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Enquanto a JAC tenta recuperar sua história, Seres aposta no DNA do Vale do Silício e em prestígio internacional para os carros chineses
Hoje o Seu Dinheiro encerra a série de reportagens "A invasão dos carros chineses".
Nela, você já conheceu a história da Caoa Cherry, da GWM e da BYD.
E enquanto os planos da Chery, da GWM e da BYD aceleram, outras duas chinesas buscam seu espaço no mercado brasileiro, mas em momentos diferentes. Falo da Seres e da JAC Motors.
A Seres Motors inicia a venda de carros eletrificados no Brasil. Com investimentos de dois grandes grupos empresariais chineses, Dongfeng e Sokon (DFSK), e sediada nos EUA, a marca surgida em 2017 no Vale do Silício (Califórnia, EUA) projeta e produz veículos elétricos.
A Huawei contribui com o desenvolvimento de tecnologias de informação e software para veículos elétricos da Seres.
O primeiro produto desenvolvido sob essa parceria foi o Seres 5, além de outros veículos destinados ao mercado chinês. Lá, os Seres com tecnologia Huawei são vendidos nas Huawei Stores.
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Aqui, a marca foi estruturada por um grupo de profissionais que já atuam no setor automotivo brasileiro (fabricantes e importadores) para vender modelos elétricos das marcas Seres (passageiros) e DFSK (comerciais leves).
Sua operação prevê custos ainda mais enxutos: as vendas serão feitas por representantes comerciais, sem estoque, de forma digital, bem ao estilo Tesla.
A empresa tem escritórios em São Paulo e Brasília, e sua plataforma digital cresce aos poucos, mirando os mercados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Minas Gerais e Bahia. O primeiro espaço físico, em São Paulo, será aberto em breve.
No primeiro lote de veículos a desembarcar por aqui, no início de março, vieram 20 unidades dos comerciais EC31 e EC35 EV. Em abril, chegam as primeiras unidades do Seres 3 BEV e até junho o Seres 5 EVR.
O Seres 3 é um SUV compacto 100% elétrico que vai custar R$ 240 mil, motor de 163 cv e autonomia de 206 km (Inmetro). Vai brigar com Peugeot e-2008 (R$ 260 mil) e JAC E-JS4 (R$ 243 mil).
Já o SUV médio Seres 5 EVR possui motores em versões de 347 ou 550 cv, com opção de tração 4x2 ou 4x4. A autonomia é baixa para um elétrico, de 180 km. Mas o SUV consegue rodar mais 1 mil km quando a bateria chega aos 30%: um motor a gasolina entra em ação para funcionar como extensor. Preço a partir de R$ 440 mil.

Em seu site, a marca ainda divulga a chegada do Seres 7, sem detalhes. Será um SUV maior, topo de linha e mais potente.
A nova marca chinesa também aposta no segmento de comerciais elétricos, com o qual espera comercializar em maior volume por meio de contratos com locadoras e frotistas, principalmente para empresas de entrega last mile.
O DFSK EC31 (caminhãozinho em opções baú, plataforma e caçamba metálica), por R$ 239 mil, tem 4,7 m de comprimento, capacidade de carga de 1.165 a 1.280 kg, conforme a configuração, e 6,8 m³ de volume (baú). A marca divulga autonomia de 215 km (ciclo WLTP), mas pelo Inmetro ela deve chegar em torno de 150 km.
Já o EC35 (furgão) tem compartimento com 4,8 m³ de volume e capacidade para até 950 kg de carga. A ideia é compará-los a concorrentes movidos a diesel, que têm custo quatro vezes maior por km rodado, segundo a marca. Custa R$ 229 mil.
A manutenção dos veículos Seres Brasil está sendo negociada com redes de pós-vendas e também terá oficinas próprias.
A JAC Motors, junto com a Chery, é a mais antiga das chinesas por aqui, desde 2011 nas mãos do empresário Sergio Habib, que mudou de estratégia algumas vezes.
Habib estreou a JAC como uma marca de veículos compactos e médios premium, a preços muito competitivos.
Com investimentos altos, abriu em 2011 mais de 50 concessionárias próprias e investiu massivamente em marketing, tendo como garoto-propaganda o apresentador Fausto Silva, então líder de audiência nas tardes de domingo na TV.
Mas Habib foi atropelado por uma mudança de tributação sobre importados em 2012. Ele mesmo admitiu que a JAC “incomodou o mercado”.
Houve até uma tentativa de construir uma fábrica na região de Camaçari (BA), com pedra fundamental e protocolos, a mesma região onde a BYD deve construir a sua, mas Habib desistiu.
O grupo entrou em recuperação judicial e, ainda assim, Habib arriscou: lançou em 2019 um portfólio de eletrificados, quando nem as grandes marcas apostavam nisso.
Além de veículos de passeio, ousava ao ser pioneiro na eletrificação de veículos comerciais, que hoje são responsáveis por 50% de seu faturamento.
Com apenas 10 concessionárias, hoje a JAC faz sucesso com o subcompacto E-JS1, um dos elétricos mais acessíveis e vendidos do país, que custa R$ 145.900, e 161 km de autonomia.
No portfólio de veículos de passeio, a JAC ainda oferece o compacto E-JS1 Ext (R$ 164.900) que também tem alcance de 161 km (Inmetro), o SUV E-JS4 (R$ 242.900) com 256 km de autonomia, E-J7, por R$ 252.900, um sedã médio que roda até 249 km, e uma picape média, a iEV-330P, que tem alcance de 226 km e custa R$ 369.900.

Das cinco chinesas, três delas (Caoa Chery, GWM e BYD, todas com fábrica no Brasil) podem não sofrer com uma iminente cobrança de imposto de importação sobre elétricos que a Anfavea defende.
Enquanto a Seres aposta em seu DNA do Vale do Silício, prestígio internacional e um portfólio de leves e comerciais, a JAC tenta sobreviver com aumento da oferta de utilitários, segmento que alguns especialistas sugerem ser mais promissor e rentável na eletrificação do que os modelos de passeio.
Será que desta vez os chineses chegaram para ficar? Tudo indica que sim.
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