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Com a disparada do petróleo para além dos US$ 120 o barril, a Petrobras (PETR4) elevou fortemente os preços da gasolina e do óleo diesel
Se você precisa abastecer o seu carro, é melhor correr para fazê-lo ainda nesta quinta-feira (10): a Petrobras (PETR4) anunciou um aumento de 19% nos preços da gasolina vendida às distribuidoras — o litro passará de R$ 3,25 para R$ 3,86.
Para quem depende de diesel, a situação é ainda pior: a estatal promoveu um reajuste de 24,9% nos preços desse combustível, indo de R$ 3,61 a R$ 4,51 por litro. Os novos preços são revelados após dias de discussão entre governo e Petrobras, uma vez que os preços do petróleo dispararam com a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Vale lembrar que não necessariamente os preços nas bombas de combustível terão reajustes semelhantes — o repasse dos reajustes é de responsabilidade dos postos. No entanto, é comum que a alta nos preços da Petrobras às distribuidoras para a gasolina e o diesel seja transferida quase que integralmente aos consumidores.
A decisão foi publicada há pouco e, no comunicado, a Petrobras adota um tom bastante evasivo: os reajustes em si são informados apenas a partir do sexto parágrafo e, como de costume, vêm na forma de centavos, sem revelar diretamente o percentual de alta. Além disso, a estatal abre o texto se gabando pelos "57 dias sem reajustes" — uma escolha curiosa de encadeamento de informações, digamos assim.
Seja como for, o mercado mostrou-se entusiasmado com o reajuste promovido pela Petrobras e o respeito à política de preços, sem interferências maiores do governo: há pouco, as ações PN da companhia (PETR4) subiam 2,80% e as ONs avançavam 2,54%, liderando a ponta positiva do Ibovespa.
No nosso Instagram (clique aqui para nos seguir) explicamos como a guerra na Ucrânia favoreceu o setor de petróleo e por que a Petrobras (PETR4) se tornou uma das ações mais recomendadas pelas corretoras no mês de março.
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No comunicado, a Petrobras (PETR4) usa um grande espaço para justificar a elevação nos preços da gasolina e do diesel. O contexto, naturalmente, é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que provocou uma disparada na cotação da commodity ao longo das últimas semanas, levando-a ao maior patamar desde 2008.
"A Petrobras decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato", diz a estatal, afirmando que a decisão só foi tomada após a conclusão de que os preços do petróleo permanecerão "em patamares consistentemente elevados".
A política de preços da companhia acompanha as cotações da commodity; sendo assim, é preciso que os reajustes ao mercado interno acompanhem o movimento global do petróleo para que a companhia não absorva prejuízos.
A disparada do petróleo nos últimos dias, com o barril do Brent superando os US$ 130 — o maior nível de preço desde 2008 — vinha provocando uma série de discussões entre a cúpula do governo Bolsonaro e a administração da Petrobras.
Por um lado, reajustes nos combustíveis são medidas impopulares, especialmente em anos eleitorais; por outro, eventuais intervenções na política de preços da Petrobras seriam bastante negativas à governança corporativa da estatal e trariam enorme desconfiança ao mercado financeiro.
Chegou-se a discutir a criação de fundos governamentais para viabilizar a manutenção dos preços de gasolina e diesel, de modo a não penalizar as finanças da Petrobras, mas o delicado arcabouço fiscal do país representava um entrave relevante a essa alternativa. O corte de impostos, especialmente do ICMS, foi outra alternativa ventilada.
No entanto, ao menos por ora, nenhuma dessas possibilidades foi anunciada; de concreto mesmo, apenas o repasse de preços por parte da Petrobras — o que, em tese, é entendido como um sinal de força por parte da diretoria da empresa, afastando por ora os temores quanto a uma intervenção em sua política.
A notícia do reajuste de preços dá impulso às ações da Petrobras (PETR4 e PETR3) na bolsa: como dito acima, os papéis da estatal lideram os ganhos do Ibovespa nesta quinta-feira. No entanto, a desconfiança dos investidores ainda não foi completamente afastada.
Outras petroleiras com ações negociadas na B3 — caso de PetroRio (PRIO3), 3R Petroleum (RRRP3) e Petrorecôncavo (RECV3) — apresentam um desempenho superior ao da Petrobras no curto prazo: o risco de intervenção estatal na política de preços da gasolina se sobrepôs ao otimismo com a disparada do petróleo. Veja o gráfico abaixo:

Onze bancos e casas de análise têm cobertura para as ações PN da Petrobras (PETR4), com nove recomendações de compra e duas neutras, de acordo com dados do TradeMap. O preço-alvo médio é de R$ 36,05, o que implica num potencial de alta de cerca de 8% em relação às cotações atuais.
Em termos de múltiplos, PETR4 é negociada com um índice preço/lucro de 4,2 vezes e um EV/Ebitda de 2,6 vezes, níveis inferiores aos das outras petroleiras da B3 e das grandes empresas de óleo e gás do mundo — possíveis indicadores de que as ações da Petrobras podem estar num nível convidativo de preço.
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