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2021-03-10T23:55:05-03:00
Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
FII do mês

Os melhores fundos imobiliários para investir em fevereiro segundo 7 corretoras

Sete FII empataram como os mais indicados, e um deles nunca tinha ficado entre os queridinhos antes; confira as recomendações

10 de fevereiro de 2021
5:30 - atualizado às 23:55
Selo de melhores fundos imobiliários do mês
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Apesar do início de ano positivo, os ativos de risco acabaram fechando o mês de janeiro com perdas. Ações e títulos públicos prefixados e atrelados à inflação terminaram o mês em baixa, enquanto juros futuros e dólar fecharam o período apontando para cima.

O mercado de fundos imobiliários, porém, conseguiu se salvar. O índice do setor, o IFIX, subiu 0,32% em janeiro, mantendo-se perto do topo do ranking dos investimentos do mês.

No entanto, no mercado de FII foi possível ver a mesma dinâmica que se viu nos demais mercados ao longo do mês: ativos de maior risco apanhando, e os mais conservadores se saindo bem.

A alta do IFIX deveu-se principalmente ao bom desempenho dos fundos de recebíveis, também chamados de fundos de papel. O índice da XP Investimentos que agrega esses fundos, o XPFP, teve alta de 1,08% em janeiro, enquanto o índice dos fundos de tijolo, o XPFT, recuou 0,49%.

Os fundos de recebíveis investem em títulos de renda fixa lastreados em créditos imobiliários, geralmente atrelados a um índice de inflação. A alta de 2,58% do IGP-M em janeiro beneficiou os títulos corrigidos por este índice de preços, contribuindo para manter elevados os dividend yields (retorno percentual de dividendos) dos fundos que investem nesse tipo de papel.

Já os demais FII se viram tomados pela cautela que assolou os mercados, em razão do risco fiscal, da lentidão na vacinação e continuidade de avanço da covid-19 e das incertezas quanto à recuperação mais robusta da economia.

Os fundos de shoppings voltaram a sofrer com a adoção de novas medidas restritivas pelo poder público a fim de conter o avanço do coronavírus no país. Mais uma vez, shopping centers em diversas cidades tiveram suas atividades suspensas ou reduzidas, o que aumentou a incerteza quanto à recuperação do segmento.

Em janeiro também foram divulgados os números referentes a 2020 do mercado de fundos imobiliários. Os FII atingiram quase 1,2 milhão de investidores até o final de dezembro. O volume negociado chegou a R$ 5,2 bilhões, uma queda de 11% em comparação como mesmo período de 2019. O patrimônio líquido dos FII atingiu R$ 124 bilhões.

Os fundos imobiliários preferidos de fevereiro

Para o mês de fevereiro não houve apenas um ou outro destaque entre os fundos recomendados pelas corretoras. As indicações foram bem variadas, e não houve um campeão absoluto. Em vez disso, sete fundos tiveram duas indicações cada, e seria possível montarmos, com eles, a carteira recomendada do Seu Dinheiro.

O queridinho do mês passado e indicação recorrente nesta matéria dos FII do mês, o BTG Pactual Logística (BTLG11), foi um desses fundos. Ele perdeu a majestade porque a corretora Ativa o retirou do seu top 3, mantendo-o apenas na sua carteira recomendada geral. Com isso, o fundo permaneceu somente entre os preferidos da Guide e do Santander.

Assim como no mês passado, o TG Ativo Real (TGAR11), o CSHG Logística (HGLG11) e o BTG Pactual Fundo de Fundos (BCFF11) também receberam duas indicações cada. O TGAR11 apareceu entre os preferidos da Ativa e da Terra Investimentos; já o HGLG11 e o BCFF11 figuraram nos top 3 de Mirae e Terra Investimentos.

Dois nomes retornaram à lista dos mais indicados: o CSHG Renda Urbana (HGRU11), um dos preferidos da Ativa e da Genial, e o RBR Alpha Multiestratégia Real Estate (RBRF11), que apareceu entre as indicações da Mirae e da Necton.

Somente um fundo foi novidade entre os mais recomendados: o TRX Real Estate (TRXF11) recebeu mais de uma indicação pela primeira vez, tendo aparecido nos top 3 de Ativa e Santander.

Confira a seguir os três fundos preferidos de cada corretora entre os FII indicados nas suas respectivas carteiras recomendadas para fevereiro. O Banco Inter não participou neste mês.

Um pouco sobre os 'novatos' do mês

TRX Real Estate (TRXF11)

Fundo híbrido (que investe em imóveis de diferentes segmentos), com 85% da sua área bruta locável (ABL) no varejo e 15% em galpões logísticos. Carteira formada por 43 imóveis, localizados em 11 estados.

Foi acrescentado à carteira recomendada do Santander neste mês, dado o seu dividend yield atrativo, de 7,5% em 12 meses. O banco cita ainda, entre os pontos positivos, a diversificação do portfólio, o fato de a maior parte da carteira estar exposta a segmentos que não estão sofrendo tanto com a pandemia (grandes redes de supermercados como Assaí, Pão de Açúcar e Extra entre os inquilinos) e o fato de todos os contratos serem atípicos e 85% deles com vencimento longo, para depois de 2035.

A Ativa também cita o dividend yield e a questão dos contratos atípicos como vantagem do fundo. "Na nossa visão o fundo tem muito potencial para ganho de capital no médio prazo", dizem os analistas da Ativa.

RBR Alpha Multiestratégia Real Estate (RBRF11)

O fundo de fundos têm quatro estratégias principais: fundos de lajes corporativas abaixo do custo de reposição, posições táticas, Certificados de Recebíveis de Imobiliários (CRI) e liquidez. As principais posições individuais são os fundos RBR LOG (RBRL11), Tellus Properties (TEPP11) e Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11).

Segundo a Necton, o fundo tem bom histórico de gestão e está bem posicionado para continuar gerando bons dividendos. "Além disso, enxergamos que com a liquidação do ativo do FBVI11, que foi aprovada pelos cotistas do fundo, a geração de dividendos será ainda mais interessante nos próximos meses", diz a corretora em relatório.

CSHG Renda Urbana (HGRU11)

Outro fundo híbrido, desta vez com imóveis alugados para varejistas (supermercados da rede Big e lojas Pernambucanas) e para uma instituição de ensino (Ibmec), localizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.

Segundo a Genial, o fundo é atrativo pelos seus contratos atípicos, bem como o baixo nível de inadimplência da instituição de ensino locatária. "O fundo possui portfólio maduro, devendo sofrer pouca variação no preço e manter o pagamento de dividendos estável", diz a corretora.

Retrospectiva

Em janeiro, o BTLG11 fundo campeão de indicações no mês, fechou com alta de 1,85%. Veja na tabela a seguir o desempenho de todos os fundos dos top 3 das corretoras no mês passado:

Carteiras recomendadas completas das corretoras

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