🔴 CHEGOU O DIA DE CONTAR COM ‘O MELHOR TRADER DO MUNDO’ PARA INVESTIR EM CRIPTO – CLIQUE AQUI

Conteúdos exclusivos da Empiricus

Parceria Seu Dinheiro e Empiricus:

Salve suas matérias favoritas do Seu Dinheiro criando uma conta gratuita na Empiricus.

E tem mais: ao criar sua conta gratuita, você ganha acesso a um universo de conteúdos que vai muito além das notícias.

Relatórios, cursos, podcasts, newsletters e estratégias de investimento para transformar informação em melhores decisões.

Marquinhos, aleatoriedade e efeito Moneyball: Haddad pode ser Palocci?

Agora, aguardamos a nomeação dos secretários de Haddad — pode ser importante para entendermos os rumos da política econômica e se há chances de repetirmos algo semelhante à era Palocci

Copa do Mudo, Brasil, Futebol, Seleção, Bola
Imagem: Freepik/Reprodução/CBF/Montagem Seu Dinheiro

A zaga estava desarrumada. Por que atacar com tantos homens e deixar a defesa desprotegida faltando quatro minutos para o fim da prorrogação?
 
Àquela altura, você fura a bola, joga uma outra redonda no campo, ao melhor estilo Felipão, cai fingindo dor no posterior da coxa, faz duzentas faltas no meio campo. A 5 minutos do fim, não pode ter mais jogo. Faltou aquela catimba argentina, sobrou ingenuidade.
 
Também poderíamos apontar erros mais estruturais, além do fatídico lance final. O primeiro tempo foi muito ruim. Modric, incansável e tecnicamente perfeito, fez um “box to box”  de difícil marcação – se Casemiro o acompanhasse até a área adversária, deixaria desprotegida a defesa; se não o fizesse, permitiria ao articulador pensar e armar o jogo. 
 
Pouco comentado, o esquema tático pareceu confuso. Tite, de quem sou fã incondicional como bom corintiano, deu uma de professor Pardal. Inventou o lateral Danilo saindo da esquerda para o meio, como se fosse armar o time como elemento surpresa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Do outro lado, o competente Militão fez ótima partida defensiva, mas, pelas características pessoais, naturalmente pouco fez em termos ofensivos. Os dois pontas ficaram isolados sem a passagem por trás dos laterais. Não me lembro de uma jogada de linha de fundo sendo cruzada para o centroavante.
 
E como muito bem lembrou o gênio Tostão em sua coluna na Folha, faltou-nos um Modric. Neymar é craque e gênio, mas não tem por natureza a articulação. É decisivo e vertical; não pensa e distribui o jogo como Modric. Paquetá também não. Pensamos demais nos pontas, esquecemos dos meias.
 
Poderíamos elencar vários outros erros da seleção brasileira. No final do dia, porém, sejamos justos: a eliminação se deu por conta de um personagem fundamental do futebol, sobretudo em Copas do Mundo, cujas definições acontecem em apenas um jogo. Falamos do Imponderável de Almeida.

O efeito Moneyball

O goleiro adversário pegou até covid no segundo tempo. A Croácia chutou uma única bola no gol. Alysson estava pelado lá o jogo todo e ninguém sequer reparou. A bola não ia lá. O atacante chuta a bola, que iria na mão do goleiro. Ela desvia caprichosamente em Marquinhos e foge do alcance do arqueiro. Nos pênaltis, o mesmo Marquinhos bate. Goleiro de um lado, bola do outro. A bola bate no pé da trave, em sua parte de dentro e volta na diagonal. Brasil eliminado.
 
O mesmo Marquinhos, que fez uma Copa perfeita. Jogou até de lateral esquerdo (e muito bem, por sinal). Travou todas, saiu jogando, lançou, deu passe para Thiago Silva, que serviu Richarlysson para gol em jogo anterior, numa “tabela de zagueiros”. Ao final, fica marcado como “o cara que desviou a bola para tomarmos um gol e errou um penalty”. 
 
Curioso como lances particulares, com efeito decisivo nas partidas, marcam a trajetória de esportistas. O fenômeno foi muito bem descrito no filme Moneyball, que narra a trajetória de um profissional que tenta filtrar esses vieses e introduzir uma abordagem científica e estatística na contratação e no treinamento dos jogadores.

Não é porque o camarada fez o gol na final da Copa que ele é um craque. Basílio é celebrado até hoje pela decisão de 77, mas, a julgar apenas pela competência individual, merecia tanta fama? Baggio era um cracaço, mas levou tempo para ser perdoado por aquele tiro de meta batido contra o Brasil.
 
O tal “efeito Moneyball” é uma manifestação particular de um viés mais geral, chamado “Halo Effect”, uma espécie de transbordo de uma característica ou de um acontecimento local para algo plural. Se o sujeito é bonito e carismático, logo conclui-se pela sua inteligência e competência, por exemplo. Se perdeu um pênalti, é um péssimo jogador. 
 
Vale para as mais variadas camadas da vida. No livro "Halo Effect: and the Eight Other Business Delusions that Deceive Managers”, Phil Rosenzweig traz o assunto para a perspectiva empresarial (e basicamente destrói as conclusões do admirado Jim Collins).

Haddad pode ser Palocci?

Talvez a mais importante manifestação do “Halo Effect” esteja em torno da figura de Fernando Haddad. “Ele é um político de esquerda, com alguma formação em Economia; logo, vai destruir a responsabilidade fiscal."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pode ser? Bom, claro que pode. Mas será que já podemos pular para essa conclusão? Não seria um tanto prematuro?

Leia Também

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Temporada de balanços do 3T26, visão de dono para empreender e eleições: o que movimenta os mercados hoje

VISÃO DE DONO

Antes de abrir uma empresa, experimente um estágio de dono

É verdade que os primeiros sinais do governo eleito não são muito alvissareiros sob a perspectiva fiscal. Após uma primeira semana fabulosa para os mercados depois da eleição, em que o capital internacional se preparava para migrar ao Brasil e Lula era recebido com festa na COP-27, o presidente eleito arriscou atirar no próprio pé ou capotar na reta.

Ao colocar responsabilidade fiscal como antagônica à social, flertou com juros de 15% e câmbio de R$ 6, com consequências nefastas para o pobre. O pedido de “paciência" caso o dólar suba e a bolsa caia a partir de suas falas também não ajudou. A PEC da Transição seria tolerada com R$ 100 bilhões fora do teto, mas estamos saindo com praticamente o dobro disso.

Sinais preocupantes, sem dúvida. Mas há ponderações a serem feitas e conclusões sobre um governo que ainda sequer começou parecem um tanto superficiais.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Primeiramente, o formalismo: a autorização para gastos de até R$ 200 bilhões não significa necessariamente o gasto de R$ 200 bilhões. O Congresso fica mais à direita e ideológico em 2023, o que poderia significar mais dificuldade para negociações à frente. Do ponto de vista político, faz sentido sair com mais graus de liberdade.

Depois, Lula ainda não governa. A esta altura, Lula faz política. É sempre difícil discernir sobre o que é retórica e o que é material em suas falas, cuja intenção final obedece a uma lógica política. Nessa mesma lógica política, Lula sabe que a inflação pega na veia de seu eleitorado e pode reviver Bolsonaro em 2026 – Tasso fala isso ao Valor hoje. Sem a economia, nada feito.

Haddad, por sua vez, é um político aberto ao diálogo, inteligente e sempre respeitoso com as Ciências Econômicas – o próprio vídeo viral em que ele brinca não saber muito de economia é uma espécie de deferência ao debatedor, um dos maiores economistas do país.

Haddad foi responsável fiscalmente quando governou a cidade de São Paulo, nomeando Marcos Cruz (ex-Mckinsey) como secretário de Finanças e inclusive barrando algumas demandas popularescas. Conseguiu boas avaliações das agências de rating para o município.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na equipe de transição, Haddad faz dobradinha com Alckmin, de quem já era próximo – o que também o coloca perto de Pérsio Arida, ainda que como conselheiro informal apenas.

Não podemos atirar no próprio pé

Agora, aguardamos com atenção a nomeação dos secretários de Haddad. Isso pode ser muito importante para entendermos os rumos da política econômica e se há chances de repetirmos algo semelhante à era Palocci, quando também não tínhamos técnico no Ministério da Fazenda, mas um político de confiança do presidente, capaz de ouvir os brilhantes Marcos Lisboa, Murilo Portugal, Joaquim Levy, Daniel Goldberg.

Em declarações recentes, Haddad já afirmou explicitamente a disposição para ouvir técnicos do Tesouro e outros economistas ortodoxos. Ele tem chamado atenção para a necessidade de um novo arcabouço fiscal e da reforma tributária.

Se tivermos nomeações como Marco Bonomo (Insper), Carlos Hamilton (ex-BC), Felipe Salto, Bernard Appy e Marcos Cruz, as coisas podem se encaminhar mais favoravelmente do que as cotações sugerem hoje.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, precisa ser evitada a tentação de querer agradar a todas as matizes, repetindo o erro da equipe de transição e acomodando também nomes heterodoxos nas secretarias ou no Planejamento.

Se formos por esse caminho, as chances de capotar na reta serão maiores. Teremos mais uma vez honrado a máxima do país que não perde uma oportunidade de perder oportunidades. O mundo carece de boas alternativas e está louco para abraçar o Brasil. Não podemos atirar no próprio pé.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fantasma segurando um contrato rasgado, com casas e prédios ao fundo. 15 de outubro de 2026 - 8:35
Robert E. Hall e Michael Woodford Ill, vencedores do Nobel de Economia de 2026. Foto: Ilustração de Niklas Elmehed para a Fundação Nobel 14 de outubro de 2026 - 19:45

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo

14 de outubro de 2026 - 19:45
ações bancos banco do brasil bbas3 bradesco bbdc4 itaú itub4 santander sanb11 12 de outubro de 2026 - 8:01
9 de outubro de 2026 - 8:47
8 de outubro de 2026 - 8:54
Touro da bolsa de valores surfando 7 de outubro de 2026 - 19:51

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Upside de 50% à frente, mas nunca vem de graça 

7 de outubro de 2026 - 19:51
corte selic copom 7 de outubro de 2026 - 8:38
Montagem que traz um fundo de gráficos de ações. Do lado direito, uma lupa e dentro da lupa, urna eletrônica 6 de outubro de 2026 - 7:22

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço

6 de outubro de 2026 - 7:22
5 de outubro de 2026 - 8:19
2 de outubro de 2026 - 8:24
imagem gerada por inteligência artificial mostra uma vila colorida de casas, com um barril no meio, e diversos boletos de aluguel em atraso 1 de outubro de 2026 - 8:31
Técnicos do TRE-DF realizam a conferência e a lacração de urnas eletrônicas para o 1º turno das Eleições 2022 30 de setembro de 2026 - 20:01

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno

30 de setembro de 2026 - 20:01
30 de setembro de 2026 - 8:34
29 de setembro de 2026 - 8:17
eleições urna eletrônica 29 de setembro de 2026 - 7:10

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Eleição: o voto útil entrou na curva

29 de setembro de 2026 - 7:10
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar