendos; o que esperar das ações da gigante?
Cotação do minério de ferro e venda da área de metais básicos da Vale (VALE3) são os dois principais catalisadores para o desempenho dos papéis da mineradora — e, por consequência, garantir mais dividendos

Se você sempre gostou de ter uma fatia de Vale (VALE3) na carteira de olho nos dividendos gordos do papel, um levantamento da gestora britânica Janus Henderson pode te deixar meio frustrado. Segundo o documento, a mineradora cortou US$ 1,8 bilhão em distribuição de proventos no primeiro trimestre de 2023, a maior redução de toda a lista.
E não são apenas os “caçadores de dividendos” que estão frustrados com o desempenho da Vale. No ano, as ações da mineradora acumulam uma queda de mais de 25% na B3 — nada desprezível para uma empresa avaliada em quase R$ 300 bilhões.
Como os papéis têm o maior peso do Ibovespa, a queda acaba atrapalhando o desempenho do principal índice da bolsa brasileira.
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Mas tudo isso é passado. Se você acessou esta matéria em busca do que deve acontecer com as ações da Vale e a perspectiva para os dividendos, eu tenho boas e más notícias.
Vou começar pelas ruins, já que a principal explicação para a queda das ações — a demanda menor por minério de ferro — não deve ser resolvida no curto prazo.
O frisson com a retomada da China, o principal cliente da Vale, não se confirmou, ao contrário do que muitos analistas previam. Ainda no início do ano, havia um grande sentimento de "agora vai", sendo a reabertura chinesa apontada como tudo o que faltava para a ação enfim deslanchar e a mágica acontecer.
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Mas, enquanto o gigante asiático não traz uma demanda mais forte, o investidor fica com menos dinheiro pingando na conta a partir dos dividendos? Infelizmente esse é o cenário mais provável hoje, já que as projeções para um aumento da procura por minério de ferro não são as melhores, derrubando o preço da matéria-prima.
Logo, é esperado também que a Vale sinta esse impacto nos próximos balanços trimestrais e na distribuição de dividendos aos acionistas.

Minério vai mal e impacta dividendos
Um exemplo: em meados de 2022, a commodity chegou a custar US$ 150 por tonelada, um preço muito alto. Mas, na semana passada, a cotação estava abaixo de US$ 95.
Diante desses números, os dados operacionais da mineradora são atingidos em cheio, algo que pode ser observado na linha do Ebitda — indicador que o mercado usa como uma medida de capacidade de geração de caixa.
No caso da Vale, o Ebitda é composto basicamente pela comercialização do minério de ferro, o que torna inevitável secar a fonte dos dividendos conforme o indicador cai. Hoje, a Vale distribui no mínimo 30% da diferença entre esse Ebitda e os investimentos feitos.
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Considerando que a Vale não tem grandes projetos que exigem dinheiro em execução, a previsão é de que a queda de proventos venha mesmo de um Ebitda menor, reflexo da demanda também em baixa e, por consequência, desvalorização do minério de ferro.
Outra forma de pagar dividendos
É importante ponderar que, atualmente, a Vale está com um grande programa de recompra de ações em execução, o terceiro promovido pela empresa e com previsão de término somente para outubro.
Segundo os cálculos do vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Gustavo Pimenta, aproximadamente 20% das ações da mineradora que estão em circulação terão sido recompradas até lá.
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Esse instrumento que também traz retorno aos acionistas por um caminho que não seja dos dividendos. A lógica é: diante dos preços baixos do papel, a própria empresa aproveita a oportunidade para recomprar suas ações e tirá-las de circulação.
A companhia pode posteriormente cancelar esses papéis, o que aumenta o pagamento de dividendos por ação.
Em relatório, o Credit Suisse aponta que, considerando a atual política de dividendos e também o programa de recompra de ações, a Vale tem um nível de proventos bem atraente de 8% para este ano.
Além disso, é importante observar que a Vale possui um nível confortável de alavancagem — um dos destaques do balanço do 1T23. A dívida líquida da mineradora era equivalente a metade do Ebitda no fim de março. Logo, qualquer folga no caixa pode virar dividendos no bolso do investidor no futuro.
O que dizem os executivos da Vale (VALE3)
Há cerca de três meses, durante teleconferência com analistas para comentar os resultados referentes ao quarto trimestre de 2022, o CEO da Vale, Eduardo Bartolomeu, afirmou que a demanda viria em breve, mas que na época não estava bem precificada.
No mesmo evento, ele também comentou que as ações das mineradoras em geral negociavam a múltiplos "ridiculamente baixos", expondo que não somente as ações da empresa que comanda estão subvalorizadas. Além das questões envolvendo o minério, também é preciso considerar a corrida por fontes alternativas e mais sustentáveis de energia.
Em relatório recente, o Bank of America (BofA) recomenda que neste momento, investidores devem focar na qualidade do minério de ferro, já que a demanda não atingiu o pico.
Na visão dos analistas, que promoveram uma conferência para discutir o setor de aço e mineração, o minério ainda tem potencial conforme sua qualidade melhor. A transição energética, especialmente na Índia, além dos processos de descarbonização, tendem a aumentar a demanda por produtos superiores como os da Vale.
Eles pedem atenção ao ponto de equilíbrio do mercado, já que as principais companhias devem aumentar a produção nos próximos anos enquanto a demanda não demonstra o mesmo ritmo.
A tão falada área de metais básicos
Outra promessa muito aguardada pelo mercado quando o assunto é Vale é a venda ou IPO da área de metais básicos da mineradora — razão pela qual, inclusive, muitos investidores se recusam a deixar o papel de lado.
A venda dessa divisão é apontada como essencial para destravar valor da companhia e, aparentemente, o mercado só voltará a apostar com força na Vale mediante essa negociação.
A necessidade de separar os negócios de minério de ferro e de metais básicos surgiu a partir das projeções de que a demanda por cobre e níquel aumentarão consideravelmente nos próximos anos.
Nas contas do mercado, a divisão pode ser avaliada em até US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões). A montadora GM e até mesmo a Tesla de Elon Musk estariam entre as potenciais interessadas no negócio da Vale.
As recomendações para a Vale (VALE3)
Dito tudo isso, é hora de comprar as ações da Vale (VALE3) ou o momento ainda não favorece a mineradora?
De acordo com dados compilados pela plataforma TradeMap, das 14 recomendações para os papéis, 11 são de compra e três são de manutenção, demonstrando que a Vale segue como uma ação bem avaliada pelo mercado.
Em relatório recente, o BTG Pactual apontou que a mineradora ainda é o nome favorito para exposição à reabertura chinesa. Os analistas destacaram a estratégia de alocação de capital, a entrada da Cosan no conselho, o momento operacional e a venda da área de metais básicos.
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