Ameaças à privatização da Sabesp (SBSP3) não assustam JP Morgan, que eleva preço-alvo da estatal e enxerga ações a R$ 100
Analistas veem potencial de alta de quase 55% para as ações da Sabesp privatizada, mas banco norte-americano ainda não vê a fatura liquidada

A privatização da companhia de águas de São Paulo, a Sabesp (SBSP3), está no centro do debate paulista. De um lado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta acelerar o processo de desestatização ao máximo; do outro, a oposição vem colocando uma série de empecilhos legais para que a empresa continue sendo parcialmente estatal.
Seja como for, os analistas do JP Morgan ficaram mais otimistas com a possibilidade de o processo ir adiante, mas ainda não veem a fatura como liquidada. Agora, o banco enxerga 50% de chances de a desestatização da Sabesp acontecer, de acordo com relatório publicado nesta sexta-feira (17).
Ao mesmo tempo, os analistas ajustaram para cima o preço-alvo das ações da estatal: as projeções agora são de R$ 83 por papel da Sabesp, o que representa uma alta da ordem de quase 30% em relação às cotações do fechamento da última quinta-feira (16).
Só a ponta do iceberg da Sabesp
Entretanto, esse é o “cenário base”, com 50% de chance da privatização acontecer. Se a desestatização ocorrer de fato, as ações SBSP3 podem chegar a R$ 100, uma alta de quase 55% em relação ao fechamento de quinta-feira, ainda de acordo com o JP Morgan.
Além disso, o banco norte-americano manteve a recomendação de compra das ações, destacando o andamento positivo das negociações para desestatização. Pesam, contudo, os debates na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).
Mas a divulgação do relatório do JP Morgan não foi suficiente para manter a alta das ações da Sabesp. Por volta das 14h, os papéis SBSP3 caíam 0,46% no pregão desta sexta-feira, cotados a R$ 64,41. No mesmo horário, o Ibovespa operava em alta de 0,25%, aos 124.945 pontos.
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Sabesp (SBSP3): as vitórias de Tarcísio no processo de privatização
O relatório destaca como pontos positivos para a privatização uma série de vitórias de Tarcísio. Entre elas, estão a criação da Unidade Regional de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário (URAEs) que inclui a cidade de São Paulo e as recentes diretrizes publicadas pelo Conselho de Desestatização.
Foi o acúmulo dessas pequenas vitórias pró-privatização que fizeram as ações da Sabesp registrarem um retorno de cerca de 16% em 2023.
Assim, os analistas do JP enxergam a estatal sendo negociada a uma razão de 0,8x EV/RAB em 2024. E aqui cabe uma explicação: o EV/RAB é utilizado para avaliar a relação entre o valor da empresa e seus ativos regulatórios.
O índice serve para que investidores e analistas entendam melhor o potencial de crescimento e valorização das ações desse setor. Quanto menor o EV/RAB, mais barata está a empresa na bolsa.
Na ponta do lápis
Destrinchando um pouco os números, o preço-alvo de R$ 83 do JP Morgan é composto pelo seguinte cenário: um preço “justo” de R$ 66 somado com R$ 17 do 50% de chance da privatização ocorrer.
Em um cenário de conclusão da privatização, o banco norte-americano enxerga os papéis SBSP3 a R$ 100, com 1,1x EV/RAB em 2024.
Jogando contra a privatização da Sabesp
Os 50% de chances da privatização não sair do papel vêm da oposição na Alesp — etapa atual e crucial para a conclusão dos negócios.
A oposição, encabeçada Federação PT/PCdoB/PV na casa legislativa, vem utilizando do recente apagão da Enel na cidade de São Paulo como estopim para barrar a privatização da Sabesp. Além disso, a eleição municipal de 2024 deve manter a desestatização no centro do debate político.
Nesse cenário, a adesão da cidade de São Paulo é um ponto crucial para o sucesso da privatização. No entanto, a cidade deve escolher entre o atual prefeito, Ricardo Nunes (alinhado com Tarcísio e a desestatização), e o deputado Guilherme Boulos (do PSOL, contra a privatização).
Em caso de vitória de Boulos, a privatização já teria que estar bastante avançada ou mesmo efetivada em julho de 2024 para que o processo não fosse paralisado — ou até mesmo suspenso.
Próximos passos
Confira a seguir como os analistas do JP Morgan dividiram o andamento da privatização — e onde teremos que chegar até 2024:
Fase 1: Já concluída
- Reuniões com prefeitos sobre projeto de privatização;
- Notificação das prefeituras sobre alterações contratuais;
- Apresentação do projeto de lei de privatização à Alesp.
Fase 2: novembro de 2023 a fevereiro de 2024
- Aprovação do projeto de lei de privatizações pela Alesp;
- Reuniões com os municípios sobre questões específicas;
- Nomeação de representantes para o Conselho das URAEs;
- Reunião das URAEs;
- Aprimoramento regulatório, contratação dos bancos coordenadores da oferta — bem como determinar o valuation e fazer o due diligence;
- Divulgação do estudo da International Finance Corporation (IFC) com valuation e modelo de privatização;
- Waiver dos credores da Sabesp para a mudança de controle.
Fase 3: fevereiro de 2024 a julho de 2024
- 1ª reunião das URAEs
- Deliberação da Comissão de Privatizações do Estado;
- Assinatura de novos contratos com a Sabesp e uma Assembleia Geral Extraordinária para determinar um novo estatuto de governança;
- Diluição da posição do governo estadual abaixo de 50% de participação (janela entre maio e julho 2024);
- Conclusão do processo.
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