Caixa Seguridade salta 30% na bolsa no primeiro semestre e fica acima do preço do IPO; o que impulsiona as ações CXSE3?
O mercado vê a companhia como beneficiária direta do maior apetite de crédito da Caixa, dado que alguns de seus principais produtos, estão associadas a empréstimos originados pelo banco público

As ações da Caixa Seguridade (CXSE3), holding de seguros, previdência e capitalização da Caixa Econômica Federal (CEF), fecharam o primeiro semestre deste ano com alta de 29,8% na B3. Desde meados de maio, os papéis da companhia têm negociado acima do preço definido na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), em abril de 2021, de R$ 9,67 por papel.
O mercado vê a companhia como beneficiária direta do maior apetite de crédito da Caixa, dado que alguns de seus principais produtos, como os seguros prestamista e habitacional, têm as vendas associadas a empréstimos originados pelo banco público. Adicionalmente, analistas têm destacado que as empresas da holding ainda têm espaço para crescer dentro da Caixa.
Nesta semana, em relatório enviado a clientes, o Morgan Stanley afirmou que os ventos são favoráveis para os seguros habitacional e residencial. "Juros mais baixos no segundo semestre de 2023 e em 2024 sustentam uma aceleração na originação de crédito imobiliário, que alavanca diretamente a emissão de prêmios no seguro habitacional devido à obrigatoriedade do seguro", disse o analista Jorge Echevarria.
Outro ganho deve vir, segundo ele, dos seguros de vida, que tendem a se beneficiar da resiliência dos índices de emprego, o que mantém a renda da população e a propensão a comprar seguros. O seguro prestamista, que garante o pagamento de empréstimos em determinados eventos, como morte, também deve trazer bons números.
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Caixa Seguridade diz que há espaço para crescer
Na semana passada, o Safra afirmou que, durante reunião com investidores organizada pelo banco, a diretoria da holding deixou claro que há espaço para crescer: hoje, apenas 2% dos clientes da Caixa têm produtos das empresas do grupo. "Com um objetivo de longo prazo de chegar a 10% de penetração, há um amplo espaço para crescimento e expansão", disse o analista Silvio Dória.
A Caixa Seguridade foi assumida neste ano por Felipe Mattos, funcionário de carreira da Caixa desde 2007, e que teve uma passagem pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) como cedido.
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No ano passado, o lucro da companhia subiu 50%, o que analistas atribuem a uma boa execução da estratégia. Para este ano, o apetite da Caixa é visto como uma alavanca importante. "A controladora Caixa Econômica Federal tem um 'tanque cheio' em termos de capital e recursos para aumentar a concessão de crédito", afirmou o analista Pedro Leduc em relatório de maio em que retomou a cobertura da ação, com recomendação de compra.
A holding é avaliada em R$ 30,8 bilhões na Bolsa, metade do valor de mercado da BB Seguridade, que é o negócio mais comparável entre os players listados do setor de seguros. Embora a ação esteja em alta no ano, analistas consideram que a liquidez ainda é um obstáculo.
Cerca de 17% do capital da Caixa Seguridade está em circulação na Bolsa, abaixo dos 25% tradicionais no Novo Mercado, o que impede determinados fundos e operadores de negociar o papel. Quando o capital da empresa foi aberto, cogitava-se uma oferta subsequente (follow-on) para aumentar a liquidez, mas o plano foi congelado com a piora das condições de mercado.
No relatório da semana passada, o Safra disse que esse ponto segue em discussão. "A decisão final sobre quaisquer medidas para aumentar a liquidez está nas mãos da Caixa, a controladora, considerando as implicações estratégicas e os interesses de todas as partes envolvidas", escreveu Dória.
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