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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

POBRE MENINO RICO

Elon Musk vê fortuna desabar US$ 7 bilhões em apenas um dia. Saiba o que fez o CEO da Tesla perder tanto dinheiro assim

A fabricante de veículos elétricos anunciou nesta segunda-feira que vai cortar o preço inicial de seus carros mais populares, o Model 3 e o Model Y, em até 9% na China

Camille Lima
Camille Lima
24 de outubro de 2022
13:00 - atualizado às 13:03
elon musk perdeu fortuna
Imagem: Shutterstock

Ainda não é nem meio-dia nos Estados Unidos, mas Elon Musk já acordou com a notícia de que perdeu quase US$ 7 bilhões logo cedo. Tudo graças à derrocada das ações da Tesla na bolsa de valores norte-americana Nasdaq.

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Isso porque grande parte da fortuna do bilionário está concentrada em participações da Tesla e ativos de baixa liquidez. Então, quando os papéis caem na bolsa, o patrimônio do executivo é impactado quase imediatamente.

Por volta das 12h55h (horário de Brasília), as ações da Tesla caíam 4,68%, negociadas a US$ 204,41. No pior momento da manhã, os papéis chegaram a recuar mais de 7%. Mas o que motivou tamanha queda da fabricante de veículos elétricos, apesar de a companhia ter entregue um lucro quase recorde no terceiro trimestre?

A questão é que, há algum tempo, o mercado teme que a Tesla lidará com demanda enfraquecida no caso de uma recessão global — e os novos anúncios da companhia só vieram a confirmar tal receio. Eu explico.

A Tesla e a fraca demanda

A Tesla anunciou nesta segunda-feira que vai cortar o preço inicial de seus carros mais populares, o Model 3 e o Model Y, em até 9% na China. 

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O preço inicial do sedã Model 3 foi reduzido para 265.900 renminbis, equivalente a aproximadamente US$ 36,6 mil, uma redução de aproximadamente US$ 2 mil.

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Enquanto isso, o modelo esportivo Model Y caiu para 288.900 renminbis, correspondente a cerca de US$ 39,8 mil — isto é, uma queda de US$ 3,8 mil.

Vale destacar que o preço médio de um Tesla nos Estados Unidos, atualmente o maior mercado da montadora, era de aproximadamente US$ 70 mil em agosto, segundo dados da Kelley Blue Book.

Elon Musk e a recessão

Esta é a primeira vez que a fabricante de veículos elétricos reduz os preços no mercado chinês neste ano, e acontece logo depois de Elon Musk projetar uma recessão global até 2024.

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A fabricante de veículos elétricos disse à Reuters que os ajustes de preço na China estavam alinhados aos custos. 

Depois de enfrentar dificuldades com a sua megaloja na China, a Gigafactory de Xangai, a situação pareceu melhorar, enquanto a cadeia de suprimentos permanece estável, o que diminui os custos, segundo a Tesla.

Isso porque a Tesla renovou a fábrica de Xangai no início deste ano, elevando a capacidade de produção semanal da unidade para cerca de 22 mil.

Além da preocupação com a economia mundial, em reunião com investidores na quarta-feira (19), o CEO da Tesla afirmou que a China “está próxima da explosão de uma espécie de recessão”.

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No anúncio, o bilionário ainda destacou que a montadora não seria capaz de cumprir sua meta de entrega de veículos de 2022. Mesmo assim, Elon Musk disse que a demanda estava sendo forte no trimestre atual e espera que a Tesla seja "resistente à recessão".

As rivais de Elon Musk

A medida da Tesla, porém, vai na contramão da estratégia de suas concorrentes no setor, que vêm aumentando os preços para lidar com a iminente diminuição da demanda em Pequim, o maior mercado de automóveis do mundo.

Afinal, as vendas no varejo da China avançaram apenas 2,5% em setembro, bem abaixo das projeções do mercado e menor que a metade do crescimento do mês anterior.

Com vendas de veículos elétricos desaceleradas no gigante asiático, no menor ritmo em cinco meses, as fabricantes de automóveis correm o risco de lidar com um estoque excessivo no país.

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Não bastasse a questão do estoque — que é um grande problema, como já foi provado pela Nike no mês passado —, a empresa de Elon Musk e suas rivais competem cada vez mais pelo espaço no setor, uma vez que a concorrência é crescente.

Tesla vs BYD, de Warren Buffett

Um claro exemplo da concorrência no setor é a disputa entre a Tesla, de Musk, e a chinesa BYD, apoiada por Warren Buffett

A asiática está determinada a consolidar o domínio da China em energia renovável — incluindo veículos elétricos, baterias e energia solar e eólica — e, por consequência, motivada a vencer — mais uma vez — a Tesla.

Desde o início do ano até o final de setembro, a BYD vendeu 1,18 milhão de veículos de energia nova, enquanto a montadora de Musk entregou pouco mais de 900 mil automóveis elétricos no período.

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Só no terceiro trimestre, as vendas de carros elétricos chegaram a 537.164 unidades, um aumento de 197% na base anual. Já a empresa de Elon Musk vendeu 343.830 automóveis entre julho e setembro de 2022.

Durante o trimestre, a Tesla enfrentou preços crescentes de commodities e energia, problemas no envio de carros para os clientes e rotatividade de executivos, incluindo a saída notável do líder de inteligência artificial, Andrej Karpathy, em julho.

Vale destacar que, apesar de ter superado com larga vantagem as entregas da Tesla, o montante da BYD considera todos os veículos de energia nova, enquanto a americana vende apenas os automóveis elétricos puros.

*Com informações de Reuters

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