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Max Bohm
Chama o Max
Max Bohm
é editor da Empiricus
2021-02-19T18:01:21-03:00
Chama o Max

Novos tempos requerem uma nova mentalidade

Seria importante para a B3, que está cada vez mais diversificada; mas ainda há muito espaço para evoluir.

19 de fevereiro de 2021
17:51 - atualizado às 18:01
Max Bohm
O analista de investimentos Max Bohm, hoje um dos mais renomados na área - Imagem: Empiricus

O ano de 2021 será marcado como a maior temporada de IPOs já vista no mercado de ações brasileiro.

Em menos de dois meses, 15 empresas já debutaram na B3, atraindo bilhões de reais de investidores encantados por negócios diferentes e com grande potencial de crescimento.

Considerando que há mais de 30 companhias que protocolaram seus pedidos de oferta púbica inicial junto à CVM e uma grande expectativa de IPOs para o segundo semestre, tudo caminha para batermos o recorde de 2007, quando tivemos 64 novas empresas ingressando na Bolsa.

Será que vamos atingir a marca de 100 IPOs este ano? Seria importante para a B3, que está cada vez mais diversificada; mas ainda há muito espaço para evoluir.

Só para efeito de comparação, hoje temos um pouco mais de 400 empresas listadas; nos EUA, são 5.700 companhias na NYSE e na Nasdaq. O S&P, índice mais importante da Bolsa americana, possui 500 ações, cobrindo boa parte do PIB dos EUA. Nosso Ibovespa possui 67 empresas e está longe de ser uma boa proxy do PIB brasileiro.

Muito concentrado em ações ligadas a commodities e bancos, o Ibovespa não espelha a diversidade da economia brasileira. No entanto, esses novos IPOs estão nos dando uma ponta de otimismo, já que, em um futuro não tão distante, poderemos ver o principal índice brasileiro renovado e mais plural.

Dois setores despontam como aspirantes a ganhar espaço na Bolsa nos próximos anos. O primeiro deles é o setor de tecnologia. Várias empresas ligadas a esse segmento da nossa economia lançaram suas ações recentemente, como Mosaico (MOSI3), Neogrid (NGRD3), Méliuz (CASH3), Enjoei (ENJU3) e as varejistas online Mobly (MBLY3) e Westwing (WEST3).

Todas elas apresentam três características que vêm soando como música aos ouvidos dos investidores: modelos de negócio escaláveis, amplo potencial de crescimento e tecnologia/inovação.

Outro setor que pode despontar como um dos protagonistas nesta nova onda de IPOs e ganhar mais jardas na Bolsa brasileira é o agronegócio. Por muito tempo, SLC Agrícola (SLCE3), São Martinho (SMTO3), BrasilAgro (AGRO3) e Terra Santa (TESA3) brilharam sozinhas como as representantes do setor na B3. Muito pouco para um segmento tão importante e que nos últimos anos vem sendo o motor da nossa economia, carregando o nosso PIB nas costas há dez anos pelo menos.

Novas empresas do agronegócio estão chegando, como Agrogalaxy, Boa Safra Sementes, Vittia Fertilizantes e CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Esta última, que apresenta forte crescimento de receita, margens altas e acionistas de peso, é bem promissora.

A B3 está fazendo a sua parte, atraindo novas companhias que buscam no mercado de capitais formas de financiar o seu crescimento.

Mas será que os investidores estão fazendo a sua parte? Ou o oba-oba em torno dos IPOs está cegando boa parte deles, em busca de ganhos rápidos, mas que podem ser efêmeros?

Muitas empresas estão chegando e chegarão à Bolsa. Isso é muito positivo. No entanto, a separação do joio do trigo se faz cada vez mais necessária.

Assim, tenho algumas dicas importantes na hora de fazer esta seleção de ações e decidir em qual IPO você deve apostar as suas fichas:

Acionista vendedor está saindo de boa parte do negócio? Se sim, sinal amarelo para a companhia.
Empresa sentiu fortemente o ano de 2020 com a pandemia? Receita teve queda expressiva e margens ficaram muito comprimidas? Se sim, talvez falte ao negócio resiliência ou capacidade e velocidade de adaptação.

A companhia está usando os recursos captados no IPO para pagar dívidas ou distribuir dividendos para acionistas? Pode ser um histórico de má gestão do capital e de falta de governança corporativa.

Há uma consistência clara na evolução dos resultados nos últimos anos, mostrando expansão de Ebitda e lucro? Ou “enfeitaram a noiva” recentemente para o IPO?

A empresa foi transparente com o uso dos recursos, mostrou-se solícita no road show e está comprometida com os melhores padrões de governança?
Fazendo-se essas perguntas e obtendo as respostas, você analisará o negócio, adquirindo a confiança de investir naquela empresa não para um mês, mas para um horizonte de pelo menos um ano.

Esta é a mudança de mentalidade que eu gostaria de ver nos investidores pessoas físicas. Muitos só querem lucros imediatos, sem ter a devida paciência para acompanhar a tese de investimento e ser sócio daquele negócio.

Você não vai ficar rico em um IPO. Cada vez mais, o sistema impede a festa dos “flippers” (que vendem a ação no primeiro dia de negociação), instituindo o lock-up de 40 dias, que dá ao investidor que optou por esse modelo predileção na alocação da oferta.

Corretamente, as companhias estão interessadas em quem acreditou nelas e quer acompanhá-las em seu crescimento. A jornada é longa. Investimento em ações requer paciência e foco no longo prazo.

Damos as boas-vindas às novas empresas da Bolsa. Precisamos de um mercado mais desenvolvido, porém aproveite o momento especial para desenvolver também a sua mente como investidor.

Menos especulação e mais investimento. Tenha isso sempre em mente na hora de decidir em qual IPO entrar.

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