Estancando a sangria: Marisa (AMAR3) fecha 88 lojas e renegocia dívidas ; ação sobe 7%
A Marisa (AMAR3) fechou o primeiro trimestre do ano com prejuízo líquido de R$ 149 milhões e dívida líquida de R$ 461 milhões

Uma das varejistas mais impactadas pelo ambiente econômico desfavorável e o menor ritmo de consumo visto nos últimos anos, a Marisa (AMAR3) tenta colocar ordem na casa e estancar a sangria, de modo a evitar um agravamento ainda maior de seu quadro financeiro — e uma eventual recuperação judicial.
A tradicional rede de moda já tinha revelado alguns planos para ganhar eficiência operacional, e a primeira parte desse processo foi concluída: a empresa fechou 88 lojas ao longo do segundo trimestre deste ano, reduzindo o total de unidades no país para 246.
As lojas encerradas eram consumidoras de caixa, segundo a companhia; originalmente, o plano previa o fim de 92 unidades, mas alguns dos pontos identificados como problemáticos passaram por melhorias no lado da eficiência operacional e, com isso, foram preservados.
A Marisa fechou o primeiro trimestre de 2023 com prejuízo líquido de R$ 149 milhões, um aumento de 64% em relação às perdas de R$ 90,7 milhões vistas no mesmo período do ano anterior; o Ebitda recorrente ficou negativo em R$ 50,6 milhões.
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Marisa (AMAR3): outras iniciativas para virar o jogo
Ainda em relação ao fechamento das lojas deficitárias, a Marisa (AMAR3) diz ter desembolsado R$ 44,5 milhões no encerramento dessas unidades, uma cifra 16% menor que a prevista inicialmente. Com as 246 operações restantes, a companhia continua presente em todos os estados do país.
"O foco estará em maximizar a produtividade e resultado operacional, com suporte do braço digital e inovações no modelo operacional", diz a Marisa, em fato relevante enviado à CVM nesta manhã.
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Com a redução no total de lojas e os gastos menores que o previsto no processo, a varejista de moda diz projetar um ganho de Ebitda da ordem de R$ 40 milhões ainda em 2023; a partir de 2024, o impacto positivo na linha será de aproximadamente R$ 60 milhões ao ano.
No lado da redução de despesas, a rede diz ter finalizado a primeira parte do processo de corte de gastos com vendas, gerais e administrativas (SG&A) — a revisão da estrutura organizacional e os ajustes no modelo operacional vão viabilizar uma geração extra de caixa de cerca de R$ 35 milhões ao ano.
Vale lembrar que, nos três primeiros meses deste ano, a Marisa reportou uma queima de caixa de R$ 40,7 milhões — a cifra, embora negativa, já representava um avanço em relação aos R$ 140 milhões consumidos no primeiro trimestre de 2022.
"Ao longo do segundo semestre serão otimizados os serviços de terceiros e outras despesas, o que deverá gerar uma economia adicional de pelo menos R$ 10 milhões por ano", diz a empresa.
O nó do endividamento
Um dos grandes pontos de estresse em relação à Marisa (AMAR3) é a questão do endividamento: a companhia fechou o mês de março com R$ 737,2 milhões de dívida bruta e R$ 275,6 milhões de disponibilidades financeiras, resultando numa dívida líquida de R$ 461,6 milhões.
Embora o endividamento líquido não salte aos olhos, ao menos em números absolutos, a dinâmica dessa linha traz preocupações aos investidores — a empresa, afinal, vem queimando caixa e o seu Ebitda está negativo, o que pressiona a alavancagem financeira.
Mas, ao menos do lado do perfil da dívida, a Marisa sinaliza que as coisas estão progredindo. A varejista diz ter renegociado as dívidas com fornecedores — o processo, segundo a companhia, atingiu "90% do total de fornecedores e 97% do total da dívida com os parceiros de revenda".
Quanto à renegociação de aluguéis, a empresa afirma que 80% dos acordos com os proprietários dos imóveis das lojas foram revistos — a Marisa, no entanto, não revelou as cifras das revisões contratuais.
Marisa (AMAR3): desconfiança na bolsa
Dito tudo isso, as dúvidas que têm pairado sobre a Marisa nos últimos meses afetam diretamente o desempenho das ações AMAR3 na bolsa: em um ano, os papéis amargam perdas de 60%, embora nesta segunda (17) estejam em alta de 7,60%, a R$ 0,85 — portanto, ainda na casa das"penny stocks".
Em agosto do ano passado, as ações da Marisa chegaram a valer mais de R$ 3,00; nas máximas históricas, em 2013, ultrapassaram a faixa dos R$ 27,00.

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