Haddad e Tebet harmonizam o tom da ata do Copom, mas Lula não perdoa juros altos — veja o que o presidente falou dessa vez
Enquanto isso, Comissão do Senado aprova convite para que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, explique a taxa de básica

Com um tom mais ameno que o comunicado da semana passada, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (27), foi bem recebida pela área econômica do governo. Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, elogiaram o fato de os diretores do Banco Central (BC) acenarem com a possibilidade de corte nos juros em agosto.
Durante cerimônia de lançamento do Plano Safra, no Palácio do Planalto, Tebet afirmou que o documento está em um tom mais “realista” do que o comunicado emitido logo após a decisão do Copom, na quarta-feira (21). Tradicionalmente, a ata é divulgada seis dias após o fim de cada reunião do colegiado do Banco Central.
“[A ata] veio mostrando que há uma sinalização para queda de juros a partir de agosto. E garantindo também aquilo que nós já temos certeza que estamos fazendo. Se olharem na ata a divergência de alguns votos, ela mostra que eles já reconhecem o trabalho da equipe econômica”, disse Tebet.
Antes de ir ao Palácio do Planalto para o lançamento do Plano Safra, Haddad também comentou a ata do Copom.
Para o ministro da Fazenda, o documento indica que grande parte da diretoria do BC reconhece os esforços da equipe econômica e que há um consenso de que a Selic, em 13,75% ao ano desde agosto do ano passado, atingiu o pico e começará a cair no segundo semestre.
“O fato de que há uma sinalização clara de boa parte da diretoria [do Banco Central] de que os efeitos das taxas de juros elevadas produziram os resultados [conter a inflação] e o risco fiscal [risco de descontrole das contas públicas] está afastado é o mais importante”, declarou o ministro.
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Haddad voltou a defender a harmonização entre as políticas monetárias (definição de juros) e fiscal (controle dos gastos públicos) e disse que o tom da ata do Copom abre espaço para que isso ocorra em breve, com a queda dos juros básicos.
“O Brasil está em trajetória fiscal sustentável e, portanto, a harmonização da política fiscal com a política monetária, que é algo que defendo desde dezembro, eu acredito que possa acontecer brevemente”, declarou Haddad.
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Lula não perdoou
Se Haddad e Tebet viram a ata com bons olhos, o mesmo não aconteceu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O petista culpou o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, embora sem citá-lo nominalmente, pelos juros altos do Plano Safra.
O programa terá financiamento de R$ 364,22 bilhões. Os juros para custeio e comercialização serão de 8% ao ano para produtores inscritos no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e de 12% ao ano para os demais.
Para investimentos, as taxas de juros variam entre 7% e 12,5% ao ano, de acordo com o governo.
"O Plano Safra terá R$ 364 bilhões, a uma média, não sei o total, de 10% de juro ao ano. É caro, é muito caro. Esse juro poderia ser mais barato. Mas é que tem um cidadão no Banco Central, a gente não sabe quem colocou ele lá, que traz o juro [básico] em 13,75%", disse Lula no programa "Conversa com o Presidente".
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se somou às críticas do governo ao Banco Central pela manutenção da taxa básica de juros em 13,75%. Para o ministro, o número "não faz sentido" diante da redução da inflação, e, se ele voltar a exercer o cargo de senador, vai travar o debate sobre a política monetária no Congresso.
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Campos Neto vai se explicar sobre juros?
Mais cedo, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou quatro requerimentos convidando Campos Neto a explicar os motivos da manutenção da atual taxa básica de juros em 13,75% ao ano.
Esta é a segunda vez, neste ano, que Campos Neto é convidado a falar sobre o assunto na Casa. Como é um convite, e não uma convocação, Campos Neto não tem obrigação de comparecer.
Dois dias após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manter os juros inalterados, o líder do governo no Congresso, o senador Randolfe Rodrigues (Sem Partido-AP), protocolou pedido para ouvir o presidente do BC.
“É inaceitável que Campos Neto continue sabotando o Brasil e o povo brasileiro com a mais alta taxa de juros reais do mundo! A quem interessa impedir o crescimento econômico do nosso país?”, questionou a liderança governista. Randolfe acrescentou que não descarta outras medidas contra Campos Neto.
Nesta segunda-feira (26), também apresentaram requerimentos para ouvir Campos Neto os senadores da oposição Plínio Valério (PSDB-AM), Rogério Marinho (PL-RN) e Ciro Nogueira (PP-PI).
No pedido, Marinho, que é líder da oposição no Senado, argumentou que o Banco Central já esclareceu sobre os motivos da atual taxa básica de juros.
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*Com informações do Estadão Conteúdo e da Agência Brasil
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