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O momento conturbado envolvendo indicações do governo e cobranças bilionárias ainda pesa sobre a Vale, cujas ações acumulam perdas no ano

A última vez que a Vale (VALE3) apresentou dados operacionais, estava em um caldeirão: o governo tentava emplacar o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, no comando da companhia. Naquela ocasião, os números revelaram uma produção que superou as projeções, mas preços menores praticados pela mineradora. A fotografia daquele momento e a de agora não são muito diferentes.
A Vale apresentou nesta terça-feira (16) os dados operacionais do primeiro trimestre de 2024 e a produção de minério de ferro somou 70,8 milhões de toneladas métricas (Mt), o que representa uma alta de 6,1% em base anual. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, houve queda de 20,8%.
Já as vendas de minério de ferro avançaram 14,7% nos três primeiros meses do ano na comparação com o mesmo período de 2023, mas tiveram queda de 29,3% na base trimestral, para 63,8 Mt. As vendas de finos de minério aumentaram 14,6% em termos anuais e recuaram 32,5%, para 52,5 Mt.
“O desempenho no 1T foi marcado por vendas robustas de minério de ferro, que aumentaram 15% na comparação ano a ano, e pela melhoria consistente nas operações de minério de ferro”, diz a Vale em relatório.
O documento também mostrou que os preços dos finos de minério de ferro caíram 7,3% no primeiro trimestre de 2024 ante o mesmo período de 2023, para US$ 100,7 por tonelada. Na comparação trimestral, a baixa foi 14,9%.
Já os preços das pelotas de minério recuaram 1,3% na mesma comparação, para US$ 163,4. No ano, os preços recuaram 14,2% na comparação com 2023, a US$ 161,9.
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Em termos de comparação, nesta terça-feira (16) o contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para setembro de 2024, fechou em queda de 1,49%, cotado a US$ 114,11 — com isso, a commodity interrompeu o movimento de recuperação visto nos últimos seis pregões. Confira o desempenho dos mercados hoje.
A produção de cobre da Vale totalizou 81,9 mil toneladas (kt) no primeiro trimestre de 2024, um aumento de 22,2% em base anual e uma queda de 17,4% na comparação com os três meses imediatamente anteriores.
A produção de níquel, por sua vez, diminuiu 3,7% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior, e foi também 12% menor em base trimestral, totalizando 39,5 kt — em linha com o guidance.
No cobre, Salobo 3 atingiu cerca de 90% de taxa média de processamento no trimestre e a melhor performance de Salobo 1 e 2 também ajudaram.
No níquel, as operações do Canadá e da Indonésia entregaram um desempenho mais forte em base anual, e a reforma do forno de Onça Puma também impulsionou o resultado.
As ações da Vale terminaram o dia com queda de 0,94%, cotadas a R$ 61,41. Embora, no mês, os papéis acumulem ganho de 0,95%, no ano, a perda acumulada chega a 17%.
Essa queda também é resquício de uma relação que deixou marcas. Não faz muito tempo que o governo Lula trabalhou nos bastidores para emplacar Mantega no cargo de presidente da mineradora.
Essa tentativa fracassou — o atual CEO da Vale, Eduardo Bartolomeo, deve seguir no cargo até o fim deste ano — mas o Ministério dos Transportes não abriu mão de notificar a mineradora de uma cobrança de R$ 25,7 bilhões em concessões renovadas antecipadamente no fim do governo Jair Bolsonaro.
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