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Grupo SHC, de Sérgio Habib, pede recuperação judicial

Dificuldades começaram após a crise econômica, que alterou planos da empresa, que acumula dívidas de R$ 517,7 milhões

14 de novembro de 2018
9:04 - atualizado às 14:43
Sergio Habib
Sergio Habib - Imagem: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Ele já foi um dos maiores revendedores de carros no País, com 100 lojas de diversas marcas. Dono de um grupo que já teve um faturamento de R$ 6 bilhões ao ano, chegou a lançar projeto de uma fábrica de carros chineses na Bahia, orçado em R$ 1 bilhão. No início do mês, porém, o empresário brasileiro Sérgio Habib entrou com pedido de recuperação judicial de seu grupo, o SHC, que acumula dívidas de R$ 517,7 milhões.

No pedido com mais de 6 mil páginas, o grupo explica que suas dificuldades começaram após a crise econômica, que alterou planos da empresa, e foi acentuada pelo programa Inovar-Auto, que impôs cotas de importação - ou pagamento extra de 30% de IPI. Imputa, porém, à PSA Peugeot Citroën, empresa com a qual manteve parceria por 28 anos, a responsabilidade maior pelas dívidas acumuladas.

O grupo francês, em especial a Citroën - marca que ele trouxe ao País nos anos 90 e foi o maior concessionário, com 43 lojas - também será alvo de ação por indenização nas próximas semanas, informou nesta terça-feira, 13, Habib, durante o lançamento, em São Paulo, do utilitário-esportivo T50, da JAC Motors. São veículos da marca chinesa que ele vende nas 20 revendas que restaram ao grupo.

Em busca de proteção

Habib afirma que entrou com pedido de recuperação judicial justamente para preservar essa operação, que segundo ele é rentável, junto com a venda de carros usados. "Queremos proteger as operações da JAC dos credores da Citroën", disse.

Habib lembra que, em 2008, a Citroën vendeu mais de 60 mil veículos, metade deles por meio das revendas de seu grupo. A marca tinha 2,7% de participação no mercado, fatia que hoje está abaixo de 1%. "Neste ano, as vendas não vão chegar a 20 mil veículos". A marca foi a que mais perdeu mercado nos últimos tempos, registrando queda de 80% nas vendas de 2011 para cá. Também ficou cinco anos sem lançar produtos (de 2013 a 2018), num mercado cada vez mais disputado.

A partir de 2014, Habib começou a fechar lojas da Citroën, assim como da JAC, da Volkswagen e da Land Rover. Nesse processo, contou ele, negociou com a PSA e demais grupos regras previstas na Lei Ferrari (que estabelece normas entre fabricantes e distribuidores), como adquirir o estoque de peças.

Em março, fechou suas últimas 12 lojas da Citroën e duas da Peugeot. "Nesse caso não houve negociação; não me pagaram pelos serviços de revisão dos carros no período de garantia nem ficaram com as peças".

*Com Estadão Conteúdo

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