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Tokenização pode permitir negociação sem corretoras, imobiliárias e até mesmo galerias de arte, segundo responsável por criptomoedas e blockchain do Santander
O Brasil viveu um boom de empresas relacionadas com o mercado de criptomoedas nos últimos anos. Diferentemente das corretoras de cripto (exchanges), as tokenizadoras ganharam um protagonismo dentro das instituições por ampliar os horizontes de negócios tradicionais.
Mas como um mercado tokenizado — isto é, registrado na tecnologia blockchain — melhora o dia a dia das pessoas? Esse foi o tema de um dos paineis da Febraban Tech, evento voltado para a tecnologia do mercado financeiro.
Entre os participantes, estava Coty de Monteverde, head de cripto e blockchain do Santander, que respondeu essa pergunta com uma palavra um pouco complicada: "a tokenização irá ampliar a desintermediação do mercado".
A executiva se referia ao fim dos intermediários nas relações entre compradores e vendedores, o que inclui corretoras, imobiliárias e até mesmo galerias de arte.
Isso porque um ativo tokenizado dispensa esses intermediadores por estar inscrito em uma plataforma de registro distribuído (ou DLT, na sigla em inglês), como é a blockchain. "Eles terão que mudar os negócios, alguns vão se tornar operadores de blockchain. Outros irão desaparecer" comenta ele.
No painel junto com o executivo, estavam também Fabrício Tota, diretor de novos negócios do Mercado Bitcoin (MB), Cristiano Valverde, head de blockchain e cripto da Foursys e Fernando Graziera, head de Treasury and Trade Solucions do Citi Brasil.
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Entretanto, a executiva do Santander dá uma luz de esperança: "ao mesmo tempo, novas portas vão se abrir para outros participantes. Não apenas no setor financeiro, mas startups e novos negócios".
Mas os ansiosos de plantão podem aguardar. Muitas dessas tecnologias ainda estão em desenvolvimento e não são um "padrão" a ser seguido para sempre, como explica Fabrício Tota, do MB.
A própria rede onde muitos dos tokens são emitidos, a blockchain do Ethereum, vem passando por várias atualizações. "É difícil de dizer 'este modelo vai ser assim pra sempre', tanto que muitas empresas estão desenvolvendo seus próprios projetos [em blockchain]", diz.
O painel ainda abordou temas como a programabilidade de negociações com tokens virtuais, os chamados smart contracts. "Tudo que está escrito nesses smart contracts está na pedra", explica Cristiano Valverde, da Foursys.
Por estarem em uma blockchain, esses contratos são auditáveis e trazem maior transparência aos negócios. Nas palavras dele, "você não conhece o santo, mas conhece todos os milagres que ele faz".
Essa transparência esbarra também na questão da privacidade das informações. O projeto piloto do Real Digital (RD), do qual o MB faz parte, por exemplo, tenta unir a transparência com a proteção aos dados do usuário.
Mas Valverde reforça que a tecnologia está aí e que deve ser testada, justamente para que o desenvolvimento cubra eventuais falhas na transparência das informações.
A executiva do Santander ainda destaca outras aplicações no setor de tokenização, como aumentar a liquidez de ativos. "Uma grande parte da riqueza mundial está em ativos pouco líquidos, o que trava o dinheiro dos investimentos", diz.
Imóveis e obras de arte, por exemplo, são ativos de difícil acesso para grande parte da população, devido ao alto preço. A tokenização permite o fracionamento desses ativos em partes menores e mais baratas, o que aumenta a capacidade de transforma-los em dinheiro.
Por fim, democratização do acesso a esses investimentos também tende a aumentar o ganho global de eficiência dos mercados, segundo os palestrantes.
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