Um bancão em apuros: entenda por que um gigante banco de Wall Street transformou-se na mais nova preocupação do mercado
A ação caiu mais de 14% nos últimos meses e recua 8,5% nos seis anteriores, mais do que a queda vista nos papéis dos seus seus demais concorrentes

Ouvir as palavras “problema” e “banco” na mesma frase joga o investidor de volta à crise do que atingiu o setor no começo do ano. Mas não são os chamados “bancos médios” dos Estados Unidos que estão em foco — e sim o Morgan Stanley, um dos grandes bancões do mercado.
A instituição, que conta com mais de US$ 1,362 trilhão em ativos sob gestão, apareceu no radar dos analistas. Muitos poderiam pensar em outros nomes, como é o caso do Goldman Sachs — que também não está indo lá muito bem desde o começo do ano.
Mas é o Morgan Stanley a bola da vez dos problemas: a ação caiu mais de 14% nos últimos meses e recua 10% nos seis anteriores. Para efeitos de comparação, no mesmo intervalo de tempo, os papéis do Goldman Sachs e do JP Morgan avançam 0,92% e 7,29%, respectivamente.
Morgan Stanley: a queda de um banco gigante?
Os sinais começaram no ano passado, quando a instituição financeira anunciou a demissão de 2% da equipe global, o que representa 1.600 de um total de 81.567 funcionários.
A crise dos bancos médios no começo do ano, com a falência do Silicon Valley Bank (SVB), também penalizou o setor bancário como um todo. À época, as ações caíam em bloco conforme as notícias de novas instituições enfrentando falências e problemas de liquidez.
Mas foi no balanço do terceiro trimestre que o banco mostrou uma queda de 9% no lucro em relação ao ano passado. Na visão dos analistas, o Morgan Stanley ainda não conseguiu se recuperar dos baques recentes nos negócios.
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Além disso, o declínio de 27% das receitas de investimentos bancários colocou o Morgan Stanley na lanterna entre os grandes bancos nesse quesito.
Problemas regulatórios
Vale lembrar também que o Morgan Stanley e o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) estão em uma queda de braço regulatória.
Só isso já seria bastante ruim, mas existe a chance de ser aplicada uma multa pelo Departamento de Justiça e pela SEC, a CVM norte-americana, que pode variar entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão.
Isso porque o Federal Reserve pede que a instituição mostre os mecanismos de controle de lavagem de dinheiro dos seus clientes. Do outro lado, o Morgan Stanley afirma que eventuais “vulnerabilidades” operacionais já foram corrigidas.
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Mudança de gerência do Morgan Stanley
Uma semana após a publicação do fraco balanço, o Morgan Stanley anunciou uma outra mudança preocupante para os investidores: o atual CEO, James Gorman, será substituído por Ted Pick, da diretoria da instituição, a partir de 2024.
Parte do sucesso do banco é atribuída à chegada de Gorman. Ele esteve presente durante a crise bancária de 2008 e assumiu a presidência do Morgan Stanley em 2010.
Desde então, a ação deu um salto de aproximadamente 150%, tendo um desempenho acima dos papéis do JP Morgan, por exemplo.
Banco está no caminho certo — ou quase
A estratégia de Gorman foi intensificar o segmento de grandes fortunas, absorvendo eventuais choques de volatilidade no setor de trading e de outros investimentos.
O cenário, contudo, mudou. A renda fixa passou a ser um investimento mais interessante, com o Fed mantendo os juros mais altos por mais tempo. Mas analistas acreditam que o novo CEO deve conseguir fazer a mudança com tranquilidade.
Outra perspectiva que pode evitar problemas maiores para o Morgan Stanley é o mercado de fusões e aquisições. No entanto, a melhora desse segmento só deve acontecer após o Fed reduzir os juros — e poucos se arriscam a estipular uma data para quando isso irá acontecer.
*Com informações do Yahoo Finance
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