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Para Byron Wien, vice-presidente da Blackstone, que possui US$ 554 bilhões sob gestão, pagamento de dividendos altos vai dar novo fôlego aos preços das ações americanas.
Depois de crescer mais de 30% em 2019, há quem diga que o S&P 500 não vai parar por aí. Entre os defensores dessa tese está o bilionário e vice-presidente da empresa Blackstone Private Wealth Solutions, Byron Wien, que tem US$ 554 bilhões sob gestão.
Segundo ele, o S&P 500 pode ultrapassar os 3.500 pontos em 2020, o que representaria uma alta de 7% em relação ao fechamento da última quinta-feira (9).
Uma das razões para o otimismo é que o dividend yield das ações que compõem o índice está mais alto do que o retorno dos títulos do Tesouro americano com vencimento de dois anos. O dividend yield é o indicador que mostra quanto do valor de uma ação retorna para o acionista na forma de proventos.
Segundo ele, isso pode ajudar a trazer mais um impulso ao mercado de capitais.
Mas Wien faz uma ponderação: tanto o lucro das companhias como as margens operacionais atingiram o topo e agora estão caindo.
"Por essa razão, estamos otimistas com a alta do índice, mas não pensamos que há espaço para ir além dos 3.500 pontos."
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E não é só isso. Outro ativo que pode subir mais é o petróleo. Wien acredita que as tensões entre Estados Unidos e Irã podem fazer com que a cotação do petróleo WTI vá além dos US$ 70 o barril. A última vez em que isso ocorreu foi em outubro de 2018, quando a commodity bateu a casa dos US$ 71,92.
Segundo Wien, o clima de tensão entre Estados Unidos e Irã pode levar ao fechamento de um dos pontos mais importantes de passagem para o fornecimento global de petróleo, o Estreito de Hormuz, o que pode impactar na cotação da commodity.
As duas apostas - petróleo e S&P - fazem parte da lista de surpresas de Wien para 2020. Uma carta é preparada pelo investidor todos os anos. Em 2019, o veterano de Wall Street acertou oito dos dez palpites que deu.
Apesar da possibilidade de subida do S&P em 2020, o ataque norte-americano que levou à morte do general iraniano Qassem Soleimani deve pesar ainda mais para os mercados neste ano. E isso pode impedir maiores altas do principal índice da bolsa americana.
Wien destaca que, se os Estados Unidos entrarem em guerra com os iranianos, os americanos podem reduzir o consumo, o que pode fazer com que a economia precise de mais alguns estímulos para não desacelerar.
Sobre a política monetária, Wien espera que o banco central americano (Fed) corte os juros mais duas vezes ao longo do ano, mesmo que a instituição tenha sinalizado que deve optar pela estabilidade. Com isso, a taxa de juros americana deve terminar 2020 próxima de 1%. Atualmente, ela está entre 1,5% e 1,75%.
Além do perigo de uma possível guerra com o Irã, a falta de medidas mais concretas para a fase 2 do acordo entre Estados Unidos e China assustam o bilionário. A primeira fase deve ser assinada na próxima semana.
"A China não vai desistir de adquirir propriedades intelectuais de empresas americanas e isso pode fazer com que fique cada vez mais difícil chegar a um acordo definitivo."
Diante desse cenário, o veterano de Wall Street diz que o presidente americano Donald Trump deve tentar mais uma vez usar a sua autoridade e poder para estimular o crescimento e afastar a possibilidade de uma recessão.
Para contornar a situação, Wien espera que Trump volte a reduzir os impostos cobrados das empresas para impulsionar o emprego e colocar mais dinheiro nas mãos dos consumidores.
Apesar dos estímulos tributários e das novidades apresentadas, as ações de gigantes de tecnologia como Facebook, Amazon, Alphabet e Netflix (FAANGs) não tiveram um bom ano e acumularam desempenho inferior ao S&P ao longo de 2019.
E para 2020, a projeção não é muito melhor. "As empresas de tecnologia devem enfrentar problemas por conta de cunho mais social e político por conta de investigações do governo", aponta o veterano de Wall Street.
Mas não são só elas que podem ser impactadas negativamente neste ano. Na carta, Wien se mostrou mais cético com relação ao lançamento de protótipos de carros autônomos.
"Uma série de acidentes envolvendo veículos experimentais pode fazer com que grandes companhias voltem atrás e anunciem uma pausa no desenvolvimento de tecnologias voltadas para os carros autônomos", destaca.
Fora do setor de tecnologia, a questão muda um pouco. Na opinião de Wien, uma das beneficiadas pode ser a Boeing. Os problemas envolvendo o modelo 737 MAX da companhia devem ser resolvidos, e as entregas da aeronave devem ser retomadas neste ano.
"O modelo tem grandes chances de se tornar conhecido ao redor do mundo ao permitir que companhias aéreas tenham uma operação mais eficiente e aumentem o seu lucro. As ações da companhia devem melhorar em 2020."
E a situação complicada do ponto de vista econômico não é exclusividade dos Estados Unidos. A expectativa de Wien é que a economia na zona do euro também permaneça em desaceleração e que os mercados europeus (fora o Reino Unido) tenham performances inferiores aos mercados norte-americano e asiáticos em 2020.

Entre os motivos para o melhor desempenho do Reino Unido estão o estabelecimento de um acordo seguro em que o conjunto de países deve sair como o grande vencedor em seu "divórcio" com a União Europeia.
Segundo Wien, o Reino Unido pode se beneficiar de um longo período de transição e por isso, o especialista espera que o crescimento econômico por lá exceda os 2%.
A razão, segundo ele, é que haverá aumento de investimentos externos diante de um cenário menos nebuloso para os investidores que acreditam no conjunto de países.
Apesar de estar mais positivo com a economia do Reino Unido agora, Wien errou no ano passado ao dizer que não seria aprovado algum acordo com relação ao Brexit.
Outro ponto que o especialista não acertou foi sobre o ouro. Ao apostar na melhora dos mercados norte-americanos, Wien preferiu não recomendar investimentos em metais como o ouro.
Na avaliação dele, a commodity teria caído US$ 1.000, enquanto o mercado de ações tanto nos Estados Unidos quanto fora teria melhorado.
Não é à toa que entre as apostas de Wien estavam uma alta de 15% para o S&P 500, que no fim do ano passado subiu mais de 30%.
O bilionário acreditava que o crescimento mais fraco da economia mundial incentivaria o Fed, o banco central dos EUA, a não promover mais aumentos na taxa de juros durante o ano.
Diante desse cenário, Wien esperava que o valor de mercado das empresas voltasse a ficar atrativo depois de um ano ruim para as bolsas americanas, em que todas terminaram no vermelho, no pior resultado em uma década.
Outro acerto do veterano de Wall Street foi sobre os emergentes. Um ano atrás, Wien previu que o Brasil voltaria a ser uma das apostas entre os emergentes, ainda que o gringo não tenha vindo com força para o país.
Na época, ele destacou que o Brasil voltava a chamar atenção diante da ascensão de um governo mais conservador. Na visão dele, o preço das ações por aqui também estava bem atrativo, se comparado aos anos anteriores e aos mercados mais desenvolvidos.
Wien disse também que a contínua expansão da classe média em países como China e Brasil incentivaria o aumento da renda e a confiança do consumidor.
Mesmo diante de erros e acertos sobre o comportamento da economia no ano passado, Wien preferiu manter a carteira que havia recomendado em 2019 para investidores que estiverem dispostos a receber maior retorno e consequentemente, dispostos a correr maior risco.
Na hora de escolher, o especialista voltou a não apostar no ouro e preferiu separar 10% do patrimônio para investir em ativos de mercados emergentes. A justificativa é que eles têm maior potencial de crescimento, o que poderia oferecer retornos mais atrativos.
Outro detalhe é que a aposta em ativos de mercados europeus ficou em apenas 5%, por conta da expectativa de desaceleração da economia. No caso dos ativos japoneses, a alocação foi semelhante. Na visão de Byron, há melhores oportunidades em outras bolsas que não a japonesa.
Com perspectivas mais negativas para Europa e Ásia, a maior aposta de Wien continua sendo no mercado norte-americano. O veterano de Wall Street alocou cerca de 15% da carteira em ativos dos Estados Unidos.
Já o resto da alocação da carteira foi em ações de multinacionais (empresas de grande porte e bastante líquidas), hedge funds, investimentos no mercado imobiliário e fundos de private equity.
Há também aplicações em commodities agrícolas e recursos naturais, assim como outras formas não muito convencionais de investimento em renda fixa, como em dívidas de mercados emergentes.
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