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Inadimplência das famílias e problemas com vícios em apostas online levaram deputados e senadores a reverem a lei das bets – veja o que muda
As plataformas de apostas online se tornaram uma “pedra no sapato” para a renda das famílias brasileiras. Diante das preocupações com os vícios gerados e as perdas financeiras, deputados e senadores têm protocolado projetos para revisar a lei das bets – aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula no fim do ano passado.
Entre as medidas sugeridas pelos parlamentares, estão a limitação dos valores de apostas para beneficiários de programas sociais e a proibição de publicidade das bets e até de transferências por Pix para apostas.
Em outra frente, o ministro Luiz Fux, do STF, marcou para 11 de novembro uma audiência pública sobre o tema, como parte de ação apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo CNC).
Só na última quinta-feira (26), o senador Alessandro Vieira protocolou dois projetos de lei.
O primeiro deles propõe limitar os valores de apostas de pessoas inscritas no CadÚnico – usado para a inclusão de famílias de baixa renda em programas sociais, como o Bolsa Família –, idosos e pessoas negativadas ou com dívidas ativas.
A proposta sugere a esses grupos "limite de perdas financeiras, seja em valor absoluto ou percentual; restrição de transferências mensais para plataformas de apostas e limitação de valores mensais transferidos, com base na renda declarada pelo apostador".
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A justificativa do projeto cita um estudo recente do Banco Central que mostra que, só em agosto, 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões via Pix para as plataformas de apostas.
"Embora se defenda que são as próprias famílias que melhor sabem como utilizá-lo, de acordo com suas necessidades específicas, não se pode negar que os beneficiários estão em condições de vulnerabilidade social que demandam limitações às apostas", diz Vieira.
Além de fixar um limite para os valores de apostas de pessoas inscritas no CadÚnico, o senador Alessandro Vieira também propôs a proibição total da publicidade de apostas em todo o território nacional.
A exceção seria a exposição de publicidade dentro de estabelecimentos físicos das bets ou nos sites das próprias plataformas, desde que acompanhada de mensagens de alerta sobre os riscos dos jogos.
A proposta do senador aumenta ainda a tributação para 30% sobre os prêmios líquidos. A lei aprovada no ano passado prevê tributação de 15% para os apostadores sobre ganhos superiores a R$ 2.112.
O deputado Mendonça Filho propôs classificar a publicidade das bets com indicação etária e restringir o horário em que as peças são transmitidas, além de exigir alertas claros sobre os riscos de vício e os prejuízos financeiros associados aos jogos de azar.
Já o deputado Luiz Gastão colhe assinaturas para protocolar uma PEC que iguala as apostas esportivas a bebidas alcoólicas, cigarros, agrotóxicos e medicamentos, além de impor restrições legais à propaganda comercial do setor, com a exigência de alerta aos malefícios.
O Ministério da Fazenda publicou, no fim de julho, uma portaria com regras para evitar e punir a publicidade abusiva e exigir que as bets realizem ações de enfrentamento aos transtornos do vício.
Não há, porém, critérios específicos para essa classificação, que ficaria a cargo de cada empresa – "desde que atenda aos requisitos mínimos definidos na portaria", frisa o Ministério. Além disso, essas regras só passam a valer em janeiro de 2025.
Na última quarta-feira (25), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a regulamentação prevê uma espécie de monitoramento de CPFs. "Vamos poder ter sistema de alerta em relação a pessoas que estão revelando certa dependência psicológica do jogo", afirmou em evento promovido pelo banco Safra.
O deputado Carlos Hauly propôs a proibição de quaisquer meios eletrônicos de pagamentos para a realização de apostas – inclusive por Pix, meio predominante das transferências a plataformas de jogos.
O deputado propõe que o uso de meios eletrônicos para apostas gere uma multa de até R$ 5 milhões, suspensão de atividades da plataforma por 12 meses e até a perda da concessão da autorização concedida pela Fazenda para operar.
A regulamentação do Ministério da Fazenda já prevê a proibição do uso de cartão de crédito nas apostas, mas a regra só entra em vigor em janeiro de 2025.
Diante da pressão do setor financeiro e do varejo para a proibição imediata dessa modalidade, as plataformas que integram a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmaram que vão antecipar para 1º de outubro a proibição do uso do cartão de crédito – que representa, no entanto, apenas 3% das apostas nas plataformas associadas.
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