Trump leva turbulência aos mercados, coloca bolsas em zona de perigo e faz o petróleo decolar
O temor de que o grande acordo prometido pelo presidente norte-americano não saia do papel — dando lugar à prontidão militar — fez os investidores apertarem o botão de venda

O cancelamento de um voo costuma trazer dor de cabeça para qualquer viajante, mas para o mercado financeiro nesta terça-feira (21), não houve remédio que desse jeito. A pausa na viagem do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que participaria de negociações cruciais com o Irã, foi o estopim para um clima de aversão ao risco que atravessou o Atlântico.
A alegação do governo norte-americano para a suspensão da viagem a Islamabad foi de falta compromisso por parte de Teerã.
Com o cessar-fogo prestes a expirar nesta quarta-feira (22), o temor de que o grande acordo prometido por Donald Trump não sairia do papel — dando lugar à prontidão militar — fez os investidores apertarem o botão de venda.
Em Nova York, o otimismo recente deu lugar à cautela. O S&P 500 recuou 0,63%, enquanto o Dow Jones recuou 0,59%. O Nasdaq, que vinha de sua maior sequência de vitórias desde 1992, encerrou o dia em baixa de 0,59%.
No Brasil, os mercados permaneceram fechados devido ao feriado de Tiradentes.
Assim que os mercados fecharam, no entanto, Trump informou que, a pedido do Paquistão, estenderia o cessar-fogo e as negociações com o Irã.
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Segundo o republicano, a trégua estará mantida até que a proposta iraniana seja submetida e discussões sejam concluídas. Trump indicou que os EUA manteriam os bloqueios aos portos iranianos.
Remédios não livram o mercado da dor de cabeça
O humor azedou de vez após reportagens do The New York Times e Axios confirmarem que a delegação norte-americana interrompeu o deslocamento devido à postura iraniana.
Trump, em entrevista à CNBC, manteve o tom de morde e assopra: disse esperar um acordo, mas reforçou que as forças armadas estão prontas para bombardear o Irã caso nada seja assinado.
Na Truth Social, o presidente norte-americano subiu o tom, acusando o Irã de violar o cessar-fogo inúmeras vezes.
Nem mesmo os bons resultados da UnitedHealth ou o investimento bilionário da Amazon na Anthropic foram suficientes para neutralizar o peso do Oriente Médio nas bolsas de Nova York e da Europa.
O depoimento de Kevin Warsh, indicado por Trump para comandar o Federal Reserve (Fed) em substituição a Jerome Powell, que deixa o banco central norte-americano em maio, acabou ficando em segundo plano.
Você pode conferir aqui tudo o que ele disse ao Senado dos EUA nesta terça-feira (21).
Economia no azul, brasileiro no vermelho: por que os dados não batem com a realidade?
Bolsas na Europa no vermelho e Ásia na contramão tecnológica
Na Europa, a terça-feira (21) foi de perdas generalizadas nas principais bolsas da região. O FTSE 100, em Londres, tombou 1,05%, enquanto o CAC 40, em Paris, recuou 1,14%.
Além da geopolítica, o cenário macroeconômico pesou: o índice de expectativas econômicas da Alemanha caiu para -17,2.
Em contrapartida, as bolsas asiáticas — que fecharam antes das declarações de Trump e da pausa na viagem de Vance — conseguiram ignorar o ruído diplomático, impulsionadas pelo setor de tecnologia.
O Kospi, na Coreia do Sul, saltou 2,7%, renovando máxima histórica com a força das fabricantes de chips como Samsung e SK Hynix. Em Tóquio, o Nikkei subiu 0,9%, com destaque para o SoftBank (+8,5%).
- Leia também: Do ouro e prata ao cobre e níquel, o tic-tac do cessar-fogo derruba commodities metálicas
Petróleo volta a acelerar com medo de gargalo
Entre as commodities, o movimento foi de inversão brusca. Após quedas recentes, os preços do petróleo voltaram a subir com a incerteza sobre as conversas entre EUA e Irã.
O temor foi de que a falta de um acordo comprometa a livre circulação pelo Estreito de Ormuz. Com isso, os futuros do WTI — usado como referência para o mercado norte-americano — subiram 4,29%, cotados a US$ 91,17.
Já o Brent — a referência do mercado internacional, inclusive para a Petrobras — com vencimento em junho avançou 4,35%, a US$ 99,63.
Com o aumento da tensão, o dólar (DXY) e os yields (rendimentos) dos Treasurys também subiram, refletindo a busca por proteção em um cenário no qual a diplomacia também parece ter perdido o voo.
No fim da tarde, o yield da T-note de 2 anos subia a 3,801%, o yield da T-note de 10 anos avançava a 4,311%, enquanto o yield da T-bond de 30 anos tinha alta a 4,915%.
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