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2019-10-15T15:04:50-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Entrevista

Que horas ele volta? Aumento dos IPOs na bolsa depende do estrangeiro, diz BTG Pactual

A boa notícia é que essa virada deve acontecer logo, com uma maior participação dos IPOs em relação ao total de ofertas já em 2020, me disse Fabio Nazari, sócio responsável pela área de renda variável do BTG

15 de outubro de 2019
6:01 - atualizado às 15:04
Fabio Nazari, sócio do BTG Pactual
Para Nazari, mercado de capitais brasileiro pode crescer até dez vezes nos próximos anos - Imagem: Divulgação/BTG

Mesmo depois de aberturas de capital badaladas como a da rede de joalherias Vivara, a bolsa brasileira caminha para mais um ano fraco para os IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações).

Poderia ser apenas a repetição de um cenário que já dura quase uma década, mas um fenômeno diferente acontece em 2019: enquanto os IPOs patinam, as ofertas de ações de empresas já listadas na B3 caminham para um recorde histórico.

O que explica essa disparidade entre dois tipos de operação tão próximos? A resposta está no comportamento do investidor estrangeiro, segundo Fabio Nazari, sócio responsável pela área de renda variável do BTG Pactual.

Historicamente, a maior parte do dinheiro para a compra de ações de empresas novatas vem de fora, mas pelo menos por enquanto o gringo se mantém bastante cauteloso com o país.

“Quando um grande fundo estrangeiro colocar um cara no canto da mesa para operar 1% em Brasil já será uma grande diferença”, me disse Nazari, em uma entrevista na sede do BTG.

Entre dois mundos

O volume de ofertas de ações atingiu em R$ 57,6 bilhões no acumulado do ano até setembro, de acordo com dados da Anbima, a associação que representa as instituições que atuam no mercado de capitais. Desse total, R$ 53,1 bilhões foram de emissões de empresas que já possuem ações na bolsa (follow ons) e só R$ 4,5 bilhões de IPOs.

A própria atuação do BTG resume bem os dois mundos bem distintos do mercado de ofertas de ações em 2019. De janeiro a agosto, o banco atuou 11 ofertas de ações, sendo dez follow ons e apenas uma abertura de capital – da rede de lojas de produtos esportivos Centauro, de acordo com a Anbima. O banco também participa da oferta da varejista de moda C&A, prevista para acontecer até o fim do mês.

Nazari não comentou sobre operações específicas, mas disse que só espera um maior equilíbrio entre as aberturas de capital e os follow ons com a entrada mais expressiva do capital externo na bolsa brasileira.

"O interesse do estrangeiro no Brasil, que já era seletivo, diminuiu depois de agosto com a piora na guerra comercial e as prévias das eleições argentinas."

Mas então quando o gringo volta para a bolsa? A boa notícia é que essa virada deve acontecer logo. Nazari espera uma maior participação dos IPOs em relação ao total de ofertas já em 2020, conforme surgirem sinais mais consistentes de retomada da economia e que tragam maior confiança ao estrangeiro.

Dez vezes maior

Apesar do ritmo fraco das aberturas de capital neste ano, o sócio do BTG espera que as emissões de ações como um todo batam o recorde histórico de R$ 75,5 bilhões alcançado em 2007 – se tirarmos da conta o ano de 2010, distorcido pela megacapitalização de R$ 120 bilhões da Petrobras. Mas ele acredita que o potencial é muito maior.

"O mercado brasileiro tem condições de se multiplicar por cinco a dez vezes."

Nazari fala com a experiência de quem atuou nesse mercado durante o "boom" das ofertas de ações vivido de 2004 a 2007, mas também amargou o período de vacas magras que se seguiu praticamente até 2017.

Ele divide as fases do mercado de acordo com a participação dos investidores. Na primeira, os gringos ficavam com até 75% das ações que eram vendidas. Depois da saída do estrangeiro, as poucas ofertas que ocorreram ficaram principalmente nas mãos dos investidores locais, como gestores de fundos, mas que compravam "sem convicção".

De um ano para cá, a falta de convicção dos gestores virou necessidade, segundo o executivo do BTG. Com a queda da taxa de juros e o crescimento das plataformas de investimento independentes, os fundos de ações e multimercados captaram bilhões em recursos que foram destinados à bolsa.

A entrada de todo esse dinheiro na B3 está na origem da atual onda de ofertas de ações, principalmente as de empresas já listadas e que registraram forte valorização recente na B3. "A memória de preço estimula o empreendedor a colocar um pouco de dinheiro no bolso", afirmou.

É a política

Como de costume em minhas entrevistas, perguntei a Nazari o que seria capaz de reverter esse otimismo com as perspectivas das ofertas de ações.

Para o sócio do BTG o grande risco hoje vem de fora. Mas o maior temor dele não vem das disputas comerciais entre Estados Unidos e China que têm provocado os solavancos recentes no mercado, e sim do desfecho das eleições presidenciais norte-americanas no ano que vem.

Aqui no Brasil, ele disse que o único fator capaz de mudar radicalmente o humor dos investidores seria um possível rompimento da atual política econômica, ainda que essa possibilidade não esteja no radar hoje.

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