Bolsa hoje: A boa e velha Super Quarta está de volta
Conclusão da reunião do Fed nos EUA, decisão de política monetária no Brasil, desdobramento dos precatórios e mais; confira todos os destaques que movimenta os mercados

Hoje temos a conclusão da reunião do Federal Reserve (Fed), marcada para 15 horas, seguida pela coletiva de imprensa de Jerome Powell às 15h30 – o evento pode formalizar o anúncio do “tapering” ou sinalizar o timing da redução gradual dos estímulos nos EUA, podendo gerar volatilidade sobre o dólar e outros ativos.
Além disso, após o pregão desta quarta-feira, também teremos a nossa decisão de política monetária, esperada por muitos pelo fato de dar continuidade ao processo de aperto monetário iniciado nos primeiros meses de 2021.
Lá fora, as principais Bolsas asiáticas caíram, apesar dos mercados na Coreia do Sul e em Hong Kong estarem fechados devido ao feriado. A discussão sobre o iminente default da China Evergrande Group continua, com a maioria dos especialistas minimizando o risco potencial para os investidores ao redor do mundo.
Na Europa, parece cair bem essa sensação de tranquilidade, com a Bolsas entregando performances positivas nesta manhã. Os futuros americanos apontam igualmente para uma boa quarta-feira, com recuperação dos patamares de preços, na expectativa da conclusão da reunião do Fed.
A ver...
Entre Selic e precatórios, super quarta vem aí
Depois de o Banco Popular da China (PBoC) decidir manter a taxa de juros em 3,85%, teremos hoje por aqui a nossa decisão de política monetária, com o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciando a taxa básica de juros (Selic).
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A expectativa geral é de um aumento de 100 pontos-base na taxa de juros, levando a Selic Meta para 6,25% ao ano, depois que o presidente da autoridade monetária alinhou as expectativas na semana passada.
Este não é o único assunto do dia, entretanto. O acordo negociado pelos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), com o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi recebido com otimismo pelos investidores ontem, ao tirar boa parte dos precatórios do teto de gastos – a Comissão Especial que irá analisar a PEC dos Precatórios será instalada nesta quarta-feira.
O objetivo é que no prazo de 10 sessões o parecer seja apresentado e votado na Comissão. Em seguida, o texto segue para análise do plenário.
A proposta prevê uma limitação ao crescimento dessas despesas com uma regra semelhante à do teto de gastos. Assim, seriam pagos R$ 40 bilhões em precatórios no ano que vem.
Não apenas isso, mas o mercado também fica de olho em outras pautas de Brasília, que tem norteado os mercados. A começar pela Comissão Especial da Câmara que discute a Reforma Administrativa e pode votar o parecer do relator ainda hoje.
Fora isso, a possibilidade de votação do novo marco das ferrovias, depois da aprovação da BR do Mar em comissão no Senado ontem, também é aguardada pelos investidores.
Qual será a sinalização de Powell
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) concluiu sua reunião de dois dias na tarde de hoje. Na pauta estará o debate sobre quando e com que rapidez a autoridade monetária deverá começar a retirar o estímulo monetário que sustentou os mercados e a recuperação econômica desde os primeiros meses da pandemia de Covid-19.
Por enquanto, a expectativa é de mais detalhes, mas nenhum compromisso firme com a redução das compras de títulos – o relatório de emprego dos EUA de agosto pareceu mostrar menos empregos sendo criados do que o esperado.
Desde março de 2020, o Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 0,00% e 0,25%, tendo comprado paralelamente US$ 120 bilhões por mês em títulos do Tesouro dos EUA e títulos lastreados em hipotecas. Isso ajudou a reduzir os custos de empréstimos para consumidores e empresas, aumentar a liquidez nos mercados e evitar o que poderia ter sido uma crise financeira muito pior no ano passado.
Agora, para virar a chave, deverá reduzir tais estímulos lentamente, em um processo que pode levar muitos meses ou trimestres para ser concluído – daí o termo "redução gradual", que tem sido tão frequentemente repetido ultimamente.
O mercado não deve ficar muito surpreso se ouvirmos esta semana que eles planejam começar a reduzir o patamar de compra de ativos em novembro ou dezembro.
Alguns membros têm pressionado por um relaxamento mais rápido para terminar no meio do ano que vem, enquanto alguns preferem uma abordagem mais lenta.
Ainda assim, é improvável que anunciem o ritmo nesta quarta-feira, mas isso seria interessante, pois estabeleceria a trajetória de aumento das taxas para o próximo ano ou 2023.
Para mais detalhes, valerá a pena dar uma olhada no Resumo de Projeções Econômicas atualizado, abrangendo todo o caminho até 2024, com a atualização do gráfico de pontos das projeções de membros individuais do FOMC – um sinal de aumentos na taxa de juros mais cedo ou maiores em 2023 será visto como hawkish, elevando os rendimentos do Tesouro de médio e longo prazo na sequência.
Ruídos da China
A discussão sobre a possibilidade de contágio da crise da Evergrande segue aquecida. Embora existam várias maneiras pelas quais a crise da Evergrande poderia causar sofrimento na economia ou nos mercados financeiros dos EUA, os americanos acabaram não tendo muita exposição direta ao problema; afinal, nenhum dos principais bancos americanos têm mais de 1,5% de seus ativos vinculados a negócios internacionais chineses – é bem capaz de o Brasil ser mais sensível à questão do que os EUA.
As bolsas parecem estar tendo uma visão mais calma de um possível default de um incorporador imobiliário chinês – as implicações macroeconômicas disso (especialmente fora da China) são provavelmente muito limitadas. Existem considerações de longo prazo sobre os prêmios de risco apropriados.
De qualquer forma, acredita-se que o estresse sobre as bolsas possa perdurar nas próximas semanas, uma vez que a incerteza permanece em várias frentes e tem faltado um único grande direcionador para o mercado ultimamente.
Anote aí!
Os grandes anúncios do dia são as decisões de política monetária dos EUA e do Brasil.
Ainda assim, outros eventos também chamam atenção, como as vendas de casas existentes para agosto de amanhã nos EUA, por exemplo.
Aqui no Brasil, vale acompanhar o ministro da Economia, Paulo Guedes, que se reúne com o secretário geral da OCDE, Mathias Cormann, na manhã de hoje.
Adicionalmente aos itens de Brasília já ponderados acima, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vota a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Eleitoral.
Aprovada em agosto pela Câmara, a proposta prevê a volta das coligações proporcionais, mas a CCJ avalia rejeitar a medida.
Muda o que na minha vida?
Nos EUA, a Câmara aprovou na noite de terça-feira, por uma votação de 220-211, a medida para financiar o governo no início de dezembro, suspendendo o limite da dívida federal (US$ 28,5 trilhões) e fornecendo ajuda a vítimas de desastres (Furacão Ida) e refugiados (Afeganistão), estabelecendo um confronto de alto risco com os republicanos que se opõem ao pacote, apesar das perspectivas de uma crise fiscal iminente. O projeto agora vai para o Senado, onde provavelmente enfrentará grande oposição do Partido Republicano.
Em linhas gerais, o pacote aprovado na terça-feira forneceria dinheiro provisório para manter o governo financiado até 3 de dezembro e estender o teto da dívida até o final de 2022. Embora a suspensão do teto da dívida permita ao governo cumprir as obrigações financeiras já incorridas, os republicanos argumentaram que isso também facilitaria uma farra de gastos nos próximos meses.
O impasse coloca o governo em risco de inadimplência técnica (o famoso shutdown), o que significa que ele não seria capaz de fazer todos os seus pagamentos regulares integralmente e dentro do prazo, o que ameaça interromper o crescimento econômico dos EUA. Seria uma catástrofe econômica generalizada.
Para esclarecer, o teto da dívida trata-se de um limite de quanto o governo dos Estados Unidos pode tomar emprestado para financiar suas operações. Foi introduzido durante a Primeira Guerra Mundial para que o Congresso não tivesse que aprovar todas as emissões de títulos pelo Departamento do Tesouro como havia feito anteriormente. Este mesmo teto foi suspenso dezenas de vezes ao longo dos anos, incluindo 3 vezes durante a administração Trump.
Ao longo dos anos, o teto da dívida tornou-se uma arma política, podendo ser usado como obstrução pelos congressistas que desejam barrar a agenda progressista de Joe Biden. Neste sentido, a situação acaba complicando as negociações sobre o projeto de lei de US$ 3,5 trilhões, que aprimorou as expectativas de crescimento americano.
Fique de olho!
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