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Estadão Conteúdo
REORGANIZAÇÃO NO PORTO

Nasce um gigante do setor portuário? Fundo australiano de infraestrutura investirá R$ 500 milhões para compra de terminais da Rumo (RAIL3) em Santos

O fundo é gerido pelo banco Macquarie, um investidor institucional global em infraestrutura, com atuação em setores de logística portuária e agricultura

Trem com o logo da Rumo RAIL3 | Dividendos
Imagem: Divulgação

A comentada aquisição do controle de dois terminais da Rumo (RAIL3) no Porto de Santos pela CLI (Corredor Logística e Infraestrutura), por R$ 1,4 bilhão, foi viabilizada por meio de um movimento internacional: um aumento de capital de mais de R$ 500 milhões, subscrito pelo Macquarie Infrastructure Partners V (MIP V).

O fundo australiano é gerido pela Macquarie Asset Management, divisão de gestão de fundos de investimento do Macquarie. O banco australiano, por sua vez, é um investidor institucional global em infraestrutura, com atuação em setores de logística portuária e agricultura.

Após o investimento, IG4 - que detém 100% das ações da CLI - e MIP V compartilharão o controle da CLI, com 50% cada das ações ordinárias com direito a voto.

Detalhes do negócio entre Rumo (RAIL3) e CLI

Na noite da última sexta-feira (16), a Rumo anunciou a alienação do controle de dois dos maiores terminais de grãos e açúcar do complexo portuário santista.

A operação envolve a venda de 80% dos ativos à CLI, que passará a operar, em parceria com a Rumo, a Elevações Portuárias (EPSA), empresa responsável pelos terminais 16 e 19 do Porto de Santos. A Rumo permanecerá com 20% das ações.

O contrato assinado irá viabilizar um investimento de cerca de R$ 600 milhões no terminal para os próximos anos, como parte das obrigações previstas na concessão. A injeção de capital possibilitará um crescimento de mais de 20% em relação ao volume atual de grãos movimentado.

Quem é e o que faz a CLI?

A CLI é uma das quatro operadoras do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), com expertise de operador independente ("bandeira branca") e foco único em infraestrutura e logística portuária para o agronegócio e serviços de elevação.

A companhia passará de uma capacidade atual de elevação de 4 milhões para mais de 20 milhões. "O serviço que é sucesso no Itaqui vai ser prestado aos clientes em Santos", afirma, em comunicado à imprensa, o CEO da CLI, Hélcio Tokeshi.

De acordo com o diretor executivo do Macquarie e responsável por investimentos em infraestrutura no Brasil, Fernando Lohmann, a companhia tem "longa exposição" ao agronegócio brasileiro.

"A parceria com a IG4 e a Rumo é um passo natural para fortalecer essa conexão entre infraestrutura e agricultura", observa. "Temos forte convicção no potencial de crescimento do setor e de que investimentos como esse ajudam o Brasil a fortalecer seu papel de liderança na exportação de produtos agrícolas."

Veja também - As ações com a maior promoção da história? Recessão global à vista: hora de investir na bolsa?

Nasce um gigante dos portos brasileiros?

Para o co-fundador e CEO da IG4 Capital, Paulo Mattos, a sociedade com o Macquarie e a parceria com a Rumo fortalece a CLI que, com essa aquisição, passa a ser o maior operador independente de infraestrutura e logística portuária para o agronegócio no Brasil.

"Estamos muito confiantes em poder ampliar a atuação da CLI como uma plataforma de infraestrutura no setor e participar de uma gestão tão robusta e estratégica em parceria com a Rumo, no maior complexo portuário do País."

Segundo o vice-presidente comercial da Rumo, Pedro Palma, as obras de conclusão da Ferrovia Norte-Sul, batizada de Malha Central, a construção da primeira ferrovia estadual de Mato Grosso e os investimentos em melhorias que vêm sendo realizados em Santos fazem parte da estratégia de expansão de uma logística ferroviária competitiva para o agronegócio.

"Já temos quatro terminais em operação na Malha Central, sendo três em Goiás e um em Minas Gerais, e três destes pertencem a empresas parceiras. É esse formato bem-sucedido que estamos replicando agora em Santos, com a CLI", esclarece, no comunicado.

O fechamento da operação ainda está condicionado à aprovação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), entre outras condições precedentes usuais neste tipo de transação.

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