2020-05-22T12:11:25-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Revolução digital acelerada

Crescimento do e-commerce chama a atenção e BTG eleva recomendação para Via Varejo

Segundo o BTG, o crescimento do e-commerce nas plataformas da Via Varejo intensificou o processo de migração digital da companhia. Ações podem ter potencial de mais de 42% de alta

22 de maio de 2020
11:50 - atualizado às 12:11
Casas Bahia é uma das redes de lojas operadas pela Via Varejo - Imagem: Divulgação

O coronavírus tem afetado diretamente o funcionamento das varejistas no país, com a necessidade de isolamento social obrigando o fechamento de lojas e trazendo uma incerteza maior quanto ao cenário econômico da população para os próximos meses.

Ainda assim, as companhias desse setor estão conseguindo sustentar o seu funcionamento com medidas inovadoras. Sem que o cliente possa ir até as lojas ou ao shopping, as plataformas digitais ganharam uma importância ainda maior dentro das estratégias dessas companhias.

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A Via Varejo (VVAR3), que desde o ano passado tem tentado implantar uma 'revolução digital' em seus serviços, é uma das companhias a colher bons frutos. Tanto é que a sua operação online chamou a atenção do BTG Pactual, que elevou a sua recomendação para compra das ações da empresa.

No relatório, assinado por Luiz Guanais e Gabriel Savi, a instituição destaca, primeiramente, os números apresentados pela Via Varejo no primeiro trimestre e as fortes expectativas pelos números dos próximos três meses - que devem trazer os impactos do coronavírus na operação da companhia.

De janeiro a março, a Via Varejo teve um lucro líquido de R$ 13 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 50 milhões no mesmo período de 2019. A receita líquida foi de R$ 6,339 bilhões e o Ebitda ajustado somou R$ 621 milhões. A empresa considerou R$ 87 milhões para cobrir os impactos gerados pela pandemia da covid-19 no seu caixa.

Além de elevar a ação da companhia para 'compra', o banco também estabeleceu um novo preço-alvo, de R$ 13 - o que deixa espaço para um aumento de mais de 42% em comparação ao fechamento de ontem, R$ 9,16. A estimativa do BTG ja leva em conta um cenário melhor para as operações online da companhia e as dificuldades enfrentadas pelas lojas físicas no curto prazo.

Revolução digital

Mas a verdadeira estrela tem sido a expansão do e-commerce da Via Varejo, um dos objetivos da companhia desde 2019, quando ela apresentou seus planos de otimizar a performance de suas lojas físicas, aumentar sua capacidade online, melhorar o mix de produtos, crescimento na concessão de créditos, maior eficiência e expansão online e offline, entre outras coisas.

Os primeiros resultados da 'revolução digital' pretendida pela companhia começam a aparecer, em um momento em que os consumidores fazem uma migração mais rápida para as plataformas digitais de compra, já que o coronavírus inseriu essa necessidade maior na sociedade.

Nos últimos meses, a empresa viu um crescimento no tráfego em suas plataformas. O BTG não ignora o 'efeito corona' nesses números, mas acredita que essa migração e preferência maior pelo e-commerce deve ser uma tendência também para os próximos meses, ainda que a taxa de conversão apresente uma queda - com a menor confiança do consumidor e na redução da renda média da população como reflexos da crise.

A tranformação digital da companhia, foi um dos pontos levantados pelo presidente da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer, durante a teleconferência com analistas para apresentar os números do primeiro trimestre. Segundo o executivo, ainda tem bastante inovação para vir pela frente e é possível uma revolução digital em 10 meses.

Além do crescimento no tráfego de clientes, a Via Varejo também tem crescido no segmento de eletronicos e eletrodomésticos. Nos próximos meses, a empresa ainda deve refletir as vendas durante o Dia das Mães - responsável por parte do salto nas vendas do e-commerce em maio.

Saindo um pouco da evolução digital da Via Varejo, o relatório ainda que a empresa apresenta uma liquidez sob controle, mesmo que não esteja no mesmo nível que os seus principais concorrentes.

A Via Varejo terminou o primeiro trimestre de 2020 com R$ 2,1 bilhões no Caixa, contra R$ 1,4 bilhão no quarto trimestre de 2019. A empresa também tem R$ 1,5 bilhão em débito no curto prazo,

Os números da Via Varejo

A operação online da Via Varejo apresentou uma performance sólida no primeiro trimestre, com crescimento de usuários ativos nos aplicativos das Casas Bahia e do Ponto Frio - indo de 1,5 milhão em junho para 8 milhões somente em março. Em abril, o número chegou a 11,2 milhões.

Em tempos de coronavírus, com o número de lojas abertas drasticamente reduzidos, a procura por entregas rápidas, feitas em até 24 horas passou a representar 28% das vendas online. Uma novidade, a venda feita por Whatsapp também teve boa aceitação do público e já é responsável por 20% das vendas online.

O BanQi, lançado no ano passado com o intuito de acelerar a presença digital da Via Varejo, também tem tido resultados expressivos, com presença em 100% das lojas físicas e mais de 1 milhão de download do aplicativo.

Segundo o BTG, o tráfego de clientes nas plataformas e-commerce da companhia cresceu 52% em abril, em comparação ao mês anterior, e 86% na comparação anual. A combinação de mais clientes acessando a plataforma e as melhorias no serviço digital promovidas pela empresa serão peças-chave no alcance da plataforma nos próximos trimestres, além de aumentar a diverficiação das categorias oferecidas ao consumidor.

BTG: e-commerce acelera migração digital

Recomendação: Compra

Preço-alvo: R$ 13

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