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Ruy Hungria
Sextou com o Ruy
Ruy Hungria
É formado em Física e especialista em bolsa e opções na Empiricus
2021-05-27T17:29:33-03:00
SEXTOU COM O RUY

Como fazer a seleção natural do mercado trabalhar a seu favor na bolsa

Você pode acertar na mosca qual será o setor da moda nos próximos vinte anos, mas isso ainda não significa que será capaz de ganhar dinheiro colocando todas as suas fichas em um só cavalo

28 de maio de 2021
6:01 - atualizado às 17:29
O clássico Ford Modelo T
O clássico Ford Modelo T - Imagem: Shutterstock

O ano era 1903 e uma forma relativamente nova de se locomover estava tomando conta do imaginário e do desejo popular: você já deve saber que estou falando do automóvel.

Naquela época, se você fosse como a maioria das pessoas, começaria a juntar uma grana todos os meses para, quem sabe um dia, também ter o privilégio de desfilar pelas ruas a bordo de um carro.

Mas se você fizesse parte da pequena parcela empreendedora da população, talvez percebesse que o automóvel não só estava se tornando item de desejo como também estava prestes a transformar a vida das pessoas para sempre.

Talvez você até tivesse um pressentimento de que a produção anual de carros no mundo sairia de poucas unidades naquela época para dezenas de milhões de veículos algumas décadas mais tarde. 

fonte: https://www.darrinqualman.com/

E com todos esses insights brilhantes, naquele momento a coisa mais óbvia a se fazer era criar ou investir em uma montadora de veículos para tentar surfar esse tsunami de vendas que estava prestes a acontecer, não é mesmo?

Pois saiba que mesmo tendo feito essa análise incrível, chegado a um insight genial e descoberto as enormes vantagens de se investir em um dos setores mais promissores do século XX, ainda assim você teria grandes chances de ter quebrado se resolvesse seguir em frente com seu investimento.

Como assim?

Pode não parecer, mas a verdade é que a gigantesca maioria dos investidores do setor automobilístico quebrou.

São cerca de duas mil companhias norte-americanas que tiveram que fechar as portas alguns anos depois de começarem a operar. 

Mesmo com o setor crescendo em um ritmo absurdo nas décadas seguintes, muitas companhias não conseguiam produzir o modelo que os clientes queriam, ou não foram eficientes como deveriam ou, simplesmente, não conseguiram superar companhias rivais mais bem preparadas. 

O fato é que depois de todos esses anos, daquelas duas mil empresas que tentaram a glória, cerca de meia dúzia conseguiu sobreviver — e algumas delas ainda tendo que contar com a ajuda do governo para não falirem. 

Diversifique

A moral dessa história é que ganhar dinheiro com um investimento exige muito mais do que acertar o setor no qual investir. 

Você pode acertar na mosca qual será o setor da moda nos próximos vinte anos, mas isso ainda não significa que será capaz de ganhar dinheiro colocando todas as suas fichas em um só cavalo. 

Nessas circunstâncias em que você consegue antecipar um momento positivo para um determinado setor, mas não consegue identificar com precisão os prováveis vitoriosos na disputa pelos clientes, a melhor alternativa é diversificar. 

Imagine, por exemplo, que em vez de ter investido todo o seu capital em uma fábrica própria ou em qualquer outra companhia de automóveis que julgasse a grande vencedora no longo prazo, você tivesse criado um portfólio que investisse em várias companhias diferentes do setor, sempre dando mais peso àquelas que tivessem vendido mais carros no último ano.

Essa estratégia poderia não render tantos frutos quanto ter investido todo o dinheiro na grande vencedora do século. Mas como saber a priori quem ganhará a disputa?

É impossível!

Com essa estratégia de diversificar e atribuir maior peso àquelas que venderam mais no ano anterior, você conseguiria diluir os riscos de estar exposto a apenas um player sem abrir mão de surfar a fantástica tendência de crescimento do setor investindo em ações daquelas que têm se mostrado as mais capazes.

Fundos Indexados (ETF)

Antes de continuar, gostaria de deixar claro que o exemplo acima não foi criado por mim.

Na verdade, ele foi utilizado por Warren Buffett na última conferência anual da Berkshire Hathaway. 

Buffett é um defensor ferrenho dos fundos indexados (ETFs), não só pelos baixos custos de administração – já que sua composição não é decidida pelo gestor –, mas também porque os ETFs trazem consigo essa característica de dar mais peso justamente a quem tem performado melhor nos últimos anos.

É como se fosse uma espécie de alocação baseada em seleção natural, na qual os fracassos vão caindo fora do portfólio e os sucessos ganham cada vez mais peso.

Isso é o que acontece com o S&P 500, o principal índice de ações do mercado norte-americano. Com as big techs (Apple, Google, Amazon, Facebook) ganhando cada vez mais influência e maior participação, o índice tem renovado suas máximas recorrentemente nos últimos meses.

Um ETF para chamar de seu na B3

Agora que você já entendeu que ETFs são muito mais do que apenas índices chatos, eu gostaria de lembrar de um específico aqui na B3 que sofreu nos últimos dias, mas continua com boas perspectivas para o futuro. 

Trata-se do MATB11, com grande participação de ações que produzem commodities metálicas (VALE3, GGBR4, GOAU4, CSNA3 e USIM5) e que apanhou recentemente com notícias de que a China estaria freando a especulação nas cotações do minério de ferro e do aço no país.

Fonte: Google

Isso causou um recuo no preço dessas commodities, no entanto, passado esse ajuste, tudo indica que a demanda continua forte globalmente, o que deve continuar sustentando os papéis. 

Eu adoraria poder dar outra dica de ETF, mas infelizmente não temos um que seja totalmente focado no setor de construção civil para aproveitar a queda recente, por causa de um possível impacto da alta da taxa Selic no apetite por financiamento imobiliário.

Em nossa visão, mesmo com as novas rodadas de aumento da Selic, as taxas de juros devem permanecer em patamares ainda muito abaixo daqueles observados na última década.

Isso, aliado ao maior apetite dos bancos por crédito imobiliário, ainda deve continuar permitindo aos compradores financiamento com taxas atrativas e manter a demanda por imóveis elevada. 

No entanto, na falta de um ETF para nos ajudar a surfar essa retomada, vale a pena conferir as duas grandes apostas do Oportunidades de Uma Vida no setor.

A exposição ao setor pode não ser tão diversificada como num ETF, mas o Felipe Miranda acompanha todas as novidades das duas companhias diariamente para garantir que o seu portfólio tenha exatamente as duas mais promissoras do segmento. 

Se quiser conferir, deixo aqui o convite

Um grande abraço e até a próxima!

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