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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

É HOJE

Sem dividendos da Petrobras (PETR4) dessa vez? Produção menor e demora no repasse dos combustíveis devem pesar no resultado do 2T24

A estatal divulga nesta quinta-feira (8), após o fechamento do mercado, o desempenho financeiro entre abril e junho; o Seu Dinheiro mostra o que pode vir por aí

Carolina Gama
8 de agosto de 2024
6:01 - atualizado às 17:47
Fachada da sede da Petrobras (PETR3; PETR4)
Fachada da sede da Petrobras (PETR3; PETR4) - Imagem: Agência Petrobras

A queda da produção de petróleo e a defasagem do preço dos combustíveis devem pesar sobre os resultados da Petrobras (PETR4) no segundo trimestre de 2024. A estatal divulga o balanço do período nesta quinta-feira (8), após o fechamento do mercado, e a expectativa é de que esse combo comprometa a distribuição de dividendos aos acionistas

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As projeções indicam que a petroleira teve lucro líquido 38,8% menor entre abril e junho na comparação anual, a R$ 17,610 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, o resultado deve ser 25,7% mais baixo. 

Confira as projeções compiladas pela Bloomberg para os resultados da Petrobras no segundo trimestre de 2024, em base anual: 

CâmbioLucro líquidoReceitaEbitda
Em reais17,610 bilhões (-38,8%)132,238 bilhões (+16,2%)66,586 bilhões (+17,5%)
Em dólares 3,113 bilhões (-46,6%)23,378 bilhões (+1,7%)11,772 bilhões (+2,9%)
Fonte: Bloomberg

  • Petrobras, 3R, Prio: Qual petroleira vai ser a “vencedora” da temporada de resultados do 2T24? Confira as análises da Empiricus Research gratuitamente – clique AQUI.

A defasagem de preço dos combustíveis

O dólar acumula alta de 16% em 2024. Já a cotação do Brent — o petróleo usado como referência no mercado internacional — não sofreu oscilações significativas ao longo do ano. No entanto, na conversão, o barril pesa nas contas da Petrobras. 

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Vale lembrar que a estatal mudou sua política de preços em maio de 2023 para deixar de se guiar pela paridade de preços internacional (PPI). 

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E foi só no início de julho deste ano, após meses sem repasses, que a companhia anunciou um novo reajuste do preço da gasolina. Na ocasião, o litro subiu R$ 0,20 para as distribuidoras e R$ 0,15 para o consumidor final. O Seu Dinheiro detalhou o aumento dos preços na ocasião

“Além da redução da produção, a demora da Petrobras em anunciar um novo reajuste de preços deve pesar sobre os resultados do segundo trimestre”, disse Ruy Hungria, analista da Empiricus Research. 

A produção também pesa no desempenho da Petrobras

Há uma semana, a Petrobras informou que a produção de petróleo alcançou 2,156 milhões de barris por dia (bpd) no segundo trimestre de 2024 — um resultado 2,6% maior do que o obtido no segundo trimestre de 2023, mas uma queda de 3,6% em relação aos três meses anteriores. 

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Segundo a XP Investimentos, a produção menor da Petrobras no período irá fazer com que os resultados financeiros do trimestre venham mais baixos, mas o retorno aos acionistas segue sendo positivo.

Os analistas Regis Cardoso e Helena Kelm veem um segundo trimestre sequencialmente mais fraco para a Petrobras, por conta de uma produção menor — impactada por paradas para manutenção — e preços de derivados marginalmente mais baixos em dólar, pela depreciação do real.

Esses efeitos, segundo os analistas da XP, compensaram o aumento marginal do Brent.

Já o Citi diz que, apesar dos preços do petróleo mais altos durante o segundo trimestre do ano, a estatal deve registrar um Ebitda ajustado trimestralmente menor devido à menor produção de petróleo e provavelmente despesas mais elevadas, devido a mais paradas para manutenção e menor diluição dos custos fixos, enquanto o preço do combustível na refinaria permaneceu estável trimestralmente.

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A Petrobras vai pagar dividendos?

Hungria, da Empiricus, projeta o pagamento de US$ 3 bilhões (R$ 16,8 bilhões no câmbio atual) em dividendos ordinários e yield de mais de 10%, em termos anualizados. 

“Dado que o Ebitda da Petrobras deve cair, embora não de maneira significativa, e que boa parte dos dividendos está relacionada à geração de caixa ligada ao Ebitda, esperamos US$ 3 bilhões em proventos, o que não é nada espetacular, mas é um número que o mercado espera e quer ver”, disse. 

Analistas do Safra estimam que a Petrobras pode pagar até R$ 13,2 bilhões em dividendos, o equivalente a um rendimento potencial de 2,6% no trimestre.

O Citi, por sua vez, avalia que, combinando com o acordo fiscal aprovado em junho, a Petrobras deve anunciar dividendos trimestrais menores. O banco norte-americano, no entanto, não fez projeções de valores. 

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Já a XP calcula dividendos de US$ 2,7 bilhões (R$ 15,1 bilhões no câmbio atual) referentes a abril e junho deste ano. 

Sobre os dividendos extraordinários — que foram alvo de uma queda de braço recente entre o governo e a estatal e que acabou com a demissão de Jean Paul Prates do comando da petroleira — o analista da Empiricus afirma que é um tópico mais sombrio. 

“O pagamento dos dividendos extraordinários depende de muitas outras coisas, como investimentos em áreas fora da exploração e da produção. Por enquanto, o que vimos na primeira metade do ano, e que deve ser confirmado no segundo trimestre, é que a Petrobras está investindo menos do que foi sinalizado no plano quinquenal e isso quer dizer que sobra dinheiro para os dividendos extraordinários”, disse Hungria.

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