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Ao menor sinal de deterioração do cenário político, o mercado financeiro costuma seguir um roteiro clássico: diante do risco, há desvalorização dos ativos na bolsa, abertura da curva de juros e alta do dólar.
Mas não foi isso que aconteceu nesta segunda-feira (09), na ressaca da destruição das sedes do Legislativo, Executivo e Judiciário por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na tarde de ontem (09).
Os juros futuros fecharam em queda e o Ibovespa operou no azul durante a maior parte do dia, encerrando a sessão em alta de 0,15%, — ainda que as bolsas em Nova York tenham pesado na reta final das negociações, e o dólar à vista tenha avançado 0,40%, a R$ 5,2575.
Agentes do mercado financeiro já apontavam ontem mesmo que a recepção aos atos terroristas poderia ser mais branda do que a expectativa de muitos, já que os ativos negociados em bolsa e a curva de juros vinham sendo pressionados nas últimas semanas — frutos da desconfiança sobre o futuro da política fiscal do governo Lula.
A reação do mercado hoje, no entanto, foi além. O Ibovespa chegou a operar no vermelho durante as primeiras horas do dia, mas logo inverteu o sentido. Embora alguns possam ver a reação positiva dos ativos como uma “minimização” dos atos de depredação, essa não foi a leitura dos analistas.
O “x” da questão parece ter sido a atuação rápida da União e do Supremo Tribunal Federal (STF) — decretando a intervenção na segurança pública do Distrito Federal e o afastamento dos responsáveis por garantir a paz na região, incluindo o próprio governador Ibaneis Rocha.
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Um gestor ouvido pelo Seu Dinheiro aponta que o mercado estaria muito mais preocupado com o que ocorreria se houvesse riscos de uma ruptura institucional organizada, com escalada de conflitos, mas o que se tem até aqui é “mais um choro de perdedores e um ato de desespero”, sem uma organização que imponha qualquer tipo de medo.
Ao longo do dia, surgiu o temor de que a depredação em Brasília atrasasse a divulgação dos planos econômicos do novo governo, mas a gestão de Lula parece querer cumprir o cronograma inicialmente proposto para trazer um senso de normalidade.
Para o resultado positivo, até a China ajudou. Isso porque o país iniciou o seu cronograma de reabertura da economia, derrubando limitações de fronteiras e tráfego de pessoas.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta segunda-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
EXTRADITAR OU NÃO
Lula vai mandar buscar Bolsonaro nos EUA? Os planos do governo para o ex-presidente após os ataques em Brasília. Bolsonaro viajou aos EUA dois dias antes de Lula tomar posse; questão do visto do ex-presidente é uma área cinzenta da permanência dele por lá.
EM DIA DE ASSEMBLEIA
Na Gafisa (GFSA3), veículo de Nelson Tanure chega a 20% do capital; gestora Esh pede que “poison pill” seja acionada. A MAM Asset Managment, gestora do Banco Master, aumentou para 20,54% sua participação na empresa às vésperas da AGE que discutirá uma possível ação de responsabilidade contra Tanure.
MAL DE SAÚDE
Depois do JP Morgan e Bradesco rebaixarem ações da Hapvida (HAPV3), BofA também corta recomendação e preço-alvo; papéis caem 11% na bolsa. O banco americano passou a indicação de “compra” para “neutro” e o preço-alvo de R$ 10 para R$ 6.
AUTOMÓVEIS
Warren Buffett vai abandonar os carros elétricos? Berkshire Hathaway vende 1 milhão de ações da BYD. A holding do megainvestidor se desfez de cerca de 1,05 milhão de papéis da montadora chinesa, diminuindo a participação na companhia asiática para 13,97%.
MENOS IMPOSTO
IOF sobre compras no exterior com cartão de crédito ou pré-pago foi reduzido no início de 2023 e será zerado; veja como fica. Imposto cairá gradualmente até 2028, quando deixará de ser cobrado; mesmo com a medida, o custo dos pagamentos ainda é alto.
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