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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

NA CONTA DOS INVESTIDORES

Vem dividendo extraordinário? Petrobras (PETR4) deve depositar mais de R$ 55 bilhões em proventos em 2025, diz XP; estatal lança captação no exterior

Para os analistas, o valuation da estatal permanece “atraente”, com uma expectativa de dividend yield de cerca de 10%, considerando apenas os proventos ordinários

Camille Lima
Camille Lima
3 de setembro de 2024
10:09
Montagem com o logo da Petrobras e moedas representando os dividendos da estatal
Montagem com logotipo da Petrobras - Imagem: Shutterstock

A discussão sobre a possibilidade de dividendos extraordinários da Petrobras (PETR4) voltou outra vez à mesa. Desta vez, quem traçou essa expectativa foi a XP Investimentos, na esteira da divulgação do projeto de lei orçamentária anual (PLOA) de 2025 pelo governo federal — maior acionista da petroleira.

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Na visão dos analistas, a estatal deve pagar US$ 10 bilhões em proventos aos acionistas em 2025 — equivalente a R$ 55,82 bilhões no câmbio atual —, com possibilidade de remuneração adicional ainda no próximo ano.

Segundo a XP, a previsão é “consistente com as recentes distribuições de cerca de US$ 2,5 bilhões por trimestre” pela Petrobras. 

“Embora os dividendos ordinários tenham atendido às nossas expectativas, acreditamos que há espaço para um aumento adicional dos dividendos extraordinários”, avaliou a corretora, em relatório. 

Vem dividendos extraordinários da Petrobras (PETR4)?

A projeção da XP para os dividendos da Petrobras (PETR4) considera também as perspectivas do próprio governo federal em relação à remuneração da petroleira. 

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Na última segunda-feira (2), a União forneceu detalhes sobre o projeto de lei orçamentária anual (PLOA) de 2025.

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Segundo a PLOA, o governo prevê receber R$ 14,6 bilhões em dividendos pela participação direta na Petrobras, de 28,7%, considerando premissas como câmbio a R$ 5,19 e o petróleo do tipo Brent — referência no mercado internacional — a US$ 81 por barril.

“Suspeitamos que o orçamento havia incorporado apenas os dividendos ordinários da Petrobras”, afirmou a XP. 

Considerando os proventos de todas as empresas estatais, o governo espera embolsar em torno de R$ 34 bilhões — um declínio em relação ao ano anterior. 

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Para os analistas, o valuation da Petrobras permanece “atraente”, com uma expectativa de retorno com dividendos (dividend yield) de cerca de 10%, considerando apenas os proventos ordinários.

No entanto, a XP projeta um rendimento de fluxo de caixa livre (FCFE yield) de 16% para a Petrobras. 

Na perspectiva dos analistas, esse excesso de caixa poderia eventualmente ser distribuído aos investidores da estatal — inclusive na forma de dividendos extraordinários, com 6% de dividend yield.

“Há espaço para um aumento adicional de dividendos extraordinários, já que estimamos o FCFE da Petrobras em US$ 16 bilhões. Acreditamos que essa diferença de US$ 6 bilhões (rendimento de 6%) provavelmente se transformará em dividendos extraordinários mais adiante, com um potencial rendimento total de dividendos de 16%”, escreveu a XP.

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Preço do petróleo continua fator de risco

Apesar das expectativas otimistas dos analistas, os preços do petróleo continuam como o principal fator de risco para a Petrobras daqui para frente.

“A Petrobras está significativamente alavancada em relação aos preços do petróleo e, portanto, será diretamente afetada se o Brent permanecer em baixa por mais tempo”, escreveram os analistas.

Nas contas da XP, cada mudança de US$ 5 por barril de Brent impacta a política de dividendos da estatal em aproximadamente US$ 1,1 bilhão por ano.

Se analisado o efeito no fluxo de caixa livre, essa sensibilidade aumenta para cerca de US$ 2,5 bilhões, com impacto no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de cerca de US$ 3,7 bilhões.

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No entanto, a perspectiva da XP é que o petróleo deve se recuperar e continuar negociado a uma média de aproximadamente US$ 80 pir barril de Brent.

Captação no exterior

Além das expectativas em torno dos proventos da estatal, os investidores acompanham também uma nova captação da Petrobras no exterior.

A petroleira informou nesta terça-feira (3) que pretende lançar uma série de títulos no mercado internacional por meio da subsidiária Petrobras Global Finance B.V - PGF.

Os títulos terão vencimento em 13 de janeiro de 2035 e serão emitidos com garantia total e incondicional da Petrobras.

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A companhia ainda anunciou nesta manhã o início de uma oferta de recompra por essa mesma subsidiária de títulos emitidos no exterior, limitada a US$ 1 bilhão (R$ 5,58 bilhões).

“As operações estão em linha com a gestão de dívida da companhia, mantendo o compromisso de controle do endividamento em nível saudável para empresas do segmento e porte da Petrobras”, afirmou a empresa, em comunicado enviado à CVM.

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