Mubadala não tem medo do risco fiscal: “Brasil é incrível para se investir”, diz diretor do fundo árabe
O Mubadala Capital, fundo soberano de Abu Dhabi, segue com “fome de Brasil”, apesar das preocupações dos investidores com o fiscal

O maior temor do mercado financeiro na atualidade é o risco crescente envolvendo as contas públicas brasileiras. No entanto, o Mubadala Capital, fundo soberano de Abu Dhabi, segue com “fome de Brasil”, apesar das preocupações dos investidores com a situação fiscal.
“O Brasil é um lugar incrível de se investir, uma dessas joias raras”, afirmou Leonardo Yamamoto, diretor executivo do Mubadala, que conta com nada menos que 302 bilhões em ativos (R$ 1,7 trilhão)..
Para ele, o país ainda conta com uma liquidez bastante grande, o que se reflete em um tamanho e diversidade de mercado abrangentes.
“Temos aqui oportunidades interessantíssimas para investimentos com cheques muito grandes”, afirmou Yamamoto, que participou de evento do UBS, em São Paulo, nesta segunda-feira (11). “O nível de oportunidades aqui é meio que ilimitado”.
Um dos negócios recentes do fundo soberano no Brasil foi a compra do controle da Zamp (ZAMP3), operadora brasileira de redes de fast food, como o Burger King, o Starbucks e, mais recentemente, o Subway.
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Mubadala e os investimentos no Brasil
O executivo do Mubadala afirmou estar de olho em “tudo” do ramo alimentício, quando perguntado se acompanhava outras empresas do setor.
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Para ele, o setor de alimentos teve um “hiato de capital” grande durante a pandemia e, na sequência, as mesmas empresas tomaram dívidas muito grandes para suprir essa falta de dinheiro.
Porém, esses recursos foram investidos apenas para manter os negócios de pé e não em novos investimentos para expansão das operações, por exemplo. O “golpe final” veio com uma elevação antecipada dos juros locais em relação a outras partes do mundo.
“Você vai em uma praça de alimentação em shopping, você vê lojas sub investidas, espaços vazios, e isso é falta de investimentos. Tem uma falta de capital tão severa no setor que é assustador”, disse Yamamoto.
Outros negócios do Mubadala
Além do setor alimentício, o Mubadala também se enveredou pelo ramo de refinarias — o que culminou em um processo de potencial recompra da Refinaria de Mataripe pela Petrobras (PETR4) recentemente.
Segundo fontes da época, a estatal brasileira concluiu o processo de due diligence — etapa fundamental para fusões ou aquisições — para uma oferta pela Refinaria Landulpho Alves - Mataripe.
“Existe uma eventual proposta, mas isso deve ser passado em comitês internos e pelo conselho da Petrobras”, comentou Yamamoto, que evitou dar maiores detalhes da transação aos jornalistas.
No entanto, ele afirmou que o fundo soberano já investiu somente neste ano US$ 150 milhões na refinaria de Mataripe. “Isso não é atitude de alguém que quer vender”, disse. Segundo as projeções, a ideia é investir outros US$ 100 milhões no ano que vem.
O executivo do Mubadala também não respondeu se havia interesse em outras empresas — nacionais ou internacionais — na compra da refinaria. Porém, Yamamoto disse que o fundo tem interesse em ter a Petrobras como sócia.
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