Campos Neto não falou de dólar, mas reforçou que papel do BC é manter inflação baixa
Presidente também disse que com cautela e perseverança, BC seguirá contribuindo para um ambiente de crescimento econômico sustentável

Os colegas jornalistas e fomos eu até o Museu de Valores do Banco Central para ouvir o presidente Roberto Campos Neto. O mote era a abertura de uma exposição sobre os 25 anos do Plano Real e o lançamento de uma moeda comemorativa.
Nada emocionante para o mundo dos mercados, mas é a famosa pauta “vai que”. Vai que ele resolve falar algo de dólar ou taxa Selic.
Não foi. O presidente se manteve fiel ao tema e perguntando se poderia comentar a movimentação do câmbio, enquanto exibia as novas moedas às câmaras, disse que veio para falar de beija-flor. Ave que estampa a moeda em referência à primeira cédula de R$ 1, lançada em 1994.

Mas seu discurso serviu para reafirmar alguns princípios:
- A principal contribuição que a política monetária pode dar é a inflação baixa e estável, objetivo cumprido com os recentes resultados na meta para a inflação.
- É com estabilidade monetária que conseguiremos convergir para taxas de juros a níveis mais adequados, a começar pela taxa básica, que se encontra no mínimo histórico. Com cautela e perseverança, seguiremos contribuindo para um ambiente de crescimento econômico sustentável.
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O uso dos termos “cautela e perseverança” remeteu a uma mensagem de política monetária que o BC reafirmou do fim da gestão Ilan Goldfajn até a reunião de maio, quando os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) optaram por não mais repetir essa mensagem em sua comunicação, “posto que se trata de questão principiológica que já deveria estar bem assimilada”.
A mensagem em questão, que servia como senha para manutenção da taxa em 6,5% ao ano, era a seguinte: “O Copom avalia que cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas”.
Como isso agora é uma questão principiológica não dá para falar que o BC mudou sua mensagem atual, de que há espaço para corte adicional da Selic, mas que o Copom vai seguir avaliando o balanço de risco, projeções e expectativas até a reunião do dia 18 de setembro.
O aumento da incerteza externa e seus reflexos sobre o dólar são, justamente, os dois grandes pontos de incerteza. No mercado, a posição majoritária é de que um dólar mais alto não barraria novos reduções da Selic. A conferir até o dia 18 de setembro.
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