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Projeções dão conta de que Magazine Luiza e Via, as duas grandes varejistas da bolsa, ainda terão prejuízo no trimestre, mesmo que haja alta nas vendas
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2023 vai ganhando tração e traz o primeiro resultado das varejistas brasileiras. Nesta quinta-feira (4), a Via (VIIA3) traz seus dados após o fechamento do mercado, enquanto a Magazine Luiza (MGLU3) revelará seus números no próximo dia 15. Dados do consenso da Bloomberg indicam um prejuízo de R$ 119 milhões para a primeira, enquanto a segunda deve trazer um prejuízo de R$ 62 milhões.
A maioria dos analistas espera uma temporada desafiadora para essas empresas, inseridas num setor já castigado pela alta dos juros, pela fraca demanda e pela inadimplência.
O escândalo envolvendo a Americanas (AMER3) veio para dificultar ainda mais um quadro que já não era dos melhores — e aumentou a desconfiança do mercado de maneira geral. Hoje, boa parte dos gestores prefere não se arriscar no varejo voltado para o e-commerce.
Por enquanto, ainda parece difícil dimensionar como o rombo contábil da concorrente afeta o volume de tráfego e de vendas do setor como um todo, justamente porque as condições macroeconômicas travam esse fluxo.
"Hoje, a expectativa pelas próximas decisões do Banco Central e qualquer indicação sobre a trajetória dos juros importam muito mais para as varejistas do que o operacional delas em si", diz Bruno Damiani, analista de varejo da Western Asset.
Para ele, o gatilho que falta para que as ações das varejistas tenham um desempenho melhor na bolsa está na queda dos juros, e não nos resultados trimestrais.
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Em relatório, o Santander aponta que poderemos ver resultados positivos em vendas para essas companhias, mas com a ponderação de que a base de comparação é, quase sempre, fraca. Além disso, haverá pressões de rentabilidade para o setor como um todo.
Olhando especificamente para a Via (VIIA3), o banco espanhol acredita que os pontos de maior atenção devem vir do consumo de caixa, com grandes impactos da sazonalidade. Além disso, a companhia ainda é bastante dependente da demanda por bens duráveis, que anda em baixa — o que também dificulta a captura do market share deixado pela Americanas.
Recentemente, o Bank of America (BofA) reduziu suas estimativas para a Via, apontando que o nível de concorrência, a baixa demanda e as taxas de juros elevadas justificam tais mudanças.
O preço-alvo foi de R$ 2,50 para R$ 2,00 — uma queda implícita de 20% em relação ao fechamento de 27 de abril, pregão anterior à publicação do relatório.
Para Damiani, da Western Asset, também é importante ressaltar que, hoje, a Via tem muito mais possibilidades de ser um player de nicho, focado na venda de eletroeletrônicos, do que uma competidora com a mesma força de concorrentes, como Magalu ou Mercado Livre.
"A tese da Via está em xeque por conta de todas as reestruturações feitas na empresa, há dúvidas de como vão tocar o negócio após a saída de figuras importantes. Ela vai precisar se provar e temos dúvidas se vai mesmo figurar entre as maiores do e-commerce", explica.
De acordo com dados da plataforma TradeMap, das nove recomendações para VIIA3, duas são de compra e sete são de manutenção.
Menos dependente das vendas de bens duráveis, o Magazine Luiza (MGLU3) desponta, junto ao Mercado Livre, como uma das empresas que, possivelmente, devem herdar o espólio da Americanas.
A visão geral é de que os fatores macroeconômicos pesam, mas ambas estão num ambiente mais favorável quando analisamos quem pode ocupar a lacuna deixada pela concorrente.
Na avaliação do Itaú BBA, os lucros da empresa da família Trajano devem vir estáveis na comparação anual. A equipe ressalta que o fim da cobrança do diferencial de alíquotas (Difal) do ICMS, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mais do que compensam os ganhos de eficiência ao longo do trimestre.
Confira o episódio desta semana do quadro A Dinheirista, em que a repórter Julia Wiltgen resolve esse e mais casos cabeludos envolvendo dinheiro.
Já os analistas do BofA ressaltam que o Magalu deve trazer vendas em desaceleração, especialmente por conta das dificuldades macroeconômicas.
Além disso, eles esperam que os aumentos recentes de preço e as taxas de serviço praticadas no e-commerce compensem parcialmente os impostos mais altos. Já a margem Ebitda deve ter expansão, graças às melhorias na estrutura de custos da companhia.
De acordo com dados da plataforma TradeMap, das 12 recomendações para MGLU3, quatro são de compra e oito são de manutenção.
Veja a tabela abaixo, com as projeções de três casas para as linhas de receita líquida, Ebitda e resultado líquido do Magazine Luiza e Via neste primeiro trimestre — e a variação em relação ao mesmo período de 2022:
| Receita líquida | Ebitda ajustado | Lucro líquido | |
| Santander | |||
| Magazine Luiza | R$ 9,231 bilhões (+5,4%) | R$ 500 milhões (+15,3%) | -R$ 155 milhões |
| Via | R$ 7,4 bilhões (+1%) | R$ 644 milhões (-4,4%) | -R$ 258 milhões |
| Bank of America (BofA) | |||
| Magazine Luiza | R$ 9,200 bilhões (+5%) | R$ 479 milhões (+41,1%) | -R$ 173 milhões (7,2%) |
| Via | R$ 7,471 bilhões (+1%) | R$ 582 milhões (-13,5%) | -R$ 81 milhões |
| Itaú BBA | |||
| Magazine Luiza | R$ 9,270 bilhões (+5,8%) | R$ 474 milhões (+9,2%) | -R$ 183 milhões (84,9%) |
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