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Stablecoins em foco

Por que os EUA decidiram apertar o cerco contra o theter (USTD), a criptomoeda com lastro em dólar

Criptomoeda é alvo de investigação nos Estados Unidos para saber onde andam os US$ 69 bilhões que lhe serviriam de lastro

tether criptomoeda lastreada em dólar
A criptomoeda lastreada em dólar, o tether (USTD) é a principal stablecoin do mundo - Imagem: Shutterstock

Enquanto os olhos do mundo estão voltados para a disparada do bitcoin (BTC) na primeira semana de outubro, a preocupação dos reguladores dos Estados Unidos neste momento passa longe da principal criptomoeda do mercado.

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As autoridades decidiram observar mais de perto outra vertente que vem ganhando corpo no mundo cripto: as stablecoins, as moedas digitais com lastro. A mais famosa delas, o Tether (USTD) tem paridade com o dólar, ou seja, cada unidade da criptomoeda tem um dólar de lastro.

A própria secretária do Tesouro norte-americano, Janet Yellen, mencionou recentemente o avanço das stablecoins e defendeu a necessidade de agir rapidamente para garantir uma estrutura regulatória apropriada.

O que são stablecoins?

Antes de detalhar o que preocupa os reguladores nos EUA, vale contar um pouco mais sobre as stablecoins (“moedas estáveis”, em tradução livre). Elas foram criadas com o propósito de replicar, no universo das criptomoedas, as divisas controladas pelos bancos centrais. 

Dessa forma, o usuário pode usufruir da facilidade que o mundo das criptomoedas proporciona e, ao mesmo tempo, ter a segurança de que o investimento está atrelado a um ativo do mundo real.

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O tether, por exemplo, é o que o mercado chama de solução de segunda camada que pode ser utilizada nas principais blockchains do mundo, como a do bitcoin (BTC) e do ethereum (ETH).

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Imagine o seguinte cenário: durante uma queda forte do mercado, o investidor que quiser retirar sua posição em criptomoedas precisa fazer a conversão para dólar ou real. Na transação, são cobradas taxas na compra e venda das moedas digitais.

O tether permite que o usuário venda criptomoeda, mas mantenha esse dinheiro na blockchain, o que reduz significativamente as taxas das transações.

Qual o problema com o tether?

O governo americano deu prioridade ao debate das stablecoins porque elas têm potencial de competir com o dólar americano. Apesar de parecer exagero, a China enfrenta problemas com o tether, o que explica uma ofensiva mais intensa do gigante asiático contra o mundo cripto

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O bitcoin (BTC) é a principal criptomoeda do mercado, mas na China o tether é a mais usada. Justamente por ter paridade com o dólar, o USTD é utilizado em transações internacionais e escapa do sistema de vigilância do governo, o que permite a sonegação de impostos e a evasão de divisas.

Pensando nisso, o governo dos EUA busca uma solução para não deixar o tether tomar conta das negociações internacionais. Gary Gensler, atual diretor da SEC, a CVM americana, criou um grupo focado na legislação para criptomoedas e deve dar destaque especial às stablecoins.

Tether sem lastro?

A principal stablecoin do mundo foi alvo de uma devassa por parte dos jornalistas da Bloomberg. De acordo com a publicação, o tether não teria o lastro equivalente à quantidade de moedas emitidas. 

A Tether Holdings, empresa que emite a moeda, foi procurada pela Bloomberg e não se manifestou sobre as acusações. Atualmente, o USTD tem 69 bilhões de moedas em circulação, dos quais US$ 48 bilhões foram emitidos este ano. 

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Se a empresa possuir esse montante, a Tether Holdings seria um dos 50 maiores bancos dos Estados Unidos. “Seria” por uma série de “poréns”: a empresa não é nem um banco, porque criptomoedas não são considerados ativos mobiliários pela CVM americana, e porque as operações estão sediadas fora do território dos Estados Unidos.

As movimentações indicam que o dinheiro da Tether Holdings passa de Taiwan para Porto Rico, Riviera Francesa, volta à China continental e vai até as Bahamas, locais considerados paraísos fiscais.

O advogado da Tether Holdings, Stuart Hoegner, afirmou que a empresa mantém “uma clara, compreensível e sofisticada gestão de risco para salvaguardar e investir as reservas”. Mesmo assim, Hoegner não soube dizer onde exatamente a companhia mantém o dinheiro dos investidores.

Por outro lado

A empresa mantém uma página de transparência assinada por analistas independentes que confirmam que a Tether Holdings possui a quantidade de dólares necessária para manter a criptomoeda lastreada. 

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Paolo Ardoino, Diretor de Tecnologia da Tether, afirma:

“Como líderes do setor, entendemos a importância da transparência e da responsabilidade. Nossa análise mais recente feita por Moore Cayman novamente confirma que a Tether está totalmente garantida. Um portfólio saudável e conservador, com ênfase na liquidez contínua, que alimenta nosso crescimento e confiança em nossas ofertas inovadoras. Continuaremos a fornecer atualizações regulares enquanto exploramos oportunidades adicionais para promover a transparência para os clientes e a indústria à medida que crescemos juntos.”

Bônus: quem são os fundadores da tether

Brock Pierce, co-fundador da Tether, é um ex-ator juvenil que fez sua aparição de sucesso no filme “Nós Somos Campeões” (Mighty Ducks, no título em inglês). Pierce estuda o mundo das criptomoedas desde 2013, quando se tornou um entusiasta do bitcoin

No mesmo ano, ele se juntou com Craig Stellars e Reeve Collings, o programador que inventou um modelo de propaganda chamado pop-under, o oposto do pop-up, na internet, e Phil Potter, o executivo que fundou a exchange Bitfinex

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Atualmente, o gerente financeiro da empresa é Giancarlo Devasini, um cirurgião plástico aposentado. Devasini foi, entre outras coisas, modelo e fundador de uma série de empresas de tecnologia que tiveram pouco sucesso. 

A reportagem da Bloomberg não teve acesso direto ao alto escalão da empresa, além de Devasini, porque, segundo o advogado, eles preferem manter a discrição e ficar longe dos holofotes. 

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