100 dias de guerra: tudo o que você precisa saber sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia
O conflito resultou em sanções contra Moscou, pedidos de adesão à Otan e aumento dos preços dos combustíveis e alimentos

Em 24 de fevereiro, às 5h30 (horário de Moscou), os canais de televisão estatais russos interromperam a programação para transmitir um discurso do presidente Vladimir Putin anunciando uma “operação militar especial” no leste da Ucrânia. Começava uma guerra que já dura 100 dias.
A ideia do líder russo era “desmilitarizar e desnazificar” a Ucrânia.
Nos 100 dias que se seguiram à invasão, o que se viu e ouviu foram sirenes de ataques aéreos, bombardeios, destruição de cidades e um número cada vez maior de mortes dos dois lados.
Mas, se Putin esperava uma guerra rápida e fácil, com pouca oposição ucraniana ou internacional — como na tomada da Crimeia, em 2014 — certamente ele está desapontado.
A invasão resultou em sanções contra a Rússia, pedidos de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e aumento dos preços dos combustíveis e alimentos em países a milhares de quilômetros da zona de conflito.
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À medida que o custo humano e econômico aumentam com a guerra, algumas autoridades ocidentais chegaram recentemente a sugerir que a Ucrânia cedesse território à Rússia em troca de paz.
Uma pesquisa recente do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostrou que 82% dos adultos ucranianos acreditam que “nenhuma concessão territorial deve ser permitida” para chegar a um acordo de paz, enquanto 10% acham que algumas concessões territoriais deveriam ser feitas.
As forças de Putin controlam 20% do território ucraniano, de acordo com o presidente Volodomyr Zelensky.
Veja abaixo o discurso do presidente russo, Vladimir Putin, no dia da invasão, com legendas em inglês:
Destacamos abaixo os momentos mais simbólicos da guerra entre Rússia e Ucrânia até o momento.
Fase 1: invasão
- Dia 1 - 24 de fevereiro: guerra começa com incursões terrestres em Senkivka, na direção da capital Kiev, e da Crimeia, em direção a Kherson. Do mar de Azov, russos tentam tomar a cidade portuária de Mariupol. Em Kiev, paraquedistas tentam invadir o complexo presidencial.
- Dia 2 - 25 de fevereiro: o presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, publica um vídeo mostrando que permanece na capital e não aceitou uma oferta dos EUA para evacuar. Um pequeno grupo de soldados na Ilha da Cobra responde a uma ordem russa de rendição.
- Dia 6 - 2 de março: com quase uma semana de guerra, as forças russas conseguem cercar a cidade portuária de Mariupol, um centro de exportação estrategicamente importante. No mesmo dia, as tropas russas assumem a cidade de Kherson, ficando com o controle quase completo de uma ponte terrestre entre a Crimeia, anexada em 2014, e Donetsk, ocupada por forças pró-russas.
O vídeo do presidente da Ucrânia, Volodomyr Zelensky, com legendas em inglês:
Fase 2 da guerra: resistência
- Dia 10 - 6 de março: a principal ponte sobre o rio Irpin e uma barragem da era soviética no rio são destruídas, inundando uma ampla área a oeste de Kiev. Milhares de refugiados fogem a pé. Forças russas encontram cada vez mais dificuldade para avançar na direção oposta.
- Dia 15 - 11 de março: duas semanas após o início da guerra, o Pentágono informa que centenas de militares russos se movem para posições de tiro no noroeste de Kiev, mas enfrentam intensa resistência das forças ucranianas. No mesmo dia, surgem imagens de um ataque com drones a veículos blindados russos perto de Brovary, no lado leste de Kiev.
- Dia 20 - 16 de março: Mariupol segue cercada, mas apresenta forte resistência. Um ataque aéreo russo atinge o principal teatro da cidade, onde centenas de civis estavam se abrigando.

Fase 3 da guerra: reorientação
- Dia 33 - 29 março: a Rússia anuncia durante conversas com a Ucrânia na Turquia que reduzirá a atividade militar perto de Kiev e Chernihiv. Em pouco tempo, Moscou abandona essas frentes e redistribui algumas das unidades. As forças ucranianas que entram em Bucha encontram evidências de atrocidades.
- Dia 54 - 18 abril: após quase três semanas de relativa calma, durante as quais o exército russo se reagrupou e se reposicionou, o governo ucraniano anuncia que uma nova ofensiva começou no leste.
- Dia 57 -21 abril: Putin emite uma ordem pública para que a siderúrgica Azovstal, em Mariupol, seja fechada "para que nem uma mosca possa sair", mas não invadida. O complexo é o último reduto dos defensores ucranianos da cidade portuária.
Fase 4 da guerra: depois da Mariupol
- Dia 79 - 13 maio: um plano para cercar as forças ucranianas usando uma ponte flutuante para cruzar o rio Siverskyi Donets é frustrado pelas defesas ucranianas, levando a perdas russas substanciais. Enquanto isso, as forças russas teriam sido forçadas a recuar dos arredores de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia.
- Dia 82 - 17 maio: os defensores de Azovstal, em Mariupol, finalmente se rendem e são tranferidos em ônibus pelas forças russas. A Ucrânia diz que eles retornarão como parte da troca de prisioneiros, mas algumas autoridades russas sugerem que eles podem ser levados a julgamento.
- Dia 98 - 1 de junho: à medida que o 100º dia da guerra se aproxima, as forças ucranianas estão sob pressão no leste. A Rússia identificou Sievierodonetsk como o próximo alvo estratégico e está lutando para cercar a cidade; não está claro por quanto tempo o lado ucraniano pode resistir.
*Com informações da CNN, do The Guardian e da CNBC
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