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TOUROS E URSOS #202

A Faria Lima está contra Lula? O que realmente pensam os gestores de fundos multimercados sobre o governo e o cenário macro, após mais um ano sofrendo com resgates

No episódio do Touros e Ursos, o analista Bruno Mérola falou sobre o pessimismo do mercado e a situação da indústria de fundos

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Imagem: Divulgação/Youtube

Que a Faria Lima nunca foi a maior fã do presidente Lula não é exatamente uma novidade. Ainda assim, o ano de 2024 começou com um relativo otimismo com o Brasil.  No primeiro trimestre, a sensação no mercado era de “agora vai”, de que o Ibovespa finalmente sairia do limbo e que a taxa Selic continuaria a cair até o patamar de um dígito. 

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Mas tudo começou a degringolar a partir de abril. O mercado passou a precificar mais altas de juros no Brasil, e a situação fiscal foi se tornando uma sirene de alerta cada vez mais alta. 

Em dezembro, a sensação é de extremo pessimismo com a bolsa brasileira, motivado pela decepção com o pacote de cortes de gastos anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no fim de novembro.

Os gestores de fundos multimercados, que alocam em diferentes classes de ativos, já “dão a letra”: a expectativa para frente é de alta na inflação, desvalorização do real e cenário fiscal difícil. 

Mas isso quer dizer que o mercado está de má vontade com Lula, no clima do “quanto pior, melhor”?

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De maneira geral, parece que não. Uma pesquisa da Empiricus Research indica que boa parte dos principais gestores de fundos multimercados locais não mantinha posições relevantes “contra o Brasil” no chamado “Haddad Day” — dia seguinte ao pronunciamento do ministro da Fazenda, que aconteceu na noite de 27 de novembro.

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O responsável por essa pesquisa foi Bruno Mérola, analista de fundos de investimento da Empiricus Research e convidado da semana do podcast Touros e Ursos, que costuma monitorar o “humor” de mais de 130 gestores de fundos multimercados.

“Eu não acho que seja [uma questão] política, nem estrutural. Acho que seja de fato conjuntural para esse cenário de expectativa futura para o fiscal brasileiro”, explica o analista.

No começo do ano, quando ainda havia esperança para os ativos de risco brasileiros, muitos gestores de multimercados estavam comprados em bolsa, mostrando que a “aversão a Lula” não era tão forte a ponto de afastar os investimentos em ações brasileiras. 

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Agora, o status dos gestores é de neutralidade. “Quem não está comprado em bolsa, não está vendido”, diz Mérola. 

A questão é que as ações estão tão baratas historicamente que vale a pena “pagar pra ver”, na expectativa de ganhos futuros, ainda que de médio a longo prazo. 

Somado a isso, a baixa participação dos grandes fundos de investimento na bolsa indica que há pouco espaço para grandes vendas. Isso reduz o potencial de queda do mercado, desestimulando posições vendidas.

Assista ao episódio na íntegra, clicando no player abaixo:

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Fundos multimercados continuaram a sofrer com resgates neste ano

Nesse contexto de extremo pessimismo, os fundos multimercados também têm sentido os respingos da crise: neste ano, foram mais de R$ 300 bilhões em resgates.

Por investirem em várias classes de ativos, inclusive em ações, a queda do Ibovespa faz com que estes veículos de investimento também performem mal. 

Para aqueles investidores que se posicionaram nos tempos áureos dos fundos, a sensação é de frustração. Em uma “tempestade perfeita”, com a Selic voltando a subir e a aversão ao risco aumentando progressivamente, muitos estão migrando de volta para a renda fixa.

A solução para esse problema não é exatamente fácil. Para Mérola, os multimercados precisam voltar a apresentar resultados consistentemente positivos por um longo período para recuperarem a confiança. 

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Vale lembrar que os fundos passaram por várias mudanças regulatórias neste ano também, especialmente na classe de fundos exclusivos, tornando-os menos atrativos em alguns aspectos. 

O analista explica mais sobre esse assunto no episódio:

Mérola comenta também sobre os fundos de crédito high grade, que apesar de terem títulos de dívida de empresas de qualidade, estão vendo os spreads (diferença entre o retorno do título de crédito e da taxa de juros básica) diminuírem, conforme a Selic aumenta. 

Apesar disso, ele não acredita que isso vai causar uma saída em massa dos investidores.

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Na visão do analista, quem tem alocações nesse tipo de ativo olha basicamente se está obtendo retornos acima de 1% ao mês, que é a “métrica clássica” de rendimentos. Como os ganhos ainda estão superando esse benchmark, o investidor fica mais “acomodado”. 

Para decidir onde investir, o analista da Empiricus Research recomenda que se observe a consistência a longo prazo do fundo. Embora não seja possível cravar que ganhos passados são garantia de retornos futuros, “consistência passada é um bom indicativo de consistência futura”, diz. 

No bloco dos touros e ursos da semana, os prêmios de ursos ficaram com os fundos de crédito high grade com liquidez muito alta, o Ibovespa e os fundos imobiliários. 

Do lado dos touros, Mérola destacou a previdência privada como “o eterno vencedor da indústria de mudanças regulatórias”. “A Previdência não acaba sendo muito afetada por isso e até seria muito difícil você mexer nas regras dela”, complementa. Além disso, a quantidade de benefícios tributários acaba sendo bastante relevante no longo prazo.

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A Alphabet, por conta do desenvolvimento de chips quânticos, e o CDI (por conta do aumento da Selic no Copom desta semana) também foram “premiados” como touros.

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