Ação do BTG cai mais de 15% após nova fase da Lava Jato
Banco esteve entre os investigados da 64ª fase da operação; PF apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais
As ações do BTG Pactual (BPAC11) amargaram uma queda de 15,19% no pregão desta sexta-feira, 23, após a deflagração da 64ª fase da Operação Lava Jato. Veja nossa cobertura de mercados.
É que os crimes que a Polícia Federal investiga estariam relacionados ao banco e a Petrobras na exploração do pré-sal e ‘em projeto de desinvestimento de ativos’ na África. A PF apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de capitais.
São 12 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Entre os alvos da operação estão a ex-presidente da estatal, Graça Foster, além de André Esteves, fundador e sócio do BTG.
O banqueiro chegou a ser preso em 2015 acusado de participar de um suposto esquema para obstruir a Lava Jato, mas foi inocentado do caso. Na época, Esteves foi afastado do comando do BTG, mas voltou ao grupo dos principais sócios no fim do ano passado.
[captacao]
Ao Seu Dinheiro, o banco disse que o objeto da busca e apreensão já foi alvo de uma investigação conduzida pelo escritório de advocacia internacional Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan, LLP, especializado em investigações e auditorias.
"O escritório foi contratado em 2015 por um comitê formado justamente para fazer uma auditoria externa e imparcial sobre as alegações na época relacionadas a atos ilícitos", diz o BTG em nota.
A reportagem também tentou contato com a Petrobras, mas não recebeu um posicionamento oficial até o momento.
Nas redes sociais e em grupos privados de WhatsApp, circulam imagens da PF em frente a sede do BTG, na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, nesta manhã.
https://twitter.com/JordanFariaLima/status/1164867991911186433
Entenda o caso
Segundo a PF, os crimes estariam relacionados a recursos contabilizados em planilha denominada “Programa Especial Italiano” gerida por grande empreiteira nacional.
"A investigação é complexa e trata de fatos abordados em diferentes inquéritos policiais, tendo sido impulsionada por acordo de colaboração premiada celebrado entre a Polícia Federal e ex-Ministro de Estado investigado", diz a PF.
A PF explica que também é objeto desta fase esclarecer a existência de corrupção envolvendo instituição financeira nacional e estatal petrolífera na exploração do pré-sal e em projeto de desinvestimento de ativos no continente africano.
A ação pode pode ter lesado os cofres públicos em pelo menos 1,5 bilhão de dólares, que equivalem hoje a aproximadamente 6 bilhões de reais.