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Há momentos, contextos e espaços que nos possibilitam ter mais ou menos autenticidade, e isso se aplica à carreira e ao mercado de trabalho
Participei recentemente do podcast Papo Vai, do meu querido amigo Thiago Balieiro, em que falamos sobre autenticidade e fiquei inspirado a escrever sobre o tema também. Cá estou.
Quando recebi o convite para colaborar nesse episódio, o Balieiro foi enfático em dizer que meu nome havia sido o primeiro a vir à sua mente. Fiquei feliz e honrado.
Gosto de ser classificado como alguém autêntico. Mas, ao mesmo tempo, senti um pouco de farsa em mim mesmo.
Como posso ser considerado autêntico, se às vezes sinto que me adapto a algumas realidades, me afastando de mim mesmo? Essa foi a minha reflexão imediata.
Dissecando um pouco mais o pensamento, cheguei à conclusão de que há uma gradação nisso. Há momentos, contextos e espaços que nos possibilitam ter mais ou menos autenticidade. Ou seja, isso está mais ligado a uma ideia de "estar autêntico" do que "ser autêntico".
Para mim, autenticidade tem a ver com a ideia de abraçar o que está dentro de nós e revelar isso para fora. Quanto menor o delta disso, mais autêntica é a pessoa. Ao invés de se adaptar e inclinar-se aos padrões sociais e imperativos da vida, em seus vários formatos, o autêntico é verdadeiro, genuíno e fiel a si mesmo.
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Uma das provocações no podcast foi sobre quebrar a ideia de que autenticidade é igual a ser exótico, louco, peculiar.
Se partimos da premissa de que autêntico é ser fiel a si mesmo, uma pessoa com perfil mais discreto, o famoso low profile, poderia, por exemplo, ser considerado autêntico também.
Se ela tem uma alma discreta e manifesta discrição para fora, temos um delta igual a zero. Portanto, autêntica à sua maneira.
Aqui tocamos em outro ponto: quem valida o que é uma pessoa autêntica? Usando da definição já citada, apenas o próprio indivíduo seria capaz de definir isso para ele.
Mas parece haver um transbordo dessa essência interna, que as pessoas capturam de alguma forma. Uma expressão sincera e íntegra é perceptível aos nossos olhos e sentidos. E daí viria o ímpeto de qualificar alguém como autêntico.
Contextualização feita, volto à pergunta central deste texto: existe um ônus em ser autêntico no ambiente de trabalho?
Como um bom representante das humanidades, a resposta é depende.
Depende das nossas metas de carreira e o quanto estamos dispostos a flexibilizar o delta do que está dentro de nós menos o que é expressado e revelado aos outros.
Independentemente de qual seja a sua ambição no trabalho, o mais importante no caminho rumo à autenticidade é o processo exploratório de si mesmo. E este é o eixo que nunca deveríamos abandonar em nossas carreiras.
Porque não é somente catalisador da autenticidade, é quem nos prepara para as adversidades e mudanças de rota que precisaremos fazer, seja no trabalho ou em qualquer outra dimensão da vida.
Hoje, por exemplo, consigo perceber que o meu processo de autoconhecimento me ajudou a enxergar mais coisas internas e a ter compaixão por elas. Quanto mais as abraço e exteriorizo, mais autêntico me sinto.
E isso me faz confrontar continuamente o contexto externo do trabalho: posso ser aqui a versão mais fiel de mim mesmo? Ou estou pagando um custo alto nesse contexto, abdicando da minha autenticidade?
Tendo trabalhado em seis empresas diferentes, minha sensação é que caminhei na gradação da autenticidade – sugerida aqui por mim. Em alguns momentos mais, em outros, menos autêntico.
Um dos fatores que explica essa mudança tem a ver com as diferenças nas culturas corporativas. Valores diferentes em cada uma delas, cuja combinação com a minha essência resultou em distintas versões minhas. Ainda que fossem diferenças marginais, há uma certa adaptabilidade da nossa alma aos diferentes contextos.
Em outras palavras, podemos afirmar que a autenticidade tem um preço na carreira, mas cabe a cada um determinar seu valor.
Embora tenhamos que lidar com as demandas e expectativas do ambiente de trabalho, geralmente é necessário encontrar um equilíbrio entre ser fiel a nós mesmos e adaptar-se às diferentes culturas corporativas.
O preço da autenticidade pode variar, mas investir em nossa verdadeira essência é um caminho que vale a pena trilhar em busca de realização.
Até a próxima,
Thiago Veras
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