Menu
Ricardo Mioto
Coluna do Mioto
Ricardo Mioto
Dados da Bolsa por TradingView
2020-08-28T19:55:50-03:00
Coluna do Mioto

Os gringos esqueceram o Brasil (e isso cria oportunidades)

Isso ajuda a explicar por que, enquanto as Bolsas pelo mundo todo retomaram aos recordes pré-crise, nós ainda patinamos aqui uns 20% abaixo das máximas

29 de agosto de 2020
6:04 - atualizado às 19:55
crise coronavírus brasil
Imagem: Shutterstock

Se você quiser ver como o Brasil foi esquecido pelos investidores estrangeiros, basta olhar esta tabela feita pelo BTG:

Trata-se da alocação de fundos estrangeiros em Brasil. No primeiro caso, em fundos especializados em mercados emergentes (GEM é global emerging markets). De cada cem dólares desses fundos, pouco mais de cinco estão em Brasil. No passado, esse valor chegou a 16.

Em fundos globais, então, que investem nos países em que quiserem, inclusive em mercados maduros, o Brasil sumiu. Hoje respondemos por apenas 0,2% da carteira média de um fundo desses, um décimo do que eles chegaram a investir no passado.

O gringo acha que o Brasil reagiu mal à Covid, tem certo ceticismo com a política fiscal do governo e se importa cada vez mais com temas ambientais, que não têm sido nosso forte.

Isso ajuda a explicar por que, enquanto as Bolsas pelo mundo todo retomaram aos recordes pré-crise, nós ainda patinamos aqui uns 20% abaixo das máximas, que se deram lá nos 120 mil pontos do Ibovespa.

Os fundos brasileiros também estão pouco alocados em ações. O mesmo BTG aponta que 13,6% do dinheiro dos fundos está em ações, contra um recorde de 22% em 2007.

O que poderia reverter isso? A injeção cada vez maior de dinheiro nas economias pelo Fed, o banco central americano, vai fazer com que o bull market gringo transborde para os mercados emergentes -- conforme tudo vai ficando muito caro nos países ricos, a propensão a topar mais risco em geografias alternativas aumenta. Com o real tão desvalorizado, o Brasil fica gritantemente barato.

Sobre a pandemia, cada dia fica mais próxima uma vacina. Por fim, no que se refere aos investidores locais: com uma taxa de juros tão baixa, de 2%, que alternativa haverá além de correr para a renda variável?

Lembre-se que o mercado tem a porta pequena: um aumento de 0,2% para 0,4% na alocação dos fundos globais em Brasil e/ou um aumento de poucos pontos percentuais na alocação dos fundos locais em ações já faria um barulho significativo nos preços da Bolsa.

Bolsa é probabilidade, nunca certezas. Mas, neste momento, se desenha uma assimetria favorável à Bolsa brasileira: o mundo está cheio de dinheiro, os gestores brasileiros vão ter de procurar rentabilidade na renda variável, e as nossas ações, por terem ficado para trás, ainda estão mais baratas que as do resto do mundo.

Comprar Brasil, agora, é comparativamente comprar na baixa. Pode dar certo.

A gente falou desse assunto no episódio desta semana do nosso podcast Empiricus Puro Malte, que você pode ouvir abaixo, entre outras discussões sobre paixão no casamento, música sertaneja e as semelhanças entre o futebol e o mercado financeiro:

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro cai, após ata do Copom destacar risco fiscal; dólar sobe após abertura

O exterior segue em baixa, antes da fala do presidente do BC americano, enquanto o cenário doméstico fica de olho no risco fiscal

O melhor do seu dinheiro

O que mexe com seu dinheiro: Petróleo do futuro — uma modalidade de investimentos promissora

Imagine a cena. Você chega no posto para abastecer o seu carro flex voador. Ao chegar na bomba, o robô-frentista apresenta as opções: — E então, chefia, vai completar com hidrogênio ou urânio hoje? É claro que essa realidade não passa de um exercício (muito ruim) de ficção científica. Mas é fato que a energia […]

Coluna do jojo

Bolsa hoje: ata do Copom e o debate sobre orçamento dos EUA movimentam o dia

Falas de autoridades monetárias, com vários banqueiros centrais lotando a agenda hoje; Lá fora, nos EUA, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, fará o discurso principal na 63ª reunião anual da National Association for Business Economics

De olho na bolsa

Esquenta dos mercados: ata do Copom deve dar o tom dos negócios, com teto de gastos e desemprego no radar; cautela predomina antes da fala de Powell

O exterior segue em baixa antes de maiores detalhes sobre o tapering dos EUA e de olho na desaceleração da economia chinesa

LDO ALTERADA

Congresso autoriza uso da reforma do IR para compensar Auxílio Brasil

Texto altera LDO de 2021 e autoriza o uso de propostas legislativas em tramitação como fonte de compensação para criação ou aumento de despesa obrigatória para programas de transferência de renda

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies