Petróleo despenca quase 6% com avanço nas negociações entre EUA e Irã; Ibovespa sobe e Petrobras (PETR4) cai
Possibilidade de acordo de paz no Oriente Médio derruba o preço do barril, alivia temores inflacionários e impulsiona bolsas globais nesta segunda-feira (25)

Os mercados globais começaram a semana em clima mais otimista após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, movimento que derrubou o petróleo em quase 6% nesta segunda-feira (25) e ajudou a aliviar, ao menos temporariamente, parte das preocupações com inflação e juros ao redor do mundo.
O petróleo abriu o dia abaixo dos US$ 100, em meio à expectativa de um possível acordo entre Washington e Teerã.
Por volta das 12h55 (horário de Brasília), o contrato futuro do Brent — referência internacional — para agosto, era negociado a US$ 94,69, com queda de 5,52%. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos Estados Unidos, recuava 5,87%, a US$ 90,93 para julho.
Na sexta-feira (22), o Brent havia encerrado o pregão cotado a US$ 100,21.
Apesar do forte recuo recente, a commodity ainda acumula valorização expressiva no horizonte mais longo. Em uma semana, o Brent cai 11,94%, enquanto no acumulado de um mês a queda é de 10,14%. Em contrapartida, o petróleo sobe 33,59% em três meses, 51,49% em seis meses e 47,41% em um ano.
A leitura do mercado é de que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo no Golfo Pérsico, poderia aliviar os riscos de oferta global da commodity.
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O que derrubou o petróleo
A queda ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que um acordo com o Irã está próximo de ser concluído.
Segundo Trump, a proposta inclui a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano afirmou no sábado (23) ter conversado com líderes de países do Golfo, além de Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia e Bahrein, sobre um Memorando de Entendimento para a Paz.
Ele disse ter falado separadamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
No domingo (24), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que houve “progresso significativo” nas conversas.
Segundo autoridades estadunidenses ouvidas pelo jornal The New York Times, o Irã teria aceitado abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido como parte da proposta apresentada por Washington.
Os detalhes de implementação, porém, ficariam para uma etapa posterior das negociações.
Apesar do avanço das tratativas, “o bloqueio permanecerá em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”, escreveu o presidente na rede Truth Social.
Ibovespa sobe e petroleiras caem
No Brasil, o mercado acompanhou o movimento positivo do exterior, embora a liquidez estivesse reduzida por conta dos feriados nos Estados Unidos, Reino Unido e Hong Kong.
- Leia também: Inflação disparou? Economistas veem IPCA acima dos 5% e ainda mais longe da meta em 2026
Por volta das 12h43 (de Brasília), o Ibovespa avançava 0,44%, aos 176.99,30 pontos. Já o dólar recuava 0,65%, sendo negociado a R$ 5,00.
Na contramão do índice, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) operavam em queda, de 2,19% (R$ 49,05) e 1,89% (R$ 43,63) respectivamente, pressionadas pelo tombo do petróleo no mercado internacional.
Outras petroleiras brasileiras também registravam perdas ao longo da sessão. Prio (PRIO3), que tem maior exposição a preços mais altos de petróleo, por ter 100% da produção em óleo e menor nível de hedge, operava com queda de 3,29%, a R$ 66,15.
Bolsas globais entram em modo de alívio
Em Wall Street, os mercados acionários e de Treasurys permaneceram fechados nesta segunda-feira por conta do feriado do Memorial Day. Ainda assim, os futuros dos índices estadunidenses acompanharam o clima de maior apetite por risco.
Na Europa, as bolsas fecharam em alta diante da expectativa de distensão no conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com alta de 1,04%, aos 631,63 pontos, pelo quinto pregão consecutivo e no maior nível desde 2 de março.
A bolsa de Paris subiu 1,76%, Frankfurt avançou 2,03% e Milão ganhou 1,43% — renovando recorde, aos 50.220,35 pontos. Madri e Lisboa também registravam altas de 2,24% e 0,62%, respectivamente.
Na Ásia, o tom positivo também predominou. O índice Nikkei, do Japão, disparou 2,87% e fechou em nível recorde, aos 65.158,19 pontos, impulsionado principalmente por ações ligadas ao setor de chips, como a Kioxia Holdings e a Lasertec.
Na China continental, o índice Xangai Composto avançou 0,96%, enquanto o Shenzhen Composto subiu 0,94%. Em Taiwan, o Taiex saltou 3,26%.
Já os mercados da Coreia do Sul e de Hong Kong permaneceram fechados devido a feriados locais. Na Oceania, a bolsa da Austrália encerrou o dia em alta de 0,40%.
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