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Disputa entre Eduardo Leite (PSDB) — que quase ficou fora do segundo turno — e Onyx Lorenzoni (PL) foi apertada
Após se afastar do cargo em março deste ano para tentar concorrer à Presidência da República sem sucesso, o atual governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), foi eleito em uma disputa apertada contra Onyx Lorenzoni (PL).
Com 100% das urnas apuradas, Leite se elegeu com 57,12% dos votos válidos, contra 42,88% do adversário. No primeiro turno, Onyx ficou na frente com 2.382.026 votos válidos (37,50%), enquanto o seu concorrente teve 1.702.815 votos (26,81%) — e quase não conseguiu chegar ao segundo lugar, já que Edegar Pretto (PT) ficou de fora da disputa por uma diferença de pouco mais de 2 mil votos.
Aqui também foi colocado à prova um fato curioso sobre o estado gaúcho: é o único que nunca reelegeu um governador no país. E, mesmo assim, o fez de maneira um pouco diferente, já que houve saída do cargo antes da reeleição.
Eduardo Figueiredo Cavalheiro Leite, 37 anos, é bacharel em direito e, antes de ser eleito governador do Rio Grande do Sul em 2018, foi prefeito da cidade de Pelotas de 2013 a 2017, onde também foi vereador.
Hoje, após a expressiva queda de representatividade de seu partido, o PSDB, no cenário nacional, é apontado como uma das lideranças capazes de dar sobrevida e renovação à sigla. Apesar disso, perdeu as prévias tucanas para o ex-governador de São Paulo, João Doria, em uma intensa batalha para ver quem seria candidato à Presidência neste ano.
Mas, poucos meses após Leite deixar a disputa, Doria também não foi capaz de angariar apoio para sua candidatura e o PSDB acabou sem candidato ao Planalto neste ano. Com isso, Eduardo Leite decidiu tentar retomar seu posto como governador, aconselhado por outros membros de seu partido com mais experiência na política. O caminho é claro — Brasília pode não vir agora, mas ele não esconde seu desejo de que esse dia chegue.
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A campanha gaúcha foi marcada pelas críticas à gestão de Eduardo Leite, um novato no cargo e que lá em 2018 se dizia contra a reeleição — algo que rendeu ataques desde cedo.
Em um dos momentos mais polêmicos e mal vistos pelos eleitores, Onyx Lorenzoni falou que o povo gostaria de ter "um governador e uma primeira-dama de verdade". A declaração foi vista como homofóbica, já que Leite se assumiu gay em 2021.
Isso ajudou o candidato a receber mais apoio, tanto de personalidades quanto de políticos, inclusive de outros partidos. O episódio ajudou Leite a recuperar espaço nas pesquisas.
No último debate antes do segundo turno, ambos trocaram acusações de corrupção e um vídeo viralizou nas redes. Nele, Lorenzoni se recusa a responder as perguntas de Leite por repetidas vezes, enquanto o tucano tentava saber qual a alternativa do opositor para o atual regime de recuperação fiscal do estado.
Na disputa presidencial, Leite apoiou Simone Tebet (MDB) durante o primeiro turno, mas preferiu ficar neutro no segundo — apesar de ter recebido apoio do PT na decisão.
Já Onyx Lorenzoni, enquanto ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL), sempre apoiou sua candidatura à reeleição.
De acordo com o levantamento Ipec/RBS mais recente, Eduardo Leite hoje conta com 56% dos votos válidos, enquanto Onyx Lorenzoni tem 44%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos.
Eduardo Figueiredo Cavalheiro Leite nasceu em Pelotas (RS) em 10 de março de 1985. Com 37 anos, é um dos políticos mais jovens da cena nacional. É formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e mestre em Gestão Pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Também estudou políticas públicas na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.
É filho de um advogado e de uma professora e hoje uma de suas principais defesas é a educação.
Sem esconder que seu grande sonho é o Palácio do Planalto, levar o Palácio do Piratini neste ano é um passo essencial para que o candidato dê passos mais largos — e para a sobrevivência de seu partido.
Ao lado de Romeu Zema (Novo) é um dos nomes mais cotados para concorrer à Presidência da República em 2026. Leite aproveita, inclusive, para se posicionar como contrário ao atual cenário de polarização política, tentando emplacar seu nome como uma possível via para tempos mais pacíficos.
O também gaúcho Onyx Lorenzoni nasceu em 3 de outubro de 1954 em Porto Alegre. Com 68 anos, acumula cinco mandatos consecutivos como deputado estadual e federal, além de uma formação como veterinário.
Fiel apoiador do presidente Jair Bolsonaro desde a candidatura, ele ocupou um total de quatro ministérios desde o início do atual governo: Casa Civil, Cidadania, Secretaria-Geral da Presidência da República e Trabalho e da Previdência.
Logo após a eleição de 2018, foi escolhido pelo então presidente Michel Temer para comandar o Gabinete da Transição Governamental.
O parlamentar começou sua vida política no PL, migrou para o PFL — partido herdeiro da Arena, que sustentou a ditadura militar no Brasil — e, por fim, acabou filiado ao DEM quando o PFL trocou de nome.
Ganhou projeção como opositor dos governos petistas em Brasília e sempre defendeu pautas de costumes, assim como uma economia mais liberal.
Conservador na política, liberal na economia, à direita no espectro político-ideológico, Onyx pautou sua atuação na vida pública pela defesa de bandeiras como a redução da carga tributária, o direito do cidadão à legítima defesa, a proteção da propriedade e o discurso anticorrupção.
Lorenzoni tem quatro filhos e um deles seguiu os mesmos passos do pai — Rodrigo Lorenzoni, terceiro deputado estadual mais votado no Rio Grande do Sul no primeiro turno deste ano.
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