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Estadão Conteúdo

Pela diversidade

Suzano emite 1º bond da América Latina com meta de inclusão

Companhia conseguiu captar US$ 1 bilhão com prazo de 10 anos, e assume o compromisso de aumentar a proporção de mulheres em cargos de liderança

Estadão Conteúdo
29 de junho de 2021
7:22
Imagem: Shutterstock

A Suzano Papel e Celulose emitiu o primeiro título de dívida (bonds) da América Latina com compromisso de inclusão/diversidade.

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Foram US$ 1 bilhão em Sustainability Linked Bonds (SLB) de 10 anos, pagando ao investidor retorno de 3,28%, correspondente a um prêmio de 180 pontos-base acima do título do Tesouro norte-americano de mesmo prazo.

"Foi o menor prêmio já pago nos bonds emitidos para esse prazo pela companhia", disse o diretor de Finanças Corporativas da companhia, Julio Ramundo, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De acordo com Ramundo, a definição da meta de inclusão e diversidade como referência para o bond atendeu a demanda de investidores, que têm demonstrado interesse no tema.

A Suzano se comprometeu em elevar dos atuais 19% para um mínimo de 30% os cargos de liderança ocupados por mulheres até dezembro de 2025.

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"O compromisso de diversidade e inclusão foi levantado nos calls com investidores que tivemos quando estávamos estruturando a operação", contou.

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Essa meta pode incluir a chegada de uma mulher ao cargo de CEO, embora esta não seja uma obrigação prevista no bond. Além disso, a Suzano se comprometeu a reduzir o uso de água em 12,4% de toda a sua produção até 2026, tomando por base o uso de 2018.

De acordo com Ramundo, será comparado o consumo de água por metro cúbico em relação à tonelada de papel produzida em média entre 2025 e 2026, com a média de consumo de 2018.

"Chegaremos à redução por meio de investimentos que estamos fazendo em eficiência", afirma.

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O juro pago anualmente ao investidor poderá subir em 12,5 pontos-base, caso ambos compromissos não sejam cumprimos.

Ramundo chama atenção ainda que dada a qualidade dos investidores interessados, a Suzano decidiu elevar de US$ 750 milhões para US$ 1 bilhão o total emitido.

"Alocamos 62% dos bonds entre fundos e investidores dedicados ao tema ESG, foi a maior alocação proporcional da empresa, inclusive em relação à primeira emissão de bonds SLB, de 53%", citou.

A Suzano registrou mais de US$ 3,5 bilhões de interessados nos livros de ordens da emissão. Com a operação, o total de bonds SLB da Suzano é de US$ 2,250 bilhões.

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Além da emissão desta segunda-feira, a Suzano captou US$ 750 milhões no primeiro bond ESG, pioneiro global em seu setor, em setembro do ano passado. A empresa reabriu em novembro essa operação, levantando mais US$ 500 milhões.

"Hoje, 37% de nossa dívida é ESG, contra 9% em 2019, mostrando que o compromisso com a sustentabilidade da Suzano integrada também na função financeira da empresa", observou.

Vale lembrar que as metas previstas neste último bond são parte de um arcabouço de compromissos ESG que a Suzano assumiu no ano passado, entre as quais está a redução de 15% dos gases de efeito estufa, prevista no primeiro SLB da companhia.

O executivo mencionou ainda que os bonds ficaram 13 pontos-base "mais baratos" em relação aos negociados em outras emissões da companhia de mesmo vencimento e que não são SLB.

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Ele lembra que em novembro do ano passado, quando a Suzano emitiu mais US$ 500 milhões com a reabertura de sua primeira emissão de SLB, o prêmio oferecido aos investidores foi de 220 pontos-base acima do Treasury.

Mas como o juro norte-americano estava mais baixo, o retorno total ao investidor ficou em 3,1%. Do total captado, US$ 400 milhões serão utilizados para pré pagar um bond emitido pela Fibria, com vencimento em 2025.

A Suzano também vai pré pagar linhas de exportação. "Com isso, o custo médio da dívida da Suzano cai de 4,5% ao ano para 4,4% e o prazo médio da curva de 90 meses para 95 meses", explica Ramundo.

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