Apesar da demanda fraca, IPCA acelera e sobe 0,43% em fevereiro, revela IBGE
Resultado ficou acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas, que previam uma alta de 0,26% a 0,42%, com mediana de 0,38%

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou fevereiro em 0,43%, ante taxa de 0,32% em janeiro, informou nesta terça-feira, 12, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado ficou ligeiramente acima do teto do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam uma alta de 0,26% a 0,42%, com mediana de 0,38%.
A taxa acumulada pela inflação no ano foi de 0,75%. O IPCA em 12 meses acumulou 3,89%, também ligeiramente acima das previsões dos analistas, que iam de 3,71% a 3,88%, com mediana de 3,84%. O resultado anual, no entanto, segue abaixo da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, de 4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.
Demanda fraca segura preços
De acordo com o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Fernando Gonçalves, a demanda fraca e o poder de compra limitado da população ainda ajudam a conter a inflação oficial no País. Segundo os dados do instituto, no mês passado houve queda de preços em dois dos nove grupos pesquisados: Vestuário (-0,33%) e Transportes (-0,34%). O grupo Comunicação ficou estável (0,0%).
Entre os avanços, as duas principais pressões vieram de Alimentação e bebidas (0,78%) e Educação (3,53%). "Alimentação e Educação respondem por aproximadamente 84% do IPCA de fevereiro", lembrou Gonçalves.
Embora Educação tenha refletido o tradicional reajuste de mensalidades escolares nessa época do ano, a alta de 2019 foi a mais baixa em mais de 10 anos. Segundo Gonçalves, algumas escolas estariam negociando reajustes menores, para evitar a evasão de alunos.
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No caso de alimentação, houve pressão de culturas prejudicadas pelo clima e redução de área plantada, como o caso de feijões. Mas a alimentação consumida fora do domicílio, que reflete a demanda, teve queda de 0,04% no preço. A refeição consumida fora de casa ficou 0,22% mais barata no mês.
Entre os demais grupos, as famílias gastaram 0,20% mais com Artigos de residência; 0,49% mais com Saúde e cuidados pessoais; 0,38% mais com Habitação; e 0,18% mais com Despesas Pessoais.
Mesmo com bandeira verde, custo de energia sobe
A tarifa de energia elétrica teve uma alta de 1,14% em fevereiro, uma contribuição de 0,04 ponto porcentual para a inflação do mês.
Houve aumentos nas alíquotas de PIS/Cofins na maioria das regiões pesquisadas. As variações da conta de luz ficaram entre a queda de 2,35% registrada em Aracaju até um avanço de 14,99% verificado em Rio Branco.
Desde dezembro de 2018, está em vigor a bandeira tarifária verde, que dispensa a cobrança adicional por quilowatt-hora consumido.
Os gastos das famílias com Habitação subiram 0,38% em fevereiro. Houve impacto ainda da elevação de 4,11% no gás encanado, em razão do reajuste médio de 11% na tarifa de São Paulo em vigor desde 1º de fevereiro. Por outro lado, o preço do gás de botijão recuou 0,72% no mês.
Tarifas aéreas em queda empurram inflação de serviços para baixo
A queda de 16,65% nas passagens aéreas ajudaram a conter a inflação de serviços em fevereiro, a despeito da pressão dos reajustes de mensalidades escolares. Já o custo com cursos regulares subiram 4,58% em fevereiro.
Dentro do IPCA, a inflação de serviços desacelerou de 0,50% em janeiro para 0,39% em fevereiro. Já a taxa acumulada em 12 meses pela inflação de serviços passou de 3,71% em janeiro para 3,35% em fevereiro.
Quanto à inflação de bens e serviços monitorados pelo governo, houve aceleração de 0,05% em janeiro para 0,29% em fevereiro. O preço da gasolina caiu menos, enquanto houve pressão dos aumentos do gás encanado e da energia elétrica.
A taxa da inflação de monitorados acumulada em 12 meses diminuiu de 6,04% em janeiro para 5,77% em fevereiro, o menor patamar desde julho de 2017, quando estava em 4,72%. "Mas o ano está começando agora, e vai começar a vir reajustes de energia elétrica, etc", ponderou Gonçalves.
Vale lembrar que a inflação do próximo mês pode ser impactada por um avanço na conta de luz no Rio de Janeiro, que em 2018 ocorreu no mês de março. Outros reajustes de itens monitorados que podem pressionar o IPCA são a taxa de água e esgoto em Fortaleza e Aracaju; ônibus urbano em Porto Alegre, Recife e Curitiba; e trem em Porto Alegre.
Por outro lado, podem ajudar a conter a taxa o reajuste menor de gás encanado em São Paulo e a redução nos preços de cigarros em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba e Brasília.
*Com Estadão Conteúdo.
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