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Ruy Hungria
Sextou com o Ruy
Ruy Hungria
É formado em Física e especialista em bolsa e opções na Empiricus
2020-05-28T16:11:49-03:00
Sextou com o Ruy

Davi vs Golias: as vantagens de ser um pequeno investidor

Você, investidor comum, possui uma enorme vantagem contra os fundos de investimento bilionários na hora de encontrar as melhores oportunidades de investimento em ações

29 de maio de 2020
5:10 - atualizado às 16:11
Ilustração de Davi derrotando Golias
Ilustração de Davi derrotando Golias - Imagem: Shutterstock

Trabalhando no mercado financeiro há vários anos, eu nem preciso dizer que já tentei convencer muitos parentes e amigos a tirar o dinheiro da poupança e aplicar em um portfólio de investimentos diversificado.

Mas um obstáculo que sempre surge é a aparente desvantagem que eles teriam com relação aos grandes fundos de investimentos.

"Poxa, Ruy. Eu até gostaria de investir em ações. Adoraria tentar encontrar algumas daquelas oportunidades que se multiplicam por quatro ou cinco vezes. Mas eu comecei a me perguntar 'quais são as minhas chances – um pequeno investidor, sem muito tempo para olhar o mercado – contra fundos de investimento que gerem bilhões de reais, e estão recheados com as mentes mais brilhantes do mercado?'"

Se você já leu “Davi e Golias”, de Malcolm Gladwell, deve saber muito bem que os pequeninos e aparentemente desfavorecidos normalmente possuem grandes vantagens contra os grandalhões e favoritos nos mais diversos campos de batalha.

No mercado financeiro não é diferente. Você, investidor comum, possui uma enorme vantagem contra os fundos de investimento bilionários na hora de encontrar as melhores oportunidades de investimento em ações.

Um exemplo prático   

Warren Buffett insiste em lembrar que os seus melhores anos como investidor foram justamente os primeiros, quando o seu fundo (Buffett Partnership) geria pouco mais de US$ 100 mil.

Ou seja, o próprio Buffett não cansa de dizer que ser um pequeno investidor é, na verdade, uma grande vantagem.

Quer entender o motivo?

Quando você possui apenas alguns “cascalhos” para investir, nenhuma companhia é tão pequena que não consiga digerir o seu aporte.

Por exemplo, tanto faz se você quer investir R$ 5 mil na Petrobras (PETR4) ou na nanica Pettenati (PTNT4) – esta não é uma sugestão de compra de PTNT4, trata-se apenas de um exemplo. Como você pode ver no chamado "livro de ofertas", há vendedores o suficiente no mercado para que você consiga investir R$ 5 mil em qualquer uma das duas ações.

Mas a dificuldade aumenta de acordo com o valor a ser investido.

Imagine que, em vez de R$ 5 mil, você na verdade gostaria de investir R$ 1 milhão.

Mesmo que você esperasse grandes valorizações de ambas as ações, infelizmente você teria de se contentar com a Petrobras, que é a única das duas que possui liquidez suficiente aguentar o seu aporte, já que conta com bem mais do que os seus R$ 1 milhão em ordens de venda no "livro de ofertas".

Um aporte milionário não encontraria liquidez suficiente em PTNT4, pois existem apenas R$ 18 mil de ações à venda. 

Azar de quem tem muito dinheiro?

Só lhes resta olhar

É claro que o exemplo de PTNT4 pode parecer radical demais, mas ele dá uma boa ideia dos problemas que os maiores fundos de investimento enfrentam diariamente.

A maioria dos fundos não investe R$ 100 mil, R$ 500 mil, ou R$ 1 milhão. Eles aportam dezenas ou centenas de milhões de reais em uma única ação.

Por isso, muitas vezes, mesmo encontrando excelentes oportunidades no mercado, boa parte deles é obrigado a ficar observando alguns papéis de longe, igual a cachorro babando diante daquele frango assado em frente à “padoca” no domingão.

“Pessoal, dá uma olhada: o lucro não para de crescer…”

Aprendendo a garimpar

Não à toa, muitos fundos acabam perdendo rentabilidade à medida que ficam maiores e mais “famosos”.

Quando atingem um determinado tamanho, eles simplesmente não conseguem mais colocar dinheiro naquelas companhias pequenas, que estão fora radar e, por isso mesmo, carregam um enorme potencial de multiplicação.

Péssimo para eles, ótimo para você, que pode desfrutar da capacidade de valorização dessas companhias sem precisar se preocupar com a concorrência desleal dos grandes fundos.

As empresas com baixo valor de mercado são conhecidas como microcaps, e o maior especialista nessa classe de ativos que eu conheço é o Max Bohm.

Nesta semana, ele resolveu organizar um evento para ajudar pessoas comuns a identificar essas oportunidades de investimento em companhias pequenas e que estão fora do radar dos grandes gestores.

O evento é online e gratuito. Deixo aqui o convite caso queira participar. Bater os grandes fundos do mercado é mais fácil do que muita gente imagina.

Um grande abraço e até a próxima!

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