A Bula da Semana: Enfim, o tão esperado alívio
Perspectiva de alívio monetário do Fed e do Copom monopoliza expectativas

Depois de meses e meses de queda de braço entre agentes do mercado financeiro e banqueiros centrais mundo afora, um novo ciclo de alívio monetário deve acalmar um pouco a ansiedade nos mercados financeiros a partir da metade final desta semana.
O Federal Reserve Bank dos Estados Unidos (Fed) e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) anunciarão na quarta-feira, com apenas algumas horas de diferença, suas respectivas decisões de juro. Em ambos os casos, a expectativa dos analistas é de as taxas de referência sejam cortadas.
Esperava-se na semana passada um corte de juro pelo Banco Central Europeu (BCE), mas o presidente da autoridade monetária da zona do euro, Mario Draghi, tratou de jogar um balde de água fria nos mercados e passar a batata quente para as mãos do Fed.
Seja no Brasil, na Europa ou nos Estados Unidos, os banqueiros centrais resistem há meses às pressões por cortes de juros, até pelo entendimento de que qualquer alívio monetário depende de outras medidas para que possa surtir algum efeito e fazer frente aos riscos derivados de uma desaceleração econômica em escala global.
Não bastassem os agentes dos mercados financeiros, o presidente dos EUA, Donald Trump, é um dos maiores entusiastas do alívio monetário. Desde os primórdios de seu mandato, Trump arruma sempre um jeito de direcionar sua hostilidade ao Fed na tentativa de influenciar a política monetária do banco central norte-americano.
Trump acusa a autoridade monetária de seu país de fazer os norte-americanos pagarem juros altos demais e age como se tivesse a diretoria do Fed sob a mira de um revólver com o objetivo de coagi-la a intervir rapidamente e de acordo com seus interesses políticos de curto prazo.
Leia Também
VISC11 quer mais caixa e menos alavancagem: entenda por que o FII de shoppings buscou uma ‘gordurinha extra’
Ambev (ABEV3) desbanca gigantes como a ação mais negociada da B3 por um grupo de investidores; descubra qual
A preocupação de Trump tem muito menos a ver com os juros pagos nos EUA e mais com a abertura de espaços para elevar gastos e estourar ainda mais o endividamento do governo.
Em seus mais recentes depoimentos perante o Congresso dos EUA, o presidente do Fed, Jerome Powell, deixou claro que as principais razões por trás de qualquer discussão de corte de juros neste momento nos EUA são a política de guerra comercial de Trump contra o mundo e o descontrole nos gastos do governo.
Em suma, com ou sem a truculência verbal do presidente, o risco Trump forçará um relutante Fed a cortar juros mais cedo ou mais tarde.
Há quem considere que o momento para o início do primeiro ciclo de alívio monetário do Fed em uma década tenha chegado.
Na última sexta-feira, os dados preliminares do PIB dos EUA no segundo trimestre deste ano apontaram para uma desaceleração econômica de um ponto porcentual em termos anualizados, de +3,1% no primeiro trimestre para +2,1% no seguinte.
O número veio até um pouco melhor do que a expectativa dos analistas (+2%), mas foi suficiente para confirmar as suspeitas de que a conta da guerra comercial, que esta semana ganhará um novo capítulo com a chegada de uma delegação norte-americana à China para retomar negociações, começou a ser cobrada e reforçar as apostas em um corte juro pelo Fed já na quarta-feira.
No Brasil, uma nova realidade se avizinha
Apenas algumas horas depois da decisão do Fed, o Copom anunciará sua decisão de política monetária. Na visão dos analistas, a queda da taxa Selic é dada como certa. A divergência está na extensão do corte na taxa de juro de referência no Brasil.
O consenso é de um corte de pelo menos 0,25 ponto porcentual na taxa Selic. Há quem espere um corte mais ousado, de 0,50 ponto porcentual, enquanto uma parcela minoritária acredita na manutenção da Selic a 6,50% ao ano.
Assim como o Fed, o Copom encontra-se há meses sob pressão dos players do mercado financeiro para que corte juro. Assim como ocorreu recentemente com a reforma trabalhista e depois com a reforma da previdência, o afrouxamento monetário tem sido vendido por seus defensores como panaceia para os males brasileiros.
Na prática, porém, a teoria é outra. O BCB já mantém a taxa Selic em seu nível mínimo histórico - 6,5% - desde março do ano passado. Ou seja, qualquer que seja o corte decidido na quarta-feira, a Selic renovará seu piso histórico.
Até algumas semanas atrás, o consenso era de que a taxa básica de juro chegaria ao fim de 2019 a 5,5% ao ano. Mas os persistentes indícios de que os dados do PIB do segundo trimestre confirmarão as suspeitas de uma recessão técnica no Brasil já levam alguns agentes do mercado a financeiro a precificarem a Selic abaixo de 5% no fim do ano.
Com isso, analistas têm sugerido que uma nova realidade se avizinha para quem investe nos mercados financeiros locais. Afinal, a queda da Selic somada a uma inflação oficial que desacelera a cada nova leitura leva o retorno dos investimentos em renda fixa a níveis irrisórios.
Como a Selic não deve voltar a subir tão cedo, gestores de carteira se veem diante da necessidade repensar suas carteiras de modo a proporcionar retornos mais elevados a seus clientes. E com o juro real a níveis mínimos, quem busca rendimentos mais altos precisa sair da renda fixa e assumir riscos.
Resta saber como isso vai funcionar na terra do “capitalismo sem risco”.
Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:
Segunda-feira: A semana começa com a divulgação da pesquisa semanal Focus do Banco Central do Brasil em meio à expectativa de novas revisões nas estimativas do mercado para a inflação, o PIB e a taxa Selic. Às 10h30, o BCB divulga o resultado primário do setor público em junho. Após o fechamento do mercado, o Itaú divulga seu balanço referente ao segundo trimestre de 2019.
Terça-feira: Na madrugada, o Banco do Japão (BoJ) anuncia sua decisão de política monetária em meio a expectativas de manutenção da taxa de juro negativa. Na China, delegação norte-americana desembarca para retomada de negociações comerciais entre Washington e Pequim. No Brasil, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga às 8h os números referentes a julho do IGP-M, que mede a variação de preços de itens como aluguéis, matérias-primas e bens e serviços finais. Ainda pela manhã, o Departamento de Comércio dos EUA divulga os dados sobre renda e gastos pessoais no país. Após o fechamento do mercado, a CSN divulga seu resultado financeiro no segundo trimestre.
Quarta-feira: O dia começa com a divulgação da taxa de desemprego na zona do euro. Ainda pela manhã, serão conhecidos os dados sobre a geração de empregos no setor privado nos EUA em julho. No Brasil, o IBGE divulga às 9h o índice de preços ao produtor e os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad contínua), que traz a taxa de desocupação no Brasil, ambos referentes a junho. Também antes da abertura do Ibovespa, a Vale divulga balanço referente ao trimestre abril/maio/junho. Fed e Copom: Às 15h, o Fed anuncia sua decisão de política monetária. O anúncio será seguido de entrevista coletiva concedida pelo presidente do Fed, Jerome Powell. Às 18h, o Copom divulga sua decisão de juro.
Quinta-feira: Às 9h, o IBGE divulga os dados de produção industrial referentes a junho. No fim da manhã será divulgado o índice ISM de atividade industrial nos EUA em julho. Após o fechamento do mercado, a Petrobras divulga seu balanço referente ao segundo trimestre de 2019. À noite, o BoJ divulga a ata de sua reunião de política monetária de junho.
Sexta-feira: O Departamento de Trabalho dos Estados Unidos divulga às 9h30 seu relatório sobre o mercado de trabalho (payroll) junto com o índice oficial de desemprego no país em julho. No mesmo horário, o Departamento de Comércio dos EUA anuncia os números da balança comercial norte-americana referentes a junho.
ELEIÇÕES 2026
Lula x Flávio Bolsonaro: como a disputa presidencial e o nó fiscal vão ditar o rumo dos investimentos
24 de agosto de 2026 - 17:03RECOMENDAÇÃO NEUTRA
UBS BB passa a tesoura no preço-alvo de Santander (SANB11) e desiste da recomendação de olho em OPA; o que aconteceu?
24 de agosto de 2026 - 15:22DESTAQUES DA BOLSA
Casamento à vista? Yduqs (YDUQ3) dispara 12% após confirmar conversas com dona da Afya (AFYA) para combinação de negócios
24 de agosto de 2026 - 11:27EM MEIO A UM "VALE DE DESEMPENHO"
Após o ‘maior erro de sua história’, Squadra coloca Meli (MELI34) e Nubank (ROXO34) entre as maiores apostas e vê oportunidades ignoradas pelo mercado
24 de agosto de 2026 - 11:07CARTEIRA SEMANAL
Quer ganhar do Ibovespa? Terra aposta em WEG (WEGE3), MBRF (MBRF3) e mais 3 ações nesta semana
23 de agosto de 2026 - 15:30SOB PRESSÃO
TRXF11 está dando um passo maior que a perna? CEO responde, mas mercado não compra e cota cai mais de 9% nesta semana
22 de agosto de 2026 - 14:33SOBE E DESCE
Ibovespa engata 3ª semana de sangria, e Hapvida (HAPV3) despenca de novo; veja quais ações sobreviveram
22 de agosto de 2026 - 12:11PIOR DO RANKING
Do topo ao poço da América Latina: Ibovespa perde o encanto e entra na lanterna dos gringos
21 de agosto de 2026 - 19:33ADEUS, ESTRANGEIRO
UBS vê exagero no medo dos juros nos EUA, mas alerta: Brasil está entre os mercados mais vulneráveis
21 de agosto de 2026 - 18:31BOTA CASACO, TIRA CASACO
Hapvida (HAPV3) convence ANS e consegue derrubar trava sobre reajustes — mas agência ficará de olho
21 de agosto de 2026 - 18:02AÇÕES PARA COMPRAR AGORA
As melhores oportunidades desde a crise Dilma: após a bolsa perder o equivalente a uma Vale (VALE3), gestor revela onde investir
21 de agosto de 2026 - 17:17Conteúdo BTG Pactual
FI-Infra: Conheça classe de ativos e saiba se vale a pena investir agora
21 de agosto de 2026 - 16:00TOUROS E URSOS #284
Até os gênios da Faria Lima desistiram? Por que a crise dos multimercados não é o fim da indústria
20 de agosto de 2026 - 19:02CORRIDA DO OURO
Novo tesouro? Quem é a desconhecida Amapá Minerals, mineradora de ouro que conquistou o BTG Pactual e pode saltar 62%
20 de agosto de 2026 - 18:01PENTE-FINO
Hapvida (HAPV3) ganha novo problema: ANS barra estratégia que coloca 950 mil clientes na mira e ações caem mais de 7%
20 de agosto de 2026 - 17:35DISPARADA NAS ÚLTIMAS HORAS
O que fez o bitcoin disparar 20% e voltar aos US$ 72 mil? Três fatores explicam a arrancada
20 de agosto de 2026 - 10:40CONTEÚDO BTG PACTUAL
Um novo jeito de investir na Amazônia: Conheça o AMAB11, ETF do BTG Pactual
20 de agosto de 2026 - 9:30ANALISTAS RECOMENDAM A COMPRA
Embraer (EMBJ3), Sabesp (SBSP3) e Rede D’Or (RDOR3) têm gatilho em comum para o BTG e a XP; entenda por que investir
19 de agosto de 2026 - 18:12DO PICO AO PISO
A pior semana para a bolsa brasileira em 18 anos: você deve seguir a fuga de R$ 12,6 bilhões dos estrangeiros?
19 de agosto de 2026 - 14:28PECHINCHA OU VALOR?