O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
O retorno de uma ação pode vir de três formas: recebimento de dividendos, crescimento do lucro por ação e expansão de múltiplos
Ao comprar uma ação você busca um retorno acima do que teria se colocasse o dinheiro em um investimento de menor risco.
Não faz sentido investir em uma ação com potencial para retornar 15% ao ano se uma renda fixa com rating AAA pagar a mesma coisa, por exemplo.
Você poderia argumentar que taxas atrativas na renda fixa fazem parte de um ciclo que se encerrará em algum momento e que uma ação pode ter potencial para retornar 15% ao ano pra sempre.
Mas não é óbvio admitir isso.
O retorno de uma ação pode vir de três formas: recebimento de dividendos, crescimento do lucro por ação e expansão de múltiplos.
Ou seja, se você pagar R$ 1 milhão por uma empresa que gera R$ 100 mil de lucro e distribui esse montante aos acionistas, você estará recebendo 10% ao ano em dividendos.
Leia Também
Uma outra forma de analisar é através do múltiplo preço sobre lucro (P/L).
Como é uma métrica aplicável a qualquer empresa lucrativa da bolsa, a comparação de preço entre elas é fácil.
Contudo, uma empresa que negocia a P/L alto não necessariamente está cara, assim como o contrário também não é verdadeiro.
O múltiplo alto é uma consequência da expectativa do mercado quanto à capacidade da empresa crescer lucros e não uma estimativa fiel de valor.
Em nosso exemplo hipotético, a empresa negocia a 10 vezes o lucro esperado (R$ 1 milhão / R$ 100 mil).
Mas, se houver investimentos alternativos de mesmo risco ou até menor pagando 15% ao ano - ou seja, R$ 150 mil investindo o mesmo montante -, você deveria pagar um múltiplo até menor por ela. Algo em torno de 7 vezes o lucro esperado (R$ 1 milhão / R$ 150 mil).
O contrário é verdadeiro, podendo até pagar um múltiplo maior se não tiverem melhores alternativas.
Esse movimento de expansão e contração de múltiplos é muito comum na bolsa.
Por fim, a empresa pode surpreender e entregar um lucro maior que o esperado sem a necessidade de investimentos adicionais.
Nesse caso, se a empresa entregar R$ 150 mil de lucro (50% a mais que o esperado) e continuar negociando a 10 vezes o lucro, seu valor de mercado na bolsa precisará corrigir 50% também, para R$ 1,5 milhão.
Tão simples quanto isso.
Você deve estar se perguntando: tá, mas como essas três ferramentas de análise se combinam na vida real? Abaixo eu trago as maiores altas e baixas do Ibovespa no ano:

Mais precisamente vou pegar o exemplo da maior alta (Cielo) e a maior baixa (Meliuz).
Para quem não sabe a Cielo é uma empresa de meios de pagamento e a Meliuz é uma empresa de cupons de desconto e cashback.
Falando primeiramente de Cielo, o gráfico abaixo ilustra bem o que justifica a forte alta no ano.
Em vermelho temos a expectativa de lucro por ação do mercado e em branco o preço da ação.
O que está acontecendo é que o mercado tem revisado pra cima a expectativa de lucro da empresa para 2022 e 2023 - reflexo dos juros mais altos, alívio da competição no setor, venda de ativos e margens mais altas.

Para se ter uma ideia, no quarto trimestre de 2021 a empresa superou em 36,5% a expectativa de lucro por ação do mercado e nas últimas quatro semanas tem sofrido sucessivas revisões pra cima do sell side.
Em linha com as melhores expectativas, o mercado passou a pagar mais pelo lucro da Cielo, o que também fez com que seu múltiplo P/L para 2023 expandisse de 6 para quase 10 vezes.

O inverso está acontecendo com a Meliuz. Nos últimos trimestres a empresa não conseguiu entregar o que o mercado esperava, levando a uma revisão pra baixo de lucros para os próximos anos.

Para piorar, por ser uma empresa de múltiplo alto que não correspondeu às expectativas do mercado, nos últimos meses o múltiplo P/L praticamente derreteu de quase 40 vezes para 13 vezes o lucro esperado para 2023.
Ou seja, o lucro caiu e o múltiplo também.

Com esses dois exemplos podemos ter uma ideia do que o investidor está preferindo nesse ambiente de juros mais altos no Brasil e no mundo: empresas com potencial para crescer lucros em um ambiente adverso e negociadas a um múltiplo razoável e que “aceita desaforo”.
Idealmente, o que você quer é comprar uma empresa com potencial para crescer lucros acima do esperado, com baixa necessidade de investimento e com potencial de expansão de múltiplos, o que não vem sem uma boa execução por parte dos executivos do negócio.
Aqui no Market Makers estamos focados em encontrar essas boas assimetrias.
Na última terça-feira (26), Howard Marks, um dos maiores investidores da atualidade, soltou o seu mais recente memo “I Beg to Differ”, na qual ele comenta sobre alguns dos seus maiores aprendizados no mercado.
Inclusive, o memo acaba sendo um bom “resumo” para caso você não tenha lido suas outras cartas.
Abaixo, destaco a frase que eu mais gostei dessa leitura e que diz muito sobre o atual momento da bolsa:
Abraço,
Matheus Soares
A fintech Nubank tem desenvolvido sua operação de telefonia, que já está aparecendo nos números do setor; entenda também o que esperar dos mercados hoje, após o anúncio de cessar-fogo na guerra do Oriente Médio
Sem previsibilidade na economia, é difícil saber quais os próximos passos do Banco Central, que mal começou um ciclo de cortes da Selic
Há risco de pressão adicional sobre as contas públicas brasileiras, aumento das expectativas de inflação e maior dificuldade no cumprimento das metas fiscais
O TRX Real Estate (TRXF11) é o FII de destaque para investir em abril; veja por que a diversificação deste fundo de tijolo é o seu grande trunfo
Por que uma cultura organizacional forte é um ativo de longo prazo — para empresas e carreiras
Axia Energia (AXIA6) e Copel (CPLE3) disputam o topo do pódio das mais citadas por bancos e corretoras; entenda quais as vantagens de ter esses papéis na carteira
Com inflação no radar e guerra no pano de fundo, veja como os próximos dados do mercado de trabalho podem influenciar o rumo da Selic
A fabricante de sementes está saindo de uma fase de expansão intensa para aumentar a rentabilidade do seu negócio. Confira os planos da companhia
Entenda como o prolongamento da guerra pode alterar de forma permanente os mercados, e o que mais deve afetar a bolsa de valores hoje
Curiosamente, EUA e Israel enfrentam ciclos eleitorais neste ano, mas o impacto político do conflito se manifesta de forma bastante distinta
O Brasil pode voltar a aumentar os juros ou viver um ciclo de cortes menor do que o esperado? Veja o que pode acontecer com a taxa Selic daqui para a frente
Quedas recentes nas ações de construtoras abriram oportunidades de entrada nas ações; veja quais são as escolhas nesse mercado
Uma mudança de vida com R$ 1.500 na conta, os R$ 1.500 que não compram uma barra de chocolate e os destaques da semana no Seu Dinheiro Lifestyle
A Equatorial decepcionou quem estava comprado na ação para receber dividendos. No entanto, segundo Ruy Hungria, a força da companhia é outra; confira
Diferente de boa parte das companhias do setor, que se aproveitam dos resultados estáveis para distribui-los aos acionistas, a Equatorial sempre teve outra vocação: reter lucros para financiar aquisições e continuar crescendo a taxas elevadíssimas
Os brechós, com vendas de peças usadas, permitem criar um look mais exclusivo. Um desses negócios é o Peça Rara, que tem 130 unidades no Brasil; confira a história da empreendedora
Entre ruídos políticos e desaceleração econômica, um indicador pode redefinir o rumo dos juros no Brasil
Mesmo o corte mais recente da Selic não será uma tábua de salvação firme o suficiente para manter as empresas à tona, e o número de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial pode bater recordes neste ano
Confira qual a indicação do colunista Matheus Spiess para se proteger do novo ciclo de alta das commodities
O conflito acaba valorizando empresas de óleo e gás por dois motivos: a alta da commodity e a reprecificação das próprias empresas, seja por melhora operacional, seja por revisão de valuation. Veja como acessar essa tese de maneira simples