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A Gol (GOLL4) enxerga um ambiente mais amigável neste ano, com espaço para crescimento nas margens operacional e Ebitda
A Gol (GOLL4) quer permissão para decolar em 2023 — mas o céu segue carregado para o setor aéreo brasileiro. A companhia divulgou há pouco algumas projeções operacionais e financeiras para o ano e mostra otimismo quanto a uma recuperação na oferta e na demanda por voos; esse ambiente mais favorável, no entanto, não implica numa retomada firme do lucro.
Chama a atenção a estimativa de crescimento da receita líquida: a Gol trabalha com uma cifra da ordem de R$ 20 bilhões em 2023, o que implica num crescimento de 32% em relação ao ano passado. A oferta de voos deve aumentar até 25% na mesma base de comparação, uma expansão que tende a ser acompanhada pela demanda — a taxa de ocupação das aeronaves tende a permanecer estável, em 80%.
Ou seja: a malha aérea da Gol vai crescer, mais passagens serão vendidas e mais carga será transportada, elevando o faturamento da companhia. No entanto, a última linha do balanço continuará modesta: o lucro por ação projetado para o ano é de cerca de R$ 0,30 — ou pouco mais de R$ 130 milhões.
É verdade que esse número representa uma evolução em relação a 2022, que deve terminar com um prejuízo por ação de R$ 4,60, algo em torno de R$ 2 bilhões no negativo. Ainda assim, o lucro modesto projetado para este ano mostra que o ambiente segue difícil, com pressões diversas nas linhas de custo.
Ainda assim, por mais que as nuvens pesadas ainda não tenham se dissipado, já é possível ver alguns raios de sol: a Gol prevê margens mais saudáveis em 2023, o que tende a trazer as métricas de alavancagem para níveis mais controlados.
No lado das operações, a Gol (GOLL4) quer trabalhar com uma frota média de 118 a 122 aeronaves ao longo deste ano, adicionando até 20 novos aviões à malha na comparação com 2022. E, com mais voos, é natural que haja mais custos: consumo de combustível, tripulação, manutenção, taxas aeroportuárias — há vários itens a serem considerados.
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O querosene de aviação (QAV) é um dos principais componentes da linha de custos de uma empresa aérea, e sua precificação é dependente de fatores externos às companhias: em linhas gerais, depende da cotação do dólar e do preço do petróleo, duas variáveis que têm mostrado tendência de alta nos últimos meses.
Sendo assim, há algo a ser feito pela Gol para mitigar esse efeito? A resposta é sim: a companhia está modernizando sua frota — aviões mais novos consomem menos combustível que os mais antigos. A projeção é de que 53 aeronaves Boeing MAX façam parte de suas operações até o fim do ano, ajudando a reduzir a pressão nos custos.
A Gol até revelou algumas de suas estimativas para as linhas de custos. O preço médio de combustível de aviação para o ano é de R$ 5,30 por litro, abaixo dos R$ 5,80/litro praticados em 2022. E, mesmo desconsiderando o efeito do QAV, os custos por assento devem ficar ligeiramente menores, fruto da modernização da frota.
Com custos não tão intensos, a empresa vê uma evolução em algumas métricas financeiras: a margem Ebitda, por exemplo, deve saltar de 18% em 2022 para 24% neste ano; no caso da margem operacional, o avanço previsto é de 7% para 14%.
Em termos de endividamento — um dos grandes fantasmas do setor aéreo como um todo, considerando que boa parte dos compromissos financeiros é firmada em dólares —, a tendência é de estabilidade. A dívida financeira da gol deve ficar em US$ 2,4 bilhões ao fim de 2023, pouco acima dos US$ 2,3 bilhões no ano passado.
Já a alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda nos últimos 12 meses, deve cair de 10 vezes no término de 2022 para cerca de seis vezes ao fim de 2023 — graças à evolução projetada do Ebitda ao longo deste ano, como demonstrado pela melhoria das margens.
"Em 2023, a Gol espera gerar aproximadamente R$4,5 bilhões de fluxo de caixa operacional e um fluxo de caixa livre neutro após o investimento líquido e o serviço de dívida", diz a companhia, acrescentando que a posição de liquidez e o caixa disponível devem ficar estáveis.
Por mais que as previsões para 2023 sejam mais animadoras, o quarto trimestre de 2022 da Gol (GOLL4) deve ser difícil, com um prejuízo por ação de R$ 2,30 e um preço médio do combustível de R$ 6,05 por litro, alta de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior — o câmbio médio deve ficar em R$ 5,26.
Com isso, a margem Ebitda da Gol no trimestre tende a girar em torno de 20%, enquanto a margem operacional deve ficar perto de 11%. O conjunto de números ficou abaixo do consenso do mercado, segundo o Itaú BBA, especialmente em relação ao Ebitda e à deterioração na alavancagem, que deve fechar o ano em cerca de 10 vezes.
O banco, no entanto, também vê alguns dados positivos, como a alta implícita de 6% nas passagens em relação ao terceiro trimestre — o que mostra que o setor tem conseguido "ser racional na precificação". Além disso, o Itaú BBA também destaca o corte de PIS/Cofins para zero pelo governo Bolsonaro, o que pode ajudar a linha de Ebitda.
"Dado o ambiente ainda desafiador, permanecemos cautelosos com a ação da Gol e mantemos nossa recomendação neutra para GOLL4", destaca o Itaú BBA, que atribui preço-alvo de R$ 22,00 para os papéis da companhia.
Considerando tudo e a queda de mais de 3% do petróleo nos mercados internacionais nesta quarta-feira (4), as ações da Gol (GOLL4) operam em alta de 1% nesta manhã, cotadas a R$ 6,70 — o desempenho fica em linha com o do Ibovespa, que avança 0,75% no momento.
Em um ano, no entanto, os papéis ainda amagam baixa de 59%.

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