Ativos locais devem iniciar o dia a reboque dos EUA
Indicadores econômicos e balanços corporativos norte-americanos darão o tom na abertura

Os ativos financeiros locais devem amanhecer a reboque de eventos e dados externos nesta terça-feira, reagindo especialmente a notícias vindas dos Estados Unidos. Serão conhecidos na manhã de hoje os dados de vendas nos varejo e os números da produção industrial norte-americana em junho.
Em ambos os casos, a expectativa dos analistas é de que os dados mantenham o ritmo observado nos meses anteriores, permanecendo em níveis considerados saudáveis para a economia dos EUA.
Ainda assim, os indicadores, assim como uma fala do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, programada para o início da tarde, têm o potencial de fornecer novos indícios sobre os próximos passos do banco central-norte americano. Mais precisamente, sobre quando o Fed deflagrará sua primeira rodada de cortes de juros em uma década.
O fator Trump
Na semana passada, em depoimento ao Congresso, Powell deixou claro que o principal fator de instabilidade discutido pelos diretores da autoridade monetária é a política de guerra comercial do presidente Donald Trump contra os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, com efeitos nocivos para a economia global em um momento de desaceleração econômica em larga escala.
Alguns analistas inclusive consideram frágil a justificativa do Fed para alterar sua política monetária e dizem que a ação no juro seria meramente preventiva, uma vez que o desemprego encontra-se no nível mais baixo em meio século e outros importantes indicadores econômicos mostram uma situação aparentemente saudável. Em outras palavras, os diretores do Fed estariam considerando Trump como o principal fator de risco à economia norte-americana.
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Enquanto isso, prossegue nos EUA a temporada de balanços corporativos em meio a perspectivas nebulosas, principalmente para as empresas pegas no meio do bangue-bangue comercial de Trump contra o mundo. Os dados trimestrais mais esperados são os dos bancos JP Morgan e Wells Fargo, ambos com grande potencial de influenciar a direção dos negócios em Wall Street nesta terça-feira.
Hoje, as bolsas de valores asiáticas fecharam sem direção clara, com os investidores cautelosos à espera dos balanços corporativos. Na Europa, os mercados de ações iniciaram a sessão com altas discretas, enquanto os indicadores futuros de Nova York oscilavam perto da estabilidade.
Novas turbulências políticas à vista
Por aqui, às vésperas do início do recesso parlamentar, o fator político insiste em não se recolher para o segundo plano. Encerrada a votação da reforma da previdência em primeiro turno, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deixou claro em entrevistas concedidas nos últimos dias que o Congresso pretende assumir de vez o protagonismo da política nacional em nome de “políticas de Estado”, sinalizando que os projetos considerados benéficos exclusivamente para o governo do presidente Jair Bolsonaro subiram no telhado.
Nas entrevistas, Maia referia-se mais especificamente à realização de uma reforma tributária e à ideia do governo de privatizar tudo o que estiver ao alcance das mãos em busca de fôlego de curto prazo, temas que ganharão cada vez mais espaço nos debates no decorrer dos próximos meses.
Tanto na Câmara quanto no Senado, a reforma tributária idealizada pelo governo já possui projetos concorrentes originados nas próprias casas, em um sinal de que, assim como ocorreu na reforma da previdência, o Congresso pretende assumir a paternidade do tema.
Quanto às privatizações, Maia foi claro ao sugerir que o governo - e somente ele - pretende se beneficiar da liquidação de empresas estatais com objetivos curtoprazistas. De fato, lá se vão mais de seis meses de um governo que afirmava ter um plano claro de privatizações e até agora ninguém tem muita ideia sobre qual seria esse plano.
A extensão do ruído político, pelo que Maia deixa a entender, vai depender da disposição do governo de continuar se desentendendo com o Congresso. No momento, esse ruído soma-se a uma realização de lucros depois de o índice Ibovespa ter recentemente atingido novos recordes de fechamento. Na véspera, o Ibovespa fechou em queda e o real perdeu terreno frente ao dólar.
Enquanto isso, a Fundação Getúlio Vargas divulga hoje o IGP-10 de julho, com informações sobre o que poderá se esperar para os dados da inflação oficial em junho em um momento no qual o preço ao consumidor encontra-se bem abaixo do centro da meta do Banco Central.
Essa desaceleração eleva a pressão sobre a autoridade monetária por corte na taxa Selic e tem feito com que os contratos futuros de juros da dívida independam do humor em outros mercados e sigam projetando queda.
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