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As declarações de hoje oferecem uma visão antecipada de como os casos criminais ainda mais importantes que Trump enfrenta podem se desenrolar em um ano eleitoral sem precedentes
A sexta-feira (3) foi mais um dia difícil para os “Trump boys”. Dois filhos do ex-presidente dos EUA, Donald Jr. e Eric, prestaram depoimento em um julgamento por fraude em Nova York e o pai não poupou ataques à Justiça.
Donald Trump não perdeu tempo em lançar mão da estratégia de desacreditar o sistema judiciário norte-americano em um momento no qual ele mesmo tem pela frente quatro julgamentos criminais que podem pesar na candidatura à Casa Branca em 2024.
“É muito triste ver meus filhos sendo perseguidos em uma caça às bruxas política por esse juiz do estado de Nova York, descontrolado e em busca de publicidade, em um caso que nunca deveria ter sido aberto”, disse Trump na sua rede social própria, a Truth Social. “Estudiosos jurídicos gritam desgraça!”
A última explosão de Trump contra o juiz Arthur Engoron — que já considerou o ex-presidente, os dois filhos adultos e a Organização Trump responsáveis por fraude — serve como um golpe preventivo antes do esperado depoimento nos tribunais na segunda-feira (6).
As declarações de hoje também oferecem uma visão antecipada de como os casos criminais ainda mais importantes que Trump enfrenta podem se desenrolar em um ano eleitoral sem precedentes — com a campanha passando pelos tribunais.
Tal como manchou a reputação do sistema eleitoral dos EUA entre milhões dos seus apoiantes com falsas alegações de fraude nos votos, o ex-presidente procura agora destruir a imagem de outro pilar da democracia norte-americana: os tribunais.
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O caso envolvendo os filhos de Trump baseia-se em alegações de que junto com os ex-presidente, eles inflacionaram declarações sobre a riqueza pessoal para obter benefícios financeiros em empréstimos e apólices de seguros no valor de milhões de dólares.
O caso é civil e não alega comportamento criminoso, mas pode resultar em pesadas restituições financeiras e acabar com a capacidade de a empresa fazer negócios em Nova York — é, portanto, fundamental para a saúde financeira de Trump, para o seu legado e para as perspectivas futuras da sua família.
Nos depoimentos de hoje, as coisas esquentaram quando o procurador-geral assistente de Nova York, Andrew Amer, conseguiu minar as alegações de Eric Trump de que ele tinha pouco a ver com as demonstrações financeiras de seu pai.
“Eu não estava pessoalmente ciente da demonstração da situação financeira”, disse Eric.
Amer, no entanto, mostrou um e-mail que foi enviado em 2013 pelo antigo controlador financeiro da empresa, Jeff McConney, que pedia para avaliar uma propriedade que incluía uma folha de cálculo de dados de apoio.
“Então você sabia do balanço financeiro anual do seu pai em 20 de agosto de 2013, não é?”, Amer perguntou. Eric Trump respondeu: “Parece que sim”.
Em essência, os dois filhos de Trump argumentam que, apesar de dirigirem a empresa, nada sabiam sobre as suas demonstrações financeiras.
Anteriormente, Donald Trump Jr. insistiu que também não tinha conhecimento dos detalhes das finanças do seu pai e que confiava nos contadores para os detalhes.
Ao fim do depoimento, Donald Jr. saiu do tribunal, dizendo que tudo correu “muito bem”.
Desconsiderar as evidências que contradizem claramente afirmações é outra tática desgastada de Trump.
Depois de o ex-presidente ter sofrido impeachment devido ao relato de uma conversa telefônica com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenski — que mostrava Trump tentando alavancar a ajuda militar dos EUA para um benefício político — o antigo chefe da Casa Branca insistiu repetidamente que tinha tomado uma boa decisão.
*Com informações da CNN Internacional
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